Terceira geração é Óptica Lourenço e Brito, Lda.

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A conhecida empresa firmou os seus créditos ao longo de mais de meio século. Curiosamente, nasceu como ourivesaria e relojoaria só mais tarde viria a dedicar-se ao ramo da óptica. O investimento na área da óptica foi feito no início dos anos 70, quando nenhuma outra loja em Pombal o fazia. Uma decisão que viria a ser determinante para o futuro da empresa, que já vai na terceira geração, com Mário Rui Varela Santos Brito Marques. Aliás, com a passagem de testemunho para a terceira geração firma-se o legado e o registo da empresa agora é Óptica Loureço e Brito, Lda..
Foi fundada em 1958 por António Lourenço Gomes dos Santos, que era de Figueiró dos Vinhos e relojoeiro de sempre, quando veio para Pombal por ter casado com Mariazinha Varela (Maria da Conceição Pessoa Varela Pinto) e já depois do nascimento da filha primogénita.

Mariazinha Varela e António Lourenço, fundadores da empresa, aqui recordados numa foto da família

O empresário abriu uma ourivesaria e relojoaria no Largo 5 de Outubro (vulgo pelourinho), onde ainda hoje está a loja 1 da Óptica Lourenço.
A filha, Maria Cecília Pessoa Varela dos Santos, conhecida apenas como “Sissi”, trabalhou desde muito jovem com os pais e recorda que o incentivo para adição do ramo de óptica surgiu mais tarde, quando o médico oftalmologista Santos Viegas veio para Pombal e pôs um consultório. “Como gostava muito do meu pai e davam-se bem, perguntou se ele queria abrir uma parte de óptica. Entretanto, o meu pai tirou o curso de técnico de óptica na Associação Nacional dos Ópticos,” diz Sissi, recordando que na altura podia abrir-se óptica com ourivesaria. “Ou seja, era relojoaria, ourivesaria e óptica. E manteve-se assim durante muito tempo.”

Mário Rui e a mãe, Sissi (sócios da óptica) com a restante equipa

Cecília Santos quando terminou os estudos foi para Coimbra e diz que, “entretanto, o meu pai precisava de ajuda, nenhum dos meus irmãos queria, e eu fui para uma óptica em Coimbra aprender a cortar lentes, porque na altura fazíamos isso tudo manualmente. Ainda não havia máquinas automáticas nem nada que se parecesse.”
Aos 18 anos regressou a Pombal para trabalhar com o pai, mais tarde prosseguiu os estudos e tirou o curso de técnica de óptica em Aveiro e, depois disso, os cursos de contactologia e optometria em Lisboa. Está neste ramo de negócio há 45 anos.
Por volta dos anos 80 tornou-se obrigatório separar os negócios ou então tinham que ter portas diferentes para cada ramo. “Durante algum tempo tivemos uma porta para a relojoaria, lá dentro, e outra para a óptica, para a oficina. Deixámos a parte do ouro e ficámos só com os relógios, porque era a parte que o meu pai gostava, por ser relojoeiro de nascença porque o meu avô também era, em Figueiró dos Vinhos, e passa tudo um bocado por aí. Custou-lhe sempre largar a relojoaria”, conta.
Por força da lei, a mudança impunha-se. Tinham que optar e, na altura, Sissi, que era a única a trabalhar com os pais, disse ao pai “já que vim para cá e a parte que gosto é a óptica, então achámos por bem ficar só com a óptica”, diz, acrescentando que “mais tarde entrou a Nídia, que está connosco há mais de 20 anos. A minha irmã Fátima também veio trabalhar e muito mais tarde veio o meu irmão António Carlos, depois entrou a Marta, que é minha sobrinha, tirou o curso de Técnica de Óptica em Leiria e também trabalha connosco.”
Os funcionários foram aumentando, porque a Óptica Lourenço abriu uma filial no Pombal Shopping, já sob a liderança de Cecília Santos, mas ainda o pai era vivo e assistiu à inauguração. “Estivemos lá alguns anos, mas a loja era muito pequena e não dava para fazer consultório. Por isso, mudámos para a Avenida Heróis do Ultramar, onde já estamos há 10 anos.”

A loja 2 foi inaugurada em Dezembro no aniversário mãe, em 2011, e as consultas são asseguradas pelos dois optometristas da firma: Sissi e o filho Mário Rui, que se licenciou na Universidade da Beira Interior, na Covilhã.

Equipa junto à Loja 1 da Óptica Lourenço

A passagem de testemunho mudou o nome, os princípios são os mesmos
“Isto tudo para dizer que eu estou no meio das três gerações. Começou com o meu pai, depois fiquei eu e agora o neto”, diz Sissi, explicando que “fizemos partilhas. Como nenhum dos meus irmãos tinha formação e ninguém quis ficar, então eu e o meu filho comprámos a empresa. Somos sócios-gerentes e espero que o meu filho mantenha o negócio”.

Esta passagem de testemunho foi o motivo da mudança para Óptica Lourenço e Brito, Lda., uma empresa com 63 anos que se foi adaptando e foi evoluindo de forma a prestar um atendimento muito personalizado. “Nesta área é muito importante transmitir a confiança e a segurança que as pessoas precisam.” frisa Cecília Santos.
Mário Rui diz que em miúdo costumava estar muitas vezes na loja e via a mãe a trabalhar, como fazia as coisas, mas nunca tinha feito trabalho de oficina. “Quando estava a terminar o secundário ainda não sabia bem o que havia de fazer. O facto de ter chumbado no 12º ano e ter ficado só com uma disciplina, até me ajudou a decidir seguir para optometria e, até ver, não estou arrependido. É um desafio todos os dias, cada cliente é uma pessoa e não estava muito habituado a lidar com pessoas, mas com o tempo vou evoluindo. Vi uma oportunidade que os meus irmãos não quiseram e, como é o trabalho de vida da minha mãe, acabei por comprar parte das quotas e ficar como sócio. Quis dar seguimento ao trabalho dela e espero fazê-lo tão bem ou melhor, para que no futuro o negócio continue dentro da família.”
Neste momento, além dos dois sócios-gerentes (que são mãe e filho), a Óptica Lourenço e Brito, Lda. conta com a sobrinha Marta, o irmão António Carlos e duas funcionárias: Nídia e Gracinda, “que são como família”.

Teresa Estanislau*
[*em estágio]