“Pombal e os pombalenses merecem e precisam de mais e melhor”

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Aos 62 anos, Jorge Santos Claro, independente, está empenhado em conquistar a Câmara de Pombal para o Partido Socialista. Tal como aconteceu na década de 80 do século passado com Guilherme Santos, de quem foi seu vereador. Numa entrevista concedida por escrito, a seu pedido, fala, essencialmente, do seu projecto autárquico. Aquele que pretende “despertar novas emoções nas pessoas, envolvê-las nas discussões, e criar-lhes a esperança de que Pombal pode ter um futuro diferente”.

Jorge Claro

Pombal Jornal (PJ) – Como surge a sua candidatura à Câmara de Pombal?
Jorge Claro (JC) – Não tinha perspectivado, no imediato, vir a candidatar-me a presidente de Câmara, mas com a experiência que tenho de vida autárquica e empresarial, profundamente conhecedor do meu concelho, das suas gentes e suas necessidades, essa vontade foi despertando. Fui incentivado pelo PS, por pessoas independentes e até por outros partidos políticos. Mas, o apoio inequívoco da minha família foi determinante. Não podia ficar indiferente a esse chamamento, e à necessidade evidente e até urgente, de fazer mais e melhor pelo meu concelho.

PJ – Há quatro anos chegou a ser apontado como candidato à presidência da Câmara. O que o levou a adiar por quatro anos essa candidatura?
JC – Tudo tem o seu tempo. Há quatro anos não senti a motivação necessária. Durante o actual mandato, como vereador, observei atentamente as opções tomadas pelo presidente da Câmara e seu executivo nas mais variadas matérias, as suas atitudes e comportamentos em situações de maior tensão, o seu relacionamento com o cidadão, a sua reacção às diferenças de opinião e propostas dos vereadores do PS e à gestão em geral. Reflecti, analisei e concluí que Pombal e os pombalenses merecem e precisam de mais e melhor e considero ter capacidades para um desempenho mais eficiente e moderno.

PJ – Ao exercer um mandato como vereador, na oposição, serviu para enriquecer a experiência?
JC – É uma experiência enriquecedora, inteiramo-nos acerca do funcionamento dos serviços da Câmara, das juntas de freguesia, das instituições, mas principalmente conhecemos mais de perto as pessoas, os seus problemas e as suas necessidades. Percebi, também, que a realidade de uma Câmara hoje em dia, é bem diferente daquela que existia há mais de 20 anos quando era vereador. Os desafios que se colocam às câmaras são enormes, mas permitem, numa lógica de proximidade, uma maior eficiência na resolução dos problemas das pessoas.

PJ – Integrou o executivo há cerca de 30 anos, numa altura em que a gestão camarária tinha outras exigências….
JC – Fui vereador no mandato presidido pelo saudoso Guilherme Santos, de quem tive o privilégio de ser amigo, consultor e confidente. Nessa altura os recursos financeiros dos municípios eram escassos, o que obrigava a uma gestão muito rigorosa de todos os meios disponíveis. Felizmente, hoje em dia, os municípios têm vastos recursos financeiros, resultantes das muitas competências que lhes foram sendo delegadas pela administração central, muitas vezes subaproveitados, pelas más opções políticas e pelo desperdício. Quero sobretudo salientar que, o Município de Pombal, está dotado de um quadro de pessoal, de um profissionalismo e dedicação dignos de registo. Atrevo-me mesmo a dizer que os prémios e distinções atribuídos à Câmara, se devem em grande medida a esta estrutura de pessoal.

“considero ter capacidades para um desempenho mais eficiente e moderno”

PJ – O facto de o eleitorado PSD se poder dividir entre duas candidaturas (Diogo Mateus e Narciso Mota) poderá vir a beneficiar o PS?
JC – A nossa candidatura tem um rumo traçado para Pombal, devidamente sustentado num programa eleitoral que consideramos inovador, mas ainda assim realista, muito virado para o desenvolvimento do concelho, a vários níveis. A existência de vários projectos políticos a eleição, não altera em nada esse caminho, nem influência as nossas opções políticas. Estamos mais preocupados em ouvir as pessoas, porque é para elas e por elas, cidadãos como nós, que abraçamos este desafio. A nossa equipa tem pessoas com muita qualidade e verdadeiramente empenhadas em melhorar a vida dos pombalenses.

