Kari G., a marca que transforma fibra de bambú em peças amigas do ambiente

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A marca Kari G. esteve pela primeira vez na feira de artesanato

No expositor de Karima Guergous ultimavam-se os preparativos para receber as entidades que participaram na abertura oficial da XXVII edição da Feira Nacional de Artesanato e Tasquinhas de Pombal, dia 23 de Setembro. Foi ali, no Expocentro, que marcámos encontro para uma conversa com ponto de partida em 2019, altura em que a [agora] artesã, de ascendência argelina, pelo pai, e francesa, pela mãe, tomou em mãos a vontade de dar um novo rumo a um caminho que, naquele ano, se vislumbrava sinuoso. Com a mãe a sofrer de Alzheimer e o desemprego a bater-lhe à porta, estavam criadas as ‘condições’ perfeitas para ir à luta. Como, aliás, estava habituada.
“Senti que precisava de fazer alguma coisa”, conta, com o à-vontade que a caracteriza, numa conversa que deambula ao sabor dos cumprimentos de amigos e conhecidos que ali param para deixar uma palavra de ânimo para os três dias de feira, onde se estreou, nesta edição.
Daí à criação da marca Kari G. foi um curto passo. “Gosto de fazer coisas e tenho criatividade”, determinantes para dar sustentabilidade a um projecto que junta utilidade com preocupações ambientais. Começou com a criação de chapéus, mas Karima rapidamente descobriu que “queria mais”. A estes vieram juntar-se as toalhitas desmaquilhantes (e respectivas bolsas), em fibra de bambú, uma matéria-prima com atributos que se enquadram na filosofia que a artesã quer associar às suas criações: feitas à mão e amigas do ambiente. “Mesmo depois de muitas lavagens, não perdem as características”, realça.
A criatividade foi sendo colocada à prova e à marca Kari G. somam-se, agora, muitos outros artigos, não só de higiene, mas também utilitários diversos, sobretudo para a casa, sempre com a fibra de bambú como denominador comum. Os babetes são um exemplo de sucesso, graças ao material hipoalergénico e antibacteriano, ideais para peles sensíveis, mas também à grande capacidade de absorção de sujidade. Há também panos e rolos de cozinha, onde a funcionalidade é palavra de ordem e o desperdício de papel deixa de fazer sentido; os discos de amamentação, que após este período se transformam em discos desmaquilhantes; os ninhos para bebés, de dupla face; as almofadas decorativas; cestos para fraldas ou as bolsas impermeáveis. Uma das mais recentes novidades são os sacos de desporto, impermeáveis de um dos lados, ideais para quem pratica natação, mas também com grande utilidade para quem usufrui de balneários públicos. Depois de abertos, servem de base para colocar os pés molhados e ali deixar também o equipamento desportivo. Voltam a ser fechados e, já em casa, podem ir à máquina juntamente com as restantes peças que transportam.
“Gosto de fazer coisas práticas”, nota a artesã que deixou Paris há 24 anos para se instalar em Pombal. Foi ainda em terras francesas que deu os primeiros passos na costura, quando precisou de forrar os móveis antigos da casa para onde foi morar sozinha, pela primeira vez. “Vou sempre pensando na funcionalidade das peças e na óptica da sua reutilização”.
Para além da aposta na qualidade de todos os materiais usados, quem compra tem possibilidade de optar pelo padrão da sua preferência.
Para já, Karima vende a marca apenas online, através das redes sociais, mas não descarta a possibilidade de vir a ter um espaço físico para expor os artigos que faz “à mão, com amor”.

De Paris para a Pelariga
Corria o ano de 1998 quando Karima Guergous deixou Paris para se instalar na Pelariga, motivada pelo ex-companheiro, que desejava regressar às origens. Não sabia falar português e reconhece que a adaptação, no primeiro ano, foi “difícil”, sobretudo até começar a trabalhar, o que a ajudou a aperfeiçoar gradualmente a língua.
Com 47 anos, Karima não esconde a paixão por Paris, onde regressa para matar saudades, sobretudo da família, mas é em Pombal, terra que lhe oferece paz e tranquilidade, que quer continuar a viver com os quatro filhos (todos nascidos em Portugal) e o companheiro.