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Nota 5 – Junta de Freguesia de Vila Cã: Vila Cã, nos últimos anos, tem sido notícia pelas piores razões. A gestão e o modo de trabalho da presidente de junta há muito que são questionadas pela assembleia e pelos cidadãos (em que mais de metade dos que votaram nas últimas eleições demonstraram não se reverem nesta presidência, daí lhe terem retirado a maioria absoluta). O desnorte começa no executivo, onde, tal qual aconteceu no anterior mandato, as divergências entre a equipa já são notórias. Na assembleia de freguesia, a bancada do movimento de cidadãos independentes, que suporta o executivo, formalmente tem 4 eleitos, mas na prática já só 3 votam ao lado do executivo; a assembleia reprovou as contas de 2017 e o orçamento de 2019 com argumentos e factos válidos, que não se limitam só a um chumbo político; a assembleia aprovou moção de censura ao executivo e remeteu um conjunto de factos às autoridades, incluindo Ministério Público; a assembleia pede esclarecimentos e a presidente não os dá, ou dá respostas para “atirar areia para os olhos”. Também têm sido sucessivos os despedimentos de trabalhadores da freguesia.
Claro que tudo isto tem reflexos na freguesia: o cemitério é um problema grave porque, apesar do terreno comprado há anos, esta presidente ainda não conseguiu avançar com o alargamento, daí que se enterrem cadáveres nas zonas dos passeios, entre campas existentes, e o cemitério esteja sucumbido a um desmazelo como nunca se viu, numa insensibilidade tremenda para com a dor da morte e o próprio luto que as famílias precisam de fazer. Projetos estruturantes para a freguesia, nem vê-los. De nada nos vale ser uma freguesia com recursos financeiros (tendo em conta as receitas próprias das eólicas, pedreira e antenas) se depois se desbarata o dinheiro sem se ver onde, sem estratégia, sem rumo. Com esta presidente, Vila Cã continua a andar para trás. O desnorte é total e irreversível.

Nota 8 – Centro Hospitalar de Leiria: Mais uma vítima deste governo da propaganda: o Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Leiria. Demitiu-se em protesto para com a ausência de meios financeiros e, das suas motivações retira-se um desabafo, quase de desespero, em que a demissão surge como a única saída para chamar à atenção para o que realmente se passa na saúde em Portugal. Já não há propaganda e anúncios de obras para as calendas que disfarcem o ataque que este governo está a fazer ao SNS.

Nota 18 – Serões Culturais do Louriçal: Já vão na décima edição e, mais do que um sucesso, são um exemplo. Aqui está uma ótima inspiração para todas as freguesias, um projeto que coloca todos a remar no mesmo sentido, com as coletividades da freguesia envolvidas e mobilizadas para oferecer o melhor de si à comunidade. Estão de parabéns todos os envolvidos: coletividades, junta de freguesia e espetadores.

João Antunes dos Santos, Advogado, Deputado Municipal PSD
joao@antunesdossantos.pt

 

*Artigo de opinião publicado na edição impressa de 14 de Março