Políticos desligados da realidade

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Frequentemente damos por nós a pensar em como é que aquela pessoa foi eleita para determinado cargo. Vocês sabem de quem estou eu a falar. A verdade é que apesar de tudo o que se diz sobre os partidos, na maioria das vezes as pessoas são eleitas por representarem determinada lista de um partido que se apresenta a eleições. No entanto, como sabemos, a militância de alguém num partido não significa necessariamente que as suas opiniões sejam alinhadas com os valores desse mesmo partido, pelo que convém ouvir a pessoa falar, debater e explicar alguns assuntos antes de lhes darmos o nosso voto.

Será que queremos autarcas a representar-nos que tomam decisões sobre investimentos mas nunca trabalharam em empresas privadas por conta de outrem? Pessoas que decidem sobre o trânsito e estacionamento mas têm motoristas que os deixam à porta dos locais para onde vão? Pessoas que decidem o que construir nos espaços públicos da nossa cidade mas que não a usam porque preferem passar o tempo livre em Lisboa ou em Paris? Pessoas que tomam decisões sobre a escola pública mas têm os filhos em colégios privados da capital? Queremos mesmo a representar o povo pessoas que sempre viveram na elite social e financeira? Estamos à espera que os aristocratas e as dondocas vindos das quintas e das herdades saibam interpretar a vontade da maioria dos cidadãos que ganham pouco mais que o salário mínimo?
Sejam de que partido forem, precisamos de políticos eleitos se sintam a cidade e as freguesias, que passeiem os filhos e os cães pelas ruas, que empurrem carrinhos de bebés pelos passeios, que vão às compras ao supermercado, que saiam à noite para beber um copo, que se divirtam com a família no Bodo, que leiam livros (nem que sejam livros técnicos).

Em suma, precisamos de políticos eleitos em Pombal que, sendo do povo, se destaquem pela sua competência e não que se achem de uma casta acima do povo porque enquanto dermos o nosso voto a políticos destes teremos uma Câmara Municipal bafienta, uma terra incapaz de gerar inovação e um concelho a perder o comboio populacional para concelhos limítrofes como Leiria ou Marinha Grande.

Raul Testa
Jurista