Conteúdos museológicos do CIMU-Sicó podem custar meio milhão de euros

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Os conteúdos museológicos para o CIMU-Sicó – Centro de Interpretação e Museu da Serra de Sicó podem custar cerca de meio milhão de euros. Este é pelo menos o valor do primeiro orçamento recebido pela Câmara de Pombal, que já pediu vários orçamentos para a parte programática daquele equipamento. Para o presidente da autarquia, é um preço “altamente amargo” que resulta do “contexto em que vivemos”.


A obra de construção do CIMU-Sicó foi mais uma vez adiada, com o aumento do prazo de execução de 91 dias, estando agora a sua conclusão prevista para os primeiros dias de Outubro. Com a empreitada em fase de finalização, a Câmara Municipal já está a pedir orçamentos para os conteúdos museológicos deste equipamento localizado na aldeia de Poios, freguesia da Redinha.
“Em virtude do contexto em que vivemos, os orçamentos que temos são altamente amargos”, informou Pedro Pimpão na reunião de executivo de 20 de Julho. “O único orçamento que já recebemos ao nível da programação é de meio milhão de euros”, revelou o autarca, dando conta do “grau de grandeza que estamos a falar”.
Mas este é apenas o valor do primeiro de “vários orçamentos que pedimos a diversas entidades”, referiu, salientando que a programação está a ser trabalhada em articulação com “alguns investigadores que estiveram na génese deste projecto”, que tem um “investimento significativo do ponto de vista financeiro”, o qual ascende a 2,1 milhões de euros (acrescidos de IVA).
“Estamos a estabelecer contactos para que essa programação seja feita o mais rapidamente possível”, assegurou Pedro Pimpão, comprometendo-se a “agilizar esta temática” para “colocar este equipamento ao serviço de uma maior dinamização do território da sub-região de Sicó”.

 

ACESSO PARA AUTOCARROS EM ESTUDO

Paralelamente, a Câmara Municipal está a estudar com a Junta de Freguesia da Redinha “uma alternativa de acessibilidade à aldeia dos Poios”, no sentido de “criar condições para que os autocarros tenham os acessos mais facilitados”, informou o presidente da autarquia, consciente da dificuldade de acesso para veículos de transporte colectivo de passageiros.
Pedro Pimpão assegurou que “o nosso objectivo é empenhar todos os esforços para garantir essas acessibilidades para o mais rápido possível”, esperando que “esta intervenção possa ser uma realidade nos próximos meses”.
O autarca falava em resposta à vereadora Odete Alves que assinalou “os enormes constrangimentos” em termos de acessos para autocarros, sugerindo “pensar muito bem” no encontro de soluções. Na altura, a socialista demonstrou a sua “inteira disponibilidade” para a procura de soluções tanto ao nível de acessibilidades como para projectar aquele equipamento.

“ESPAÇOS MUITO REDUZIDOS”

“Na ida ao local percebemos que o edifício é realmente uma ferida na serra, não se enquadra minimamente na paisagem” e tem “espaços muito reduzidos”, constatou Odete Alves, que visitou recentemente o CIMU-Sicó juntamente com o restante executivo camarário.
“Percebemos que aquelas formas cilíndricas não são as melhores para aproveitamento de espaços”, os quais “gostaríamos que fossem maiores para acolher outro tipo de eventos”, referiu a socialista, dando como exemplo “o mini-auditório que tem lugar apenas para pouco mais de 40 pessoas”, inviabilizando realizar ali um grande fórum com a comunidade científica. As áreas “muito limitadas” são também notórias na parte da restauração, constituída por “uma cozinha claustrofóbica e um restaurante com áreas muito pequenas, que teve de emagrecer um bocado devido às questões de mobilidade”.
Tendo em conta tudo isto, “percebemos que realmente o planeamento falhou logo na concepção”, quando “devia ter sido definido outro tipo de objectivos”. Mas também faltou à Câmara Municipal “um bocadinho de mais crítica quando o projecto foi apresentado pelo projectista, uma empresa de Lisboa, que com certeza não olhou para o nosso território” numa tentativa de adequar “o edifício à realidade física do nosso território”.
“Lamento profundamente” estas falhas, porque são “um problema que temos e não podemos apagar”. “Mas o mal está feito, por isso agora resta-nos trabalhar com o que temos em mãos”, adiantou.
Assim, Odete Alves propôs “trabalhar fortemente os conteúdos da parte museológica” tentando adequá-los ao “público alvo que queremos captar”, de forma a tornar aquele equipamento num “chamariz” que possa ser “altamente visitado e usufruído”.

Carina Gonçalves | Jornalista

*Notícia publicada na edição impressa de 04 de Agosto