Atribuição de apoios a juntas origina troca de acusações em reunião de Câmara

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Atribuição de apoios
Diogo Mateus acusou os vereadores do PS de terem uma postura de “desconfiança”

Uma troca de acusações entre o presidente da Câmara de Pombal, Diogo Mateus, e os vereadores eleitos pelo Partido Socialista, marcou ontem à tarde a penúltima reunião do executivo municipal no actual mandato. Tudo aconteceu no momento em que Jorge Claro informou que iria, conjuntamente com os restantes vereadores da oposição, votar contra a atribuição de apoios financeiros a três juntas de freguesia, num total superior a 55 mil euros, para fazer face ao pagamento de obras executadas nos respectivos territórios.
Jorge Claro, que é candidato à autarquia pelo PS, considerou que as atribuições daqueles apoios “não são adequadas nesta altura”. Mais, o vereador referiu, ainda, que as facturas anexadas para suportar aquelas despesas têm vários meses, sendo uma delas de Dezembro de 2016, pelo que disse não perceber “porque é que estão tanto tempo para resolver” aquela situação. Mais tarde, Jorge Claro disse, igualmente, que em duas propostas distintas, relativas à Junta de Freguesia de Carnide, encontram-se anexadas “as mesmas facturas”. “São duas propostas com os mesmos documentos, vamos pagar a mesma despesa duas vezes?”, questionou.
A decisão dos vereadores da oposição não agradou ao presidente da Câmara que começou por afirmar que Jorge Claro “tem de se libertar desse espírito da ASAE” – numa referência à actividade de inspector daquele organismo que o mesmo exerceu antes de se aposentar. “Não consegue ser presidente da Câmara a desconfiar assim dos senhores presidentes de junta”, frisou o edil social-democrata.
Estava dado o mote para a discussão, apesar de Renato Guardado (PSD) ter tentado pôr água na fervura ao afirmar que aquelas propostas visam, somente, encerrar um processo antes do final do mandato, alegando que foram obras projectadas, orçamentadas e executadas. “Não têm uma mais valia eleitoral”, disse.
Contudo, Diogo Mateus prosseguiu acusando os socialistas, nomeadamente Jorge Claro, de ter uma postura de “desconfiança”, chegando a sugerir-lhe que deveria “tratar-se”. “Esse critério de desconfiança reiterada só lhe faz mal”, realçou, tendo pouco tempo depois adiantado: “os senhores têm uma deformação na apreciação que fazem à honestidade dos outros”.
Afirmações que Marlene Matias (PS) pediu que ficassem registadas em acta, considerando que Diogo Mateus revela uma postura “pouco democrática” sempre que os vereadores do PS votam conta. A autarca repudiou, também, a forma como o presidente da Câmara se dirigiu a Jorge Claro, dizendo para que se tratasse.
A troca de palavras ainda prosseguiu, com o presidente da Câmara a considerar que usou uma “figura retórica” , frisando que não admite que “nenhum membro da Câmara seja desconfiado da população que serve”.
Os apoios financeiros à Junta de Freguesia de Carnide, União de Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca, e União de Freguesias de Santiago, São Simão de Litém e Albergaria dos Doze, acabaram por ser aprovados por maioria com o voto contra da oposição socialista.

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Ingressou no jornalismo, em 1989, como colaborador no extinto “Pombal Oeste” que foi pioneiro na modernização tecnológica. Em 1992 foi convidado a integrar a redacção de “O Correio de Pombal”, onde permaneceu até 2001, quando suspendeu a profissão para ser Director de Comunicação e Marketing de um grupo empresarial de dimensão ibérica. Em 2005 regressou ao jornalismo, onde continua, até aos dias de hoje, a aprender. Ao longo destes (largos) anos de actividade, atestados pelo Carteira Profissional obtida em 1996, passou por vários jornais, uns de âmbito regional e outros nacional, onde se inclui o “Jornal de Notícias” e “Público”. Foi convidado a colaborar, de forma regular, com o “Pombal Jornal” onde se produz conteúdos das pessoas para as pessoas.