Crescem os animais abandonados por dificuldades das famílias

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Para além do aumento dos abandonos, as adopções também diminuíram. Associação Ajudanimal e Canil Municipal desempenham papel fundamental no acolhimento de cães e gatos, mas a capacidade de resposta é insuficiente para as necessidades.

À Ajudanimal – Associação de Defesa dos Animais de Pombal têm chegado, desde que a pandemia se instalou, inúmeros pedidos de ajuda de famílias em dificuldades e sem capacidade para suportar as despesas com os animais. Solicitam apoio para “tratamentos veterinários, ajudas à castração ou acolhimento de ninhadas”, revela Sandra Diniz, presidente da direcção.
A esta realidade juntam-se os números do abandono que, no actual contexto, têm vindo também a aumentar, refere a mesma responsável.
Apesar dos esforços, Sandra Diniz assume que não há possibilidade de dar resposta a todos os pedidos, até porque “são muitos” e a um ritmo diário.
A par das limitações financeiras, a Ajudanimal debate-se com falta de espaço para acolher todos os animais, nomeadamente “um