OPINIÃO | Pandemia: A disrupção da economia

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A pandemia veio sem dúvida provocar alterações profundas na economia, e no modo de vida da população em geral. Em Portugal como no resto do mundo as consequências deste vírus, estão a gerar um impacto negativo no crescimento económico, afectando de uma forma geral não só os sectores do turismo e do consumo, como também as cadeias de produção, os serviços e a própria administração pública.
No entanto, e apesar do forte impacto negativo, temos vindo a assistir a uma resposta extraordinária por parte das empresas. É certo que a pandemia não teve o mesmo impacto em todos os sectores económicos, como é o caso por exemplo do sector alimentar, e da bricolage que tiveram acréscimos de vendas, entre outros.
Há casos extraordinários de superação.
Por exemplo os restaurantes, dos sectores mais afectados, re-inventaram-se. Na impossibilidade de abrirem portas, muitos restaurantes apostaram na criação de take-away, muitos deles nem tinham sequer este serviço, e agora que criaram este conceito vão passar a disponibiliza-lo no futuro. Com o take-away surgiram as empresas de delevery, hoje são imensas as empresas que fazem entregas porta-a-porta. E estas já não se limitam a fazer a entrega apenas de comida, já vão fazer as compras aos supermercados, as farmácias, etc…e fazem a entrega em casa do cliente. Os restaurantes, no sentido de criarem condições para receberem clientes, fizerem desenvolver as empresas de informática a montante, de uma forma exponencial. Foram criadas app´s, menus digitais, Web-sites, tudo para que o cliente não tenha de tocar fisicamente nos menus. Hoje em dia, é possível ir ao restaurante e através do smart-fone fazer o pedido directamente. As empresas de informática aumentaram muito as vendas e a contratação de pessoal qualificado.
Outros restaurantes, criaram comida pré-confecionada, congelada, em que o cliente apenas tem de a colocar no forno, e esta fica pronta. Os restaurantes foram sem dúvida dos sectores mais afectados, mas aqueles que mais contribuíram para a inovação do sector.
No turismo, verifica-se um boom no crescimento do turismo rural. Na impossibilidade de os turistas irem para o hotel, procuraram pequenos alojamentos espalhados pelo território. Hoje verifica-se uma verdadeira corrida na recuperação de casas e de recuperação de património devoluto para ser afectado a área do turismo. Após a pandemia Portugal, vai ter inúmeras possibilidades de turismo na natureza, e o consequente acréscimo de receitas extraordinárias para muitas famílias.
Outros sectores económicos, aproveitando a era da transição digital, demonstraram uma eficaz capacidade de resposta, ao criarem novos canais digitais, o e-commerce, pagamentos on-line, etc.., aumentando as suas vendas, criando novos canais de venda, novos hábitos de consumo, mas também facilitando a vida dos cidadãos, que assim contribuíram para a manutenção da qualidade de vida das pessoas. É uma realidade que veio para ficar. Apenas foi acelerada pela pandemia.
Se um dos objectivos, antes da pandemia, era a digitalização da economia e a desmaterialização dos negócios, esta foi de facto, incrementada e acelerada pelas piores razões.
É inevitável pensar que a transformação digital terá um forte impacto em toda a sociedade, quer do lado do produtor, quer do lado do consumidor. A forma como as empresas irão produzir, e como irão comunicar com os consumidores será muito diferente.
Com o aparecimento da pandemia do Covid, e com a “aquisição de novos hábitos de consumo”, o comércio de rua, será fortemente afectado, haverá muito menos lojas de ruas, e muito mais armazéns de distribuição de produtos, sem qualquer interlocutor entre vendedor/cliente. A fidelização de clientes que se fazia com o comércio de proximidade desaparecerá.
Toda esta inovação irá gerar uma infinidade de novos empregos, os empregos tradicionais tenderão a desaparecer. Todo o sistema educativo e de formação terá de se adaptar a estas novas realidades, e mesmo antecipar todas estas necessidades de requalificação dos empregos.
Nada vai ser como antes.

Horácio Mota
Presidente da Associação Comercial e de Serviços de Pombal

*Artigo de opinião publicado na edição impressa de 6 de Abril, integrado num DESTAQUE sobre as PME Líder 2020 do concelho de Pombal