Seis meses

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Diogo Mateus completou em Abril seis meses de mandato na presidência da Câmara de Pombal. Esta é a altura para registar as primeiras impressões que, como sabemos, dizem muito sobre o futuro.
A primeira marca é a da propaganda. Para além de uma estratégia de comunicação agressiva, destinada a amplificar as boas notícias e a silenciar as más, o presidente da Câmara tem “puxado dos galões” sem justificação em alguns temas, destacando-se: diminuição de impostos (quando a maioria rejeitou a aplicação da taxa mínima do IMI e a redução do IRS propostas pelo PS); penalização fiscal dos prédios rústicos com áreas florestais abandonadas (medida ineficaz para a defesa da floresta contra incêndios); medidas de apoio aos funcionários (que não premeiam o mérito); escassa informação pública sobre temas incómodos para a maioria (relatório de auditoria à ETAP, por exemplo).
A segunda marca é a da desilusão. Nos primeiros seis meses de mandato esperava-se que fossem lançadas medidas estruturantes em várias áreas. Mas, de facto, inovação e novidade são atributos que têm faltado a esta maioria, quer em ações materiais quer imateriais. Assim, continuamos a aguardar: o programa de combate ao insucesso e abandono escolares; a estratégia de apoio ao empreendedorismo e à incubação de empresas; o orçamento participativo; o Gabinete de Apoio ao Investidor; a estratégia de fixação de investimento privado; o espaço multisserviços de atendimento ao cidadão; as políticas sociais ativas para responder à situação de emergência social; entre outras.
A terceira marca é a da herança. Narciso Mota deixou a Diogo Mateus uma irrecusável herança eleitoral e uma confortável herança financeira. Porém, infelizmente, não têm faltado casos que remetem para erros de gestão do anterior executivo, pelos quais o atual presidente é corresponsável: calamitosa situação financeira e gestionária da POMBALPROF. – ETAP; apropriação e utilização ilegal de verbas municipais pela Junta de Freguesia da Guia; opções erradas na regeneração urbana, destacando-se o indesejado edifício do quiosque/WC em pleno Cardal.
A quarta marca é a do silêncio. Elogiando-se a posição incisiva sobre a eventual alienação das ações do Município na VALORLIS no quadro de privatização da EGF, a verdade é que em torno de outros temas se exigia uma posição mais firme da Câmara em defesa dos interesses do concelho: investimento público (Pombal foi varrido do mapa nacional de investimento em infraestruturas); congelamento da reorganização dos cuidados primários de saúde (apenas se mantêm os projetos herdados do anterior Governo) e dos cuidados continuados; ausência de apoio financeiro para dar continuidade à reorganização da rede escolar; clarificação do valor a cobrar às famílias pelas refeições do pré-escolar.
A quinta marca é a da personalidade. No plano político – o único que está em apreciação neste texto – Diogo Mateus tem um registo diferente de Narciso Mota. Conhece os assuntos em detalhe (o que manifestamente não acontecia com o antecessor); tem oscilado entre a rejeição radical de opiniões diferentes e a vontade de promover uma participação plural no debate dos assuntos (o tempo dirá qual das posturas prevalecerá); mais focado e assertivo nas intervenções públicas (tarefa não muito exigente para quem sucede ao autarca que falava mais “com o coração do que com a cabeça”); tem assumido o compromisso de gerir com mais rigor os assuntos municipais (com o tempo veremos o que acontece na ETAP, na definição de prioridades de investimento, na aquisição de bens e serviços, na política de subsídios, entre outras áreas).

Adelino Mendes

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