CARTAS POMBALINAS | “Aqui sou feliz” – Eis o mote para um novo ano letivo!

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“Aqui sou feliz!” Este foi o mote com que me deparei, a semana passada, num estabelecimento de ensino na nossa terra, quando participava numa das várias iniciativas que assinalavam o início de um novo ano letivo.
Naturalmente que ao vermos esta frase inscrita numa parede colorida faz-nos refletir em tudo aquilo que está para além destas letras garrafais, que geram um impacto visual muito positivo e que nos despertam imediatamente a atenção.
Nesse sentido, o desafio passa por ir para além destas sensações visuais imediatas e tentar descodificar o que uma simples frase pode significar para um território educativo como o nosso.
A verdade é que basta reparar na alegria com que as nossas crianças voltam para a escola (ou começam numa escola nova); o carinho com que as assistentes operacionais (vulgo auxiliares) lidam com a nossas crianças; o esforço (cada vez mais hercúleo) dos técnicos e administrativos para que estejam concluídos todos os burocráticos processos administrativos relacionados com inscrições, introdução de dados na plataformas educativas, mudanças de escola, transportes escolares, ação social escolar, refeições e tantas outras preocupações; a motivação (pode ler-se resiliência) com que os nossos professores e educadores de infância preparam os primeiros dias de aulas, definindo estratégias inovadoras que captem a atenção dos nossos filhos; a dedicação dos dirigentes das escolas, dos autarcas e dos técnicos das autarquias para que estejam reunidas as condições logísticas para o normal funcionamento das nossas escolas ou, simplesmente, constatar o empenho que os encarregados de educação colocam no acompanhamento permanente ao arranque de um novo ano escolar, para facilmente chegarmos à conclusão da importância que as nossas escolas cada vez mais assumem como espaços de valorização do conhecimento e de promoção da felicidade.
Tudo isto nos leva a concluir que faz sentido este mote inicial, porque o nosso objetivo coletivo deve passar, precisamente, por contribuir para que as nossas crianças sejam felizes.
É isso que desejamos aos nossos filhos e a todas as crianças. Por isso, só temos de o assumir como um desígnio coletivo, onde valores como a partilha, a solidariedade, a amizade, o altruísmo, a entreajuda e o amor ao próximo devem ganhar cada vez mais sentido, tanto dentro como fora da escola.
Posto isto, não temos dúvidas que o melhor investimento que se pode fazer na salvaguardada do nosso futuro coletivo é por intermédio da educação, que deve ser encarada como uma área estratégica para o desenvolvimento da nossa comunidade e onde as autarquias locais têm vindo a assumir cada vez mais responsabilidades.
Contudo, para além do investimento na requalificação dos espaços e das respetivas componentes financeiras, também merece ser salientado o investimento nas pessoas, destacando de forma positiva a aposta na formação das assistentes operacionais (auxiliares de educação) que devem ser cada vez mais valorizadas em função do relevante papel que desempenham em contexto escolar, já que estas “técnicas”, não raras vezes, passam mais tempo com os nossos filhos do que nós próprios enquanto pais.
Outro aspeto relevante prende-se com o crescente envolvimento e participação dos encarregados de educação no processo educativo, como tive oportunidade de constatar pessoalmente, tanto nas reuniões em que participei enquanto pai, como nas reuniões promovidas enquanto autarca em todos os 13 estabelecimentos de ensino da nossa freguesia.
Aliás, creio que é um sintoma muito positivo verificar esta crescente abertura da escola à comunidade envolvente e à maior participação dos encarregados de educação.
A verdade é que vivemos tempos desafiantes, nomeadamente, ao nível do aprofundamento dos processos de descentralização de competências, que irão fazer com que, obrigatoriamente, a partir de 2021, as autarquias locais tenham mais competências em matérias de educação e as nossas escolas tenham mais autonomia no desenvolvimento dos projetos educativos.
A chave do sucesso tem que passar por aprofundar o trabalho em equipa e o espírito de coesão entre a comunidade educativa e os autarcas, que devem estar cada vez mais sintonizados neste desiderato coletivo de contribuirmos para que Pombal se assuma como um território educativo de excelência, onde sejam cada vez mais privilegiados os valores humanos e possamos promover, juntos, o bem-estar e a felicidade de todos os agentes educativos, ou seja, de toda a comunidade.

Um forte abraço amigo
Pedro Pimpão
pedropimpao@gmail.com

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Pedro Pimpão é natural de Pombal, tem 36 anos, é casado e tem dois filhos. É advogado de profissão e actualmente desempenha as funções de deputado à Assembleia da República, tendo sido eleito pelo círculo eleitoral de Leiria. É Presidente da Assembleia de Freguesia de Pombal, membro da Assembleia Municipal de Pombal e membro da Assembleia Intermunicipal da Região de Leiria. É licenciado em Direito pela Universidade Coimbra, contando com Pós-Graduações em Direito Administrativo, Gestão Autárquica, Direito dos Contratos Públicos e Direito Municipal Comparado Lusófono. É Mestrando em Ciência Política pelo ISCSP – Universidade de Lisboa.