A oposição do António

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1945

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Já contei 22 (!!!), entre os candidatos assumidos, aqueles que ainda não mas têm vontade e os impingidos ou que se impingiram, para as eleições à presidência da república.

Na verdade, nem é bem disto que realmente interessa agora falar. Com as legislativas por meses, o que me deixa varado é, respetivamente, a mudez barulhenta do maior partido da oposição e a pobreza de ideias de António Costa. O António tem a expectável postura crítica típica de oposição, mas numa versão ressessa, porque resolve falar sempre depois de outros, por isso nada de novo traz. Como líder de um dos partidos responsáveis pela crise nacional e pela intervenção da troika em Portugal, esperava-se mais de António Costa. Esperavam-se ideias concretas, como as que diz ter tido e que lhe permitiram reduzir o passivo da Câmara Municipal de Lisboa. Só que elas não vêm. Aguarda-se então pelo programa do PS, o tal “documento inovador”, que, à semelhança de outras coisas, tarda em aparecer, apesar de há muito ter sido anunciado. E estamos para ver, António Costa desdobra-se em contactos com líderes europeus, foi François Hollande e Matteo Renzi, no mês passado, e recentemente Manuel Valls e Sigmar Gabriel, fazendo-nos lembrar um Tsipras de 2.ª linha e à moda nacional, e como ninguém percebe de que falou, parece-me que pretende impressionar eleitorado e não tanto procurar respostas ou aliados.

No meio de tudo, eu, que até tenho simpatias por um dos partidos que nos governa, faria melhor oposição que a oposição. Passos Coelho conseguiu a custo, a um custo enorme de todos nós, começar a reabilitar a economia nacional, sendo esta a sua maior conquista – veja-se, por exemplo, os juros das obrigações do tesouro a 2 anos em níveis inferiores aos de Espanha e Itália, num mínimo histórico que é preciso valorizar e que era impensável há 4 anos. Mas Passos também falhou e falhou redondamente na reforma da administração pública – não se vá mais longe e recorde-se a recente reportagem sobre as urgências hospitalares -; impôs-se uma política de cortes salariais e cortes de pessoal que esqueceu a qualidade dos serviços e as pessoas – para onde vão as pessoas que saem chutadas da administração pública? – que deixaram de rastos todo setor do estado, com óbvias consequências também para o privado. Reformar é, por definição, melhorar, corrigir erros, aperfeiçoar, e isto não foi feito na administração pública, apenas se encolheu, cegamente, para não gastar!

De facto, ninguém nunca explicou as vantagens dos cortes radicais como os do pessoal não docente nas escolas. Então agora os miúdos já não precisam de ser vigiados, os espaços devidamente tratados? Ou dos trabalhadores das finanças. A última vez que fui às finanças, passei lá uma manhã inteira. Ou dos trabalhadores do registo civil. Outra manhã para tratar do cartão de cidadão. Etc, etc, etc.

Por isso digo que faria melhor oposição.

Outro exemplo. O recente anúncio da redução da TSU das empresas é bom, acho eu, queria é que me explicassem como se vai financiar a segurança social, e a solução para este financiamento ainda não foi dada. Depois perceberei se a medida, como aparenta, é de facto boa. Custa por isso ver a crítica a esta medida, antes de se perceber de se ouvir a explicação, de se questionar, sobre a forma de a implementar sem agredir os trabalhadores e as classes mais fragilizadas.

Quanto à oposição PS, ou outra qualquer, o que eu queria era conhecer soluções, exequíveis e honestamente explicadas. Que não há milagres, já se sabe, que a crise arrasa, também, e a qualidade de governação mede-se pela capacidade de saber de que forma se reduz custos minimizando consequências, particularmente, as de cariz social, e o PS ainda não provou, nem pelas intenções, que sabe fazer isto.

A pior impressão que um político pode dar de si é a indecisão e depois a ausência de rumo, e, infelizmente, é esta a imagem que António Costa deixa passar.

ANTÓNIO PIRES

(em 14 de abril de 2015)

antoniojosecpires@gmail.com