NA ESCOLA DA VIDA | Quando a rua (também) é professora

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Isabel Moio

No passado dia 5 de outubro celebrou-se o Dia Mundial do Professor, que pretende homenagear todos os profissionais que contribuem para a educação e para o ensino. Atrevo-me a dizer que este dia pode ser de todos nós e ser celebrado todos os dias, se considerarmos que todos ensinamos e aprendemos diariamente, o que faz de nós professores e, simultaneamente, alunos. No entanto, aquele Dia, proclamado pela UNESCO em 1994, pretende direcionar a atenção para o papel fundamental que o Professor assume na sociedade, na transmissão de conhecimento(s) e de saber(es), procurando fazer dos alunos seres curiosos e críticos. Releva, assim, todos aqueles e todas aquelas que optaram pelo ensino como forma de vida e como veia profissional, dedicando o seu dia-a-dia a ensinar crianças, jovens e adultos.
Desde 1994, o dia 5 de outubro é comemorado um pouco por todo o mundo. Em Portugal, porém, as celebrações são abafadas – permanecendo ofuscadas, na penumbra – devido à comemoração da Implantação da República.
Mas… e quando a rua (também) é professora? Sim, porque se observarmos, nos deixarmos envolver e encantar e se participarmos, facilmente verificamos que a rua também nos ensina. Não me refiro apenas às ruas do coração da cidade… com chapéus coloridos cobrindo o céu das artérias históricas, oferecendo obras se “Street Art” em paredes despidas e em fachadas de prédios até então tímidos e discretos, debitando poesia sob a forma de música e dança em montras e varandas, anunciando a primavera com exposições de espantalhos nos jardins e arranjos florais deitados às entradas de estabelecimentos comerciais, apresentando-nos a singularidade de estátuas vivas barrocas, permitindo-nos saborear o típico queijo do Rabaçal e outras iguarias em feiras medievais, surpreendendo-nos com teatro de rua, convidando concelho e além-concelho a visitar a tradicional Festa do Bodo e o Mercado de Natal, revisitando tradições através da recriação da desfolhada e mantendo viva a Festa do Santo Amaro.
Refiro-me, também, àquelas ruas onde andávamos de bicicleta até anoitecer, saltávamos à corda, brincávamos às escondidas e jogávamos à macaca desenhando com um caco os traços no chão, sem conhecer os perigos e as ameaças que, hoje, esbatem esta liberdade e inibem o potencial e a vida que, outrora, tão bem caracterizavam esses espaços. E ainda aos adros das igrejas e aos antigos largos da feira (que, pelo menos, fazem parte das memórias e das Histórias de Vida de muitos), aos jardins e aos parques frescos (palcos de um jogo de cartas e de uma conversa ocasional), às eiras (que, embora particulares, transformavam-se em autênticos espaços de partilha proporcionando bailaricos ao som de um gira-discos) e às fontes e às nascentes de água (verdadeiros lugares de encontro e de convívio)…
Relembrar tempos não muito distantes imprime um certo saudosismo na corrente sanguínea. Não sentirão saudades, também, estas ruas e estes lugares?

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Embora os documentos legais a identifiquem como natural de Pombal, foi em Coimbra que respirou autonomamente pela primeira vez. Assim, desde o penúltimo dia de dezembro de 1982 assumiu um compromisso com a vida: aprender a ser. Quase duas décadas depois regressou à cidade do Fado e do Mondego para dar continuidade à sua formação académica na área de Ciências da Educação. Aprofundaria aqui o significado de outro pilar: aprender a conhecer. Começou a aprender a fazer em 2007, quando a socialização profissional lhe abriu as portas no ramo da Educação e Formação de Adultos, no qual tem trabalhado e realizado investigação. Gosta de “sair por aí” e observar e fotografar todas as esquinas. Reserva ainda tempo para a escrita, sentindo-a como um elixir lhe permite (re)descobrir uma energia anímica e uma força motriz nos cantos mais inóspitos aos quais muitos olhares não associariam qualquer pulsar. É, neste campo, autora de obras literárias individuais e de vários textos e poemas publicados em coletâneas. E é assim que lê, sente e inala o mundo, num permanente aprender a viver com os outros.