“Amigos do Arunca” quer medidas para proteger o rio Arunca

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Objectivo do movimento é despoluir o rio, contribuir para a qualidade ambiental da água, fauna e flora, organizar actividades e envolver os cidadãos e as entidades públicas e privadas nesta missão

O movimento de cidadãos preocupados com o rio reuniu, pela primeira vez, no dia 29 de Agosto

As duas lontras encontradas mortas, este Verão, no rio Arunca, a montante da cidade de Pombal, provocaram “uma onda de consternação e reflexão” que levou à criação de um movimento formado por pessoas que pretendem “exercer uma cidadania responsável e participativa e que têm em comum uma preocupação: olhar o rio Arunca para não o deixar morrer”.
Numa carta aberta, enviada no Dia Mundial dos Rios (27 de Setembro) a várias entidades, entre elas, os presidentes das Câmaras de Pombal e Soure, a Agência Portuguesa do Ambiente, o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e o ministro do Ambiente, os “Amigos do Arunca”, como se apresentam, chamam a atenção para a inexistência de “boa qualidade ambiental” no rio.
Com o intuito de conhecer “o estado ambiental actual do rio Arunca e dos seus afluentes”, o movimento, acolhido pelo GPS – Grupo Protecção Sicó, quer saber “quais as medidas tomadas e quais estão em resolução” para preservar o rio. Por outro lado, pretendem obter esclarecimentos sobre a “forma como se faz a monitorização do impacto dos efluentes que estão autorizados a drenar para o rio Arunca e dos seus afluentes”, bem como as “valas que para aí drenem e qual a articulação de informação com as outras entidades competentes pelos recursos hídricos e ambientais”. O movimento gostaria ainda de ver clarificado se existe “um plano de monitorização da água do rio Arunca e dos seus efluentes” e, caso a resposta seja positiva, como é que os resultados são divulgados e qual a “evolução do estado químico e o estado ecológico das águas do rio Arunca e dos seus afluentes que passam pelo concelho de Pombal e pelo concelho de Soure em direcção ao mar”.
“Sentimos a responsabilidade de ajudar a monitorizar, junto com as várias entidades competentes”, mas defendem que “as acções de fiscalização terão de ser rotineiras” e que é preciso “comunicar e ter acções conjuntas”, referem na carta aberta. “Questões como usos de químicos, junto e dentro do rio, e o seu impacto na fauna e flora, lixo de grandes e pequenas dimensões e outras agressões devem permanecer na ordem do dia, no que diz respeito à fiscalização”, sublinham os “Amigos do Arunca”. “Tememos danos significativos e irreparáveis nos ecossistemas terrestres e aquáticos”, mas receiam, de igual modo, “problemas de saúde pública, pela agricultura para consumo humano que depende destas águas”.
O grupo lembra que, “nos últimos anos, fruto das intervenções efectuadas nas margens do rio, a população voltou a redescobrir o rio, aproveitando a oferta de novas infraestruturas como espaço de lazer ao ar livre, para desportos, passeios em família, piqueniques, num local aprazível” e, nesse sentido, “é desejo de muitos que regressem os banhos de rio, alguns desportos náuticos, inclusive a pesca, de forma segura, para o concelho de Pombal e Soure que recebe o nosso rio”.
“Esperamos e apelamos que a comunidade científica, artística, escolar, trabalhadores das áreas agrícolas, se juntem para desencadear actos de sensibilização, actos de carinho e de cuidado aos rios, e possamos um dia voltar a ter o rio de volta”, lê-se na mesma carta.

*Notícia publicada na edição impressa de 1 de Outubro