Percevejo problemático detectado em Pombal

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Investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra (FCTUC) alertaram para os perigos do percevejo asiático que estará a invadir alguns países, incluindo Portugal. O insecto foi interceptado, no início deste ano, na região de Pombal, num equipamento agrícola importado de Itália.
“O estabelecimento de mais uma praga agrícola no nosso país, especialmente de um insecto picador-sugador capaz de se alimentar em mais de 300 espécies de plantas nas suas diferentes estruturas (frutos, folhas, rebentos…), incluindo inúmeras plantas de interesse agrícola, poderá ter efeitos muito negativos para a agricultura”, adverte, citado pela FCTUC, o investigador João Loureiro, do FLOWer Lab (Centre for Functional Ecology).
“É durante o período de actividade em que se alimenta (de Abril a Novembro) que inviabiliza comercialmente os produtos agrícolas (provocando cicatrizes, depressões, descolorações, deformações e/ou queda)”, explica João Loureiro.
“As perdas a este nível podem chegar a 90% de produção e culturas agrícolas como o tomate, milho, pêra, uva e laranja, tão relevantes no contexto nacional, podem vir a ser severamente afectadas, sem que haja ainda uma forma eficaz de controlo”, acrescenta o investigador e docente da FCTUC.
A nível de saúde pública, “a procura do insecto por abrigos, nomeadamente no interior de casas e barracões, para a fase de diapausa (hibernação) durante os meses frios (Dezembro a Março), leva uma concentração elevada de organismos – na ordem dos milhares de insectos – agravada pela libertação de odores nefastos quando perturbados”, salienta João Loureiro.
Entretanto, o Ministério da Agricultura anunciou estar em curso um programa nacional de prospecção direccionado para a identificação da presença do percevejo no país.
A tutela adianta que “perante o surgimento de notícias associando este insecto à problemática da vespa velutina e a um eventual problema de saúde pública, a DGAV [Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária] esclarece que Halyomorpha halys [nome científico do percevejo asiático] não é perigoso para pessoas e animais”, salientando que “não morde, não pica ou suga sangue, nem transmite doenças, exalando um cheiro forte e desagradável, razão por que é conhecido como ‘brown marmorated stink bug’ (percevejo fedorento)”.
“Em caso de detecção, deverão ser tomadas medidas de controlo. Além da luta química, estão já a ser estudadas formas de controlo biológico desta praga, nomeadamente o uso de agentes já usados em fase experimental em Itália”, acrescenta.

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Ingressou no jornalismo, em 1989, como colaborador no extinto “Pombal Oeste” que foi pioneiro na modernização tecnológica. Em 1992 foi convidado a integrar a redacção de “O Correio de Pombal”, onde permaneceu até 2001, quando suspendeu a profissão para ser Director de Comunicação e Marketing de um grupo empresarial de dimensão ibérica. Em 2005 regressou ao jornalismo, onde continua, até aos dias de hoje, a aprender. Ao longo destes (largos) anos de actividade, atestados pelo Carteira Profissional obtida em 1996, passou por vários jornais, uns de âmbito regional e outros nacional, onde se inclui o “Jornal de Notícias” e “Público”. Foi convidado a colaborar, de forma regular, com o “Pombal Jornal” onde se produz conteúdos das pessoas para as pessoas.