O impacto do Vírus Covid 19 na Saúde dos Portugueses durante o período de confinamento

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De acordo com um estudo desenvolvido pela Direcção Geral de Saúde, em parceria com Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, que teve como objectivo compreender os hábitos alimentares e comportamentos de actividade física da população durante o período de confinamento social em Portugal, em resposta à Pandemia Covid-19. Foram entrevistadas 5874 pessoas com 16 ou mais anos, no período de confinamento, entre 04-04-2020 a 04-05-2020. As principais conclusões foram as seguintes:

Ao nível da Literacia da Saúde:
-As habilidades cognitivas e sociais determinam a motivação e a capacidade dos indivíduos de terem acesso, de entenderem e usarem a informação de maneira a promover e manter a boa saúde;
-Houve um aumento de 44.5% na procura de informação durante o período de confinamento;
-Pessoas com mais de 55 anos e com pessoas com menor nível educacional tiveram mais dificuldade no acesso à informação;
-A grande maioria das pessoas achou útil ou muito útil as informações fornecidas pela Direcção Geral de Saúde (DGS) ao nível da actividade física e dos hábitos alimentares.

Ao nível dos hábitos alimentares:
-Durante a pandemia verificou-se uma alteração dos hábitos alimentares dos portugueses (45.1% dos inquiridos) durante este período de confinamento, em que na maioria dos inquiridos (58.2%) foi para melhor;
-O número de vezes que se vai às compras, foi o principal factor apontado como razão para alterar os hábitos alimentares;
-A presença do coronavírus alterou as práticas de higiene dos alimentos durante este período;
-Houve um aumento do consumo de água (31.1%), de snacks doces (30.9%), de fruta (29.7) e de vegetais (21%;
-Houve uma redução do consumo de takeway (43.4%), refeições prontas (40.7%), refrigerantes (32.8%) e bebidas alcoólicas (28.2%);
-Os inquiridos começaram a cozinhar mais (56.9%), alteraram o número de vezes que fizeram as compras (71%) e começaram a comer mais ao longo do dia (31.4%);

No padrão de comportamento alimentar menos saudável, as idades entre os 16 e os 34 anos, foram as faixas etárias com piores hábitos alimentares.

Ao nível do peso corporal:
-A maioria dos portugueses consegui manter o peso (57.3%);
-26.4% dos inquiridos aumentou de peso;
-16.3% conseguiu reduzir o seu peso corporal.

Ao nível da insegurança alimentar:
-1 em cada três inquiridos está em risco de insegurança alimentar (falta de disponibilidade e o acesso das pessoas aos alimentos);
-8% da população reporta dificuldade no acesso a alimentos (Ilhas da Madeira, Açores e Alentejo).

Ao nível da Actividade física:
-A grande maioria teve baixa actividade física (60,9%), 22,6 % dos inquiridos moderada actividade física e 16.5% teve alta actividade física;
-A primeira razão para a prática desportiva foi ser saudável, a segunda razão foi gestão de stress e a terceira razão foi evitar ganho de peso;
-Houve aumento considerável de actividade física (quase o dobro) nas pessoas que eram inactivas;
-Observou-se uma redução da actividade física nas pessoas com pessoas com altos e moderados níveis actividade;

Principais actividades físicas estruturadas realizadas neste período:
-Andar (32.3%);
-Actividades de fitness (25.4%);
-Treino de força (18%);
-Corrida (14.1%).

Principais actividades físicas não estruturadas realizadas neste período:
-Actividades domésticas (70%);
-Escadas (50%);
-Jardinagem (22.6%);

Nos comportamentos sedentários:
-No estudo, 38.9% das pessoas adotaram comportamentos sedentários (7 ou mais horas);
-Os principais comportamentos sedentários foram ver televisão (70%), utilização do computador/tablet/telemóvel e trabalhar em casa ou ler.

Ao nível do padrão de saúde de risco:
-São pessoas que tiveram pouca atividade física, pioram os hábitos alimentares (menos fruta e vegetais, mais refrigerantes), sem acesso a informação da DGS ao nível dos hábitos alimentares e da actividade física durante este período com confinamento, com situação percepção da situação financeira difícil ou muito difícil e com nível educacional menor do que o 9ºano e tem mais de 55 anos.

Ao nível do padrão protector de saúde :
-São pessoas que tiveram actividade física moderada ou elevada, em que os hábitos alimentares não pioraram, com acesso a informação da DGS ao nível dos hábitos alimentares e da actividade física durante este período com confinamento, com percepção da situação financeira confortável ou muito confortável e tem o ensino secundário ou formação do ensino superior, apresentaram idades entre os 16 e os 54 anos.

Estas conclusões permitem retirar várias aprendizagens para o futuro enquanto sociedade, e a podermos a melhorar os nossos comportamentos de saúde das nossas famílias e a proteger mais e melhor as pessoas que estão em maior risco.


António Cordeiro
Nutricionista
CP 0728N
email: anto_cordeiro@sapo.pt