PJ – Numa altura em que se fala muito de política de afectos, como pretende desenvolver a sua campanha?
JC – Os afectos são importantes, mas, creio que o cidadão espera muito mais de um político do que isso. Só faz sentido falar em afectos se apresentarmos ideias e nos comprometermos com essas ideias. No nosso projecto, como já disse, a nossa aposta é nas pessoas. Procuramos despertar novas emoções nas pessoas, envolvê-las nas discussões e criar-lhes a esperança de que Pombal pode ter um futuro diferente. É com paixões, afectos e emoções que se constroem identidades políticas, e é a partir destas e do seu debate de ideias que enriquecemos a democracia e construímos um mundo melhor.

PJ – As candidaturas às juntas de freguesia são fundamentais numa política de proximidade. O PS parte em desvantagem pelo facto de não possuir qualquer presidência de freguesia….
JC – Os tempos mudaram, as pessoas percebem que o seu bem-estar não assenta apenas na política do betão e do alcatrão e na limpeza de valetas. Existem agora outras áreas da actuação, que são entendidas pelas pessoas como prioritárias para o seu bem-estar e para a sua qualidade de vida. Os nossos candidatos às freguesias estão despertos para estas novas exigências e preparados para responder às exigências que têm pela frente. E por isso, nada é impossível, mesmo no actual cenário concelhio.

PJ- Como pretende captar a “atenção” do eleitorado mais jovem?
JC – É difícil captar a atenção deste eleitorado. Muitos por descrença na classe política, outros simplesmente por desinteresse. Os jovens conhecem hoje muitas incertezas e insegurança decorrentes do actual panorama mundial. O maior desafio da nossa candidatura está em apresentar-lhes soluções e apoios a nível local para que esses jovens não tenham que abandonar a sua terra e recuperar aqueles que tiveram que a abandonar em busca de uma vida mais estável. A internet e as redes sociais assumirão enorme centralidade na captação do eleitorado jovem, procurando envolvê-los e estimulando a sua participação no encontro das soluções para os problemas com que se debatem.

PJ – O que lhe preocupa como candidato à presidência da Câmara e, sobretudo, como pombalense?
JC – Existem muitas coisas que me preocupam e preocupam a maioria dos pombalenses que vivem e gostam de Pombal. Essas preocupações não podem ser descritas na sua totalidade numa entrevista destas, dada a sua extensão, mas a primeira preocupação é com as pessoas e, muito em especial, com os desempregados e as dificuldades dos nossos jovens na obtenção do tão desejado primeiro trabalho e a ambição daqueles que sonham ser empreendedores e não conseguem. A falta de políticas que atraiam investimentos capazes de gerar empregos qualificados de alto valor acrescentado, a falta de medidas capazes de rentabilizar os recursos naturais e investimentos feitos pela câmara. Preocupa-me os idosos e doentes que vivem na pobreza e abandono, a dificuldade de alguns no acesso aos cuidados de saúde. É preciso desenvolver e potenciar o turismo, criando condições para que os visitantes encontrem múltiplos pontos de interesse e incentivos para permanecerem por mais tempo e a regressarem. É urgente atrair investimento capaz de catapultar Pombal para os lugares cimeiros do desenvolvimento. Devemos procurar criar condições para a fixação de mais empresas inovadoras e geradoras de postos de trabalho qualificado. É necessário hoje mais que nunca, pensar menos no alcatrão e na valeta e ter políticas consistentes para a resolução imediata de situações e ter uma visão de futuro, assente nas raízes do passado e presente. É essencial e prioritário saber ouvir a opinião do cidadão comum, dos empresários, académicos, das diversas forças políticas e de todos os que se interessam por este concelho.

PJ – De certeza que já tem a sua equipa definida. Qual o perfil que traçou para a constituição da sua lista?
JC – Procurei pessoas sérias, motivadas, empreendedoras, conscientes das necessidades do concelho e empenhadas em procurar as melhores soluções, ainda que arrojadas, para os problemas. A minha equipa é constituída pelas pessoas que considerei serem as que melhor reuniam essas características, com todas as suas diferenças e, sobretudo, sem medo de abraçar os novos desafios. E por isso escolhi pessoas representativas de diversas profissões e de todo o concelho, jovens, credíveis, trabalhadores e com provas dadas não só nas suas actividades profissionais, mas também na sua intervenção cívica.

PJ – Caso seja vencedor sem maioria, está disponível para atribuir pelouros aos vereadores da “oposição”?
JC – Pelos contactos que vou tendo por todo o concelho e os apoios que aberta e veladamente me foram dando, sinto nas pessoas uma forte vontade de pôr termo a cerca de um quarto de século de governação do PSD. Creio que existe uma probabilidade séria de vir a ser o próximo presidente de Câmara, com ou sem maioria, isso para mim não é uma preocupação. A responsabilidade pelo destino de Pombal é enorme e deve ser partilhada por todos os eleitos e não apenas por quem sai vencedor. Ao contrário da forma como o actual executivo lidou com os vereadores do PS, terei, com certeza, uma atitude dialogante com todos os intervenientes. A nossa realidade política actual convence-me daquilo que sempre defendi, isto é, em política, a capacidade de gerar consensos, traz enormes vantagens ao cidadão.

 

‘OS CIDADÃOS SERÃO TRATADOS COM IGUALDADE E RESPEITO’

PJ- Como avalia o desempenho da actual gestão autárquica?
JC – Entendo que podia ter feito mais e melhor com os recursos que tinha à sua disposição. Não é difícil governar com muito dinheiro, o difícil, é governar com pouco. A falta de uma estratégia a longo prazo para o concelho é um dos seus pontos fracos, que os conduzem à tomada de decisões avulsas que muitas vezes se traduzem em enormes erros políticos, o que, a manter-se, poderá comprometer o desenvolvimento económico do concelho e a coesão social. Não partilho de visões políticas direccionadas para a satisfação de caprichos e vaidades pessoais, para investimentos megalómanos que serão autênticos sumidouros dos dinheiros públicos. Estarei aberto ao diálogo, próximo das pessoas e dos trabalhadores. Os cidadãos serão tratados com igualdade e respeito. A liberdade de opinião e participação das pessoas nas opções políticas serão privilegiadas.

PJ -No global, e numa escala de zero a 20, que nota atribuiria à acção do actual executivo?
JC – Foram feitas várias opções que não merecem a minha concordância. Infelizmente não se verificaram mudanças. As nossas opiniões muito raramente foram ouvidas e nem sempre solicitadas para decisões importantes e com impacto a médio e longo prazo. Creio que os pombalenses já começam a perceber essas más opções. Pombal poderia ser hoje outra realidade se outro rumo tivesse sido tomado. Os eleitores certamente saberão classificar a actuação do actual executivo nas eleições que se avizinham.

PJ- O seu coração bate por Pombal?
JC – Pombal é a minha cidade, Pombal é o meu concelho, candidato-me por Pombal.

PJ – Quando recebe a visita de alguém “de fora”, tem orgulho em lhe mostrar Pombal?
JC – Quando alguém nos visita procuramos sempre mostrar aquilo que achamos mais interessante e bonito na nossa região. Na cidade existem alguns locais referenciados como locais a visitar, mas ao mostrar esses locais tenho que procurar fazê-lo lentamente, senão ao fim de uma manhã temos a visita feita. Pombal preciso de ter algo mais, tenho alertado em reuniões de Câmara que o que temos é bom, mas muito pouco para atrair visitantes e que permaneçam mais tempo, gerando movimento no comércio local, nomeadamente a nível da hotelaria e restauração e bebidas. E temos tanto ainda para fazer. O nosso concelho tem mar e tem serra, as potencialidades são infinitas. Deverão ser realizados projectos capazes de dar a esta terra mais visibilidade e interesse turístico, a nível recreativo, cultural e social. Temos riqueza patrimonial que merece ser preservada e divulgada. As nossas memórias necessitam de ser salvaguardadas e, se nada fizermos corremos o risco de estas serem esquecidas. Não é isso que queremos.

PJ – Como gostaria de ver Pombal em 2030?
JC – Sobretudo um concelho capaz de proporcionar bem-estar e qualidade de vida às populações. Com uma forte dinâmica empresarial capaz de promover Pombal no país e no mundo.

PJ – Desde que está aposentado, como tem sido os dias de Jorge Claro?
JC – Continuo a subir a montanha. Sobretudo tenho tempo para fazer pequenas e grandes coisas. Tempo para a família, amigos, reforma agrária e vida autárquica.

 

 

“CANDIDATO-ME COMO INDEPENDENTE MAS O PS É O MEU PARTIDO”

PJ – Como tem sido preparado o trabalho de oposição à actual gestão social-democrata?
JC – Agimos de acordo com aquilo que entendemos ser melhor para os pombalenses. Optámos por fazer uma oposição construtiva, crítica e vigilante, apresentando propostas e soluções, e pressionando o executivo para a resolução dos problemas das pessoas. Creio que só assim é possível discutir de forma séria e responsável os verdadeiros problemas das pessoas. Os consensos são importantes, mas não é menos importante manifestar desagrado de forma fundamentada, votando contra aquilo que consideremos prejudicial para o concelho e para as suas gentes. A articulação dos vereadores com o PS e com os membros da Assembleia Municipal tem sido saudável e perfeita, permitindo assim a coerência das posições adoptadas.

PJ – Há quem afirme que o PS está “debilitado” em Pombal. Obviamente tem uma opinião diferente…
JC – Não considero que o PS se encontre debilitado. A verdade é que, o exercício do poder, confere habitualmente aos partidos políticos, maior dinâmica, potenciada pelo facto de ter quadros políticos em exercício de funções, disponíveis para o trabalho político e com uma visibilidade quase diária. E por isso, penso que, décadas de ausência no poder e a perda de alguma representatividade nos órgãos autárquicos, possam retirar algum fôlego aos partidos políticos, sobretudo, quando falamos numa dimensão local. Porém, devo dizer que, neste contacto mais próximo que tenho tido com a actual estrutura dirigente do PS em Pombal, me vejo reunido de gente motivada, competente, dedicada, e com uma vontade séria e capaz de mudar o rumo de Pombal. E por isso, reafirmo, que estou seguro nesta missão. Não sou militante do Partido Socialista, candidato-me como independente, mas o PS é o meu partido.

PJ- Mas reconhece que o partido não se soube rejuvenescer?
JC- O que posso afirmar é que o Partido Socialista em Pombal, dispõe de pessoas suficientes e capazes de mudar Pombal. Reconheço-lhes motivação, competência e uma estratégia sustentada para Pombal.

PJ – Poder-se-á dizer que o PS não tem uma estrutura jovem na “máquina eleitoral”?
JC – Pelo contrário, pelas razões já expostas, considero que a actual estrutura da máquina eleitoral do Partido Socialista em Pombal é jovem, dinâmica e capaz.

Entrevista Jorge Claro

Vereador, 30 anos depois

Jorge Santos Claro regressou à vereação da Câmara de Pombal em 2013, cerca de 30 anos depois de ter ocupado o mesmo cargo. Contudo, se agora ocupa o lugar na bancada da oposição, na década de 80 do século passado, esteve no executivo, então presidido por Guilherme Gomes dos Santos.
Filho e neto de agricultores, Jorge Claro nasceu na pequena aldeia dos Mendes, freguesia e concelho de Pombal, no dia 24 de Agosto de 1954, apesar de o registo oficial mencionar o dia 4 de Setembro.
Fez a quarta classe na escola primária dos Mendes e estudos secundários na Escola Comercial e Industrial de Pombal. Em Coimbra, na Escola Superior Agrária, completa o curso de Engenheiro Técnico Agrário, onde mais tarde vem a tirar a licenciatura em Engenharia Alimentar.
Durante dois anos foi professor no antigo Liceu de Leiria e Escola Secundária de Porto de Mós, continuando os seus estudos no curso de Biologia na Universidade de Coimbra. É admitido para os quadros do Ministério da Agricultura, dando apoio ao sector agrícola no concelho de Pombal, sendo também director da Cooperativa Agrícola.
Foi fundador e director da Rádio Cardal, presidente da Cercipom, secretário-geral das festas do bodo, director da União das Cooperativas, consultor da Lacticoop e administrador do Mercado Abastecedor de Coimbra. Com a criação da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) é transferido para o Ministério da Economia exercendo o cargo de inspector, integrando a brigada especializada em indústrias alimentares. Aposenta-se em inícios de 2013 e nesse mesmo ano integra a lista do Partido Socialista à Câmara Municipal de Pombal, encabeçada por Adelino Mendes, que pela segunda vez perdeu o acto eleitoral para o PSD. Jorge Claro foi eleito vereador, cargo que desempenha desde o início do actual mandato autárquico.

 

Entrevista publicada na edição de 23 de Março

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Ingressou no jornalismo, em 1989, como colaborador no extinto “Pombal Oeste” que foi pioneiro na modernização tecnológica. Em 1992 foi convidado a integrar a redacção de “O Correio de Pombal”, onde permaneceu até 2001, quando suspendeu a profissão para ser Director de Comunicação e Marketing de um grupo empresarial de dimensão ibérica. Em 2005 regressou ao jornalismo, onde continua, até aos dias de hoje, a aprender. Ao longo destes (largos) anos de actividade, atestados pelo Carteira Profissional obtida em 1996, passou por vários jornais, uns de âmbito regional e outros nacional, onde se inclui o “Jornal de Notícias” e “Público”. Foi convidado a colaborar, de forma regular, com o “Pombal Jornal” onde se produz conteúdos das pessoas para as pessoas.