N(A) ESCOLA DA VIDA | A-gosto

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Passaram os dias a-gosto. Entre grânulos de areia que se desfiam por entre os dedos, qual ampulheta em contagem que relembra que os melhores momentos são aqui e agora, antes que esses grânulos se escoem sem nos apercebermos. Entre noites tropicais, como as bebidas e as frutas de um verão que, de ano para ano, tem ensinado que gosta de ir por setembro dentro, como quem altera as regras de um jogo em que as quatro estações avançam e recuam nas 365 casas do tabuleiro. Entre céus fumegantes e sóis com luz ofuscada (da tonalidade da necrose foliar) que recordam o quão importante seria preservar mais e melhor o que é de todos. Entre pulsos sem tempo cronometrado, telemóveis sem despertadores milimetricamente programados e agendas descomprometidas.
Nas prateleiras nos hipermercados e demais estabelecimentos comerciais gritam cadernos, canetas e capas numa ânsia desmedida. Há um mês que, apesar das temperaturas também desmedidas, nos aproxima cada vez mais do solstício de inverno, deixando para trás aqueles dias a-gosto mas abrindo a possibilidade a outros igualmente bem temperados (bastando, para tal, saber saboreá-los e desfrutá-los).
Entretanto, há uma pseudo-metamorfose nos tempos de quem trabalha na Educação porque a Escola não se fecha, mas há um odor a renovação a cada ano letivo que se inicia, fresco. Escuta-se “Bom Ano” nos corredores, quando para o Ano Novo ainda falta um pouco mais. Há horários (a)fixados e aglomerados de reuniões. Há rostos novos e outros renovados. Cheira a mudança e a novos voos. Há livros que já ensinaram outros jovens estudantes e agendas com cheiro a papel virgem, mas objetivos que permanecem: procurar fazer com que todos os agentes educativos encontrem na Escola um lugar com significado. E a Educação de Adultos não é exceção, mesmo que a nossa Escola não seja apenas essa entre quatro paredes, mas toda a outra, lá fora, que faz da nossa Cidade uma verdadeira Cidade Educadora.

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Embora os documentos legais a identifiquem como natural de Pombal, foi em Coimbra que respirou autonomamente pela primeira vez. Assim, desde o penúltimo dia de dezembro de 1982 assumiu um compromisso com a vida: aprender a ser. Quase duas décadas depois regressou à cidade do Fado e do Mondego para dar continuidade à sua formação académica na área de Ciências da Educação. Aprofundaria aqui o significado de outro pilar: aprender a conhecer. Começou a aprender a fazer em 2007, quando a socialização profissional lhe abriu as portas no ramo da Educação e Formação de Adultos, no qual tem trabalhado e realizado investigação. Gosta de “sair por aí” e observar e fotografar todas as esquinas. Reserva ainda tempo para a escrita, sentindo-a como um elixir lhe permite (re)descobrir uma energia anímica e uma força motriz nos cantos mais inóspitos aos quais muitos olhares não associariam qualquer pulsar. É, neste campo, autora de obras literárias individuais e de vários textos e poemas publicados em coletâneas. E é assim que lê, sente e inala o mundo, num permanente aprender a viver com os outros.