Gaufres d’Ulisses adoçam o Bodo de Pombal há 28 anos

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A partir desta quinta-feira, dia 15, os fãs das Gaufres d’Ulissses já se podem deliciar com a iguaria que, desde 1993, adoça as noites das Festas do Bodo.
Na roulotte instalada no largo da Biblioteca Municipal de Pombal, Ulisses Vaz e a mulher, Agnes, prometem fazer as delícias dos apreciadores, a quem recebem com a simpatia habitual enquanto entregam uma gaufre quentinha, recheada com chocolate, doce de morango ou alperce, gelado, chantilly ou polvilhada, simplesmente, com açúcar em pó. Há opções para todos os gostos.
Ulisses Vaz, um “guloso” assumido, é o protagonista de uma história de vida que nem sempre foi ao balcão de uma roulotte, ainda que tenha sido aí que esta ‘aventura’ sobre quatro rodas tenha começado.
Corria o ano de 1966 quando Ulisses Vaz emigrou para Bruxelas. Na capital da Bélgica, o jovem de Almagreira, então com 18 anos, arranjou o primeiro trabalho numa empresa de venda ambulante de gaufres, batatas fritas, gelados, farturas e outras iguarias. Ao longo de todo o ano, as quatro roulottes da empresa juntavam-se e percorriam o país em busca de grandes festejos, aí permanecendo enquanto durassem. Entre os muitos afazeres daqueles dias, a Ulisses Vaz competia colocar a massa das gaufres a cozer. O passo anterior, o da confecção, era responsabilidade do chefe, o que nunca lhe permitiu aprender a receita. Ali permaneceu até que o amor lhe batesse à porta e o desafiasse a mudar de vida. A namorada, a jovem belga com quem haveria de casar (no dia 12 de Julho celebraram 52 anos de vida em comum), não gostava que trabalhasse ao domingo, por coincidir com a única folga que tinha, e é então que, em 1970, decide deixar para trás a vida errante que levava e dedicar-se a outras actividades. Fez de tudo um pouco, desde distribuição de móveis, a trabalho na restauração (snack-bar), até que, em 1982, regressa às origens, em Almagreira, onde se dedicou também “a várias coisas”. Só regressaria a Bruxelas em 1990, para aí trabalhar apenas um ano.

Foi numa carrinha com um toldo que Ulisses serviu os primeiros clientes

Já em Portugal novamente, toma uma decisão da qual não se arrepende até hoje: ser vendedor de gaufres, mas para isso era preciso muito mais do que cozer apenas a massa, como fazia nos primeiros anos de emigrante. Era preciso, acima de tudo, encontrar a receita certa. Num livro de culinária encontrou as dicas para avançar, suficientes para, a partir dessa base, fazer as adaptações para encontrar aquela que viria a ser a sua receita. Da Bélgica, à boleia de um amigo, com quem tinha trabalhado, veio o forno com que cozeu as primeiras gaufres.
Nesta nova ‘aventura’, Ulisses Vaz contou sempre com o apoio da mulher que, apesar de inicialmente renitente, o acompanhou desde a primeira hora, ajudando-se mutuamente nas tarefas. Ao casal junta-se também, sempre que necessário, a filha, Nathalie, mãe dos dois netos de Ulisses e Agnes.
Da receita à festa onde fez a sua estreia, uma matiné na aldeia de Sobral (Soure), foi um curto passo. Ainda sem roulotte apropriada, foi numa “camioneta com um toldo” que serviu as gaufres dos primeiros festejos. O sucesso foi de tal ordem que o nome das Gaufres d’Ulisses se espalhou rapidamente pela região, passando a ser presença assídua nos arraiais.

Agnes e Ulisses numa das muitas festas à boleia da roulotte onde servem os clientes

Para além do gosto de comunicar com o público, Ulisses acredita que o êxito do que faz se deve à qualidade dos ingredientes, onde não há lugar a quaisquer aditivos artificiais.
Com estes dois anos sem as tradicionais festas, Ulisses Vaz reconhece a falta deste contacto com o público. “Tenho muito prazer em fazer isto, porque os clientes são fantásticos. Além de gostarem, estão sempre a incentivar-me”, conta, ao mesmo tempo que se mostra ansioso por regressar ao Bodo, o primeiro evento onde participa este ano.

*Notícia publicada na edição impressa de 15 de Julho