Crónica londrina

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Nuno Oliveira

O nascimento de um novo sobrinho trouxe-me por estes dias a Londres, de onde escrevo estas linhas. E é sobre algumas curiosidades portuguesas que se encontram por cá que vos queria falar.
Desde logo porque, caso não saibam, a rua Piccadilly, que liga a famosa praça ao St. James Park, nem sempre se chamou assim. Antes era a Portugal Street. Em tempos que já lá vão e não voltam. Agora, a “nossa” rua foi empurrada para uma zona mais calma, no centro judicial da capital inglesa. Na placa toponímica, ao lado do nome, surge a inscrição WC2, mas não se trata de uma provocação. É apenas o código postal.
Os milhares de turistas que todos os dias atravessam Trafalgar Square têm olhos para a National Gallery ou a coluna de Nelson e os seus leões, mas poucos são os que reparam que, num dos edifícios que adornam a praça, há uma estátua que lembra um dos “nossos”. Na fachada da South Africa House está exposto Bartolomeu Dias. Pena é que se contem pelos dedos os que o chegam a ver.
Quem já veio a Londres deve saber (ou deveria) que a cidade tem centenas de pequenas placas circulares azuis expostas em edifícios. Assinalam locais onde viveram, nasceram ou morreram, figuras históricas britânicas ou de relevo internacional. E Pombal, mais concretamente o Marquês (ou Marquess como dizem por aqui) também tem direito a uma. Fica na Golden Square, bem próximo de Piccadilly, e está localizada numa das casas que serviu de Embaixada de Portugal. O Marquês viveu por lá cerca de cinco anos.
No Outono o tempo é incerto e os meus dias têm sido vividos ao sabor da meteorologia. Ora passeio quando o sol aparece ou visito museus e exposições quando a chuva cai. Uma das vantagens é que a maioria dos museus é gratuita e há sempre alguma novidade. Outra é que Londres fervilha de arte de rua e em cada passeio vamos descobrindo novos artistas. Até há, imagine-se, quem utilize pastilha elástica como material para as suas obras. E porque por estes dias realiza-se o Festival de Cinema, os fins de tarde são passados em Leicester Square a ver algumas estrelas internacionais.
Todos os dias encontro portugueses e o dia em que escrevo esta crónica não é excepção. Achei engraçado porque viajámos num autocarro quase vazio e ele é que meteu conversa. Quando lhe disse que era de Pombal disse-me que conhecia bem…de há algum tempo atrás. Ia muito ao 13. A conversa terminou logo depois porque cheguei à minha paragem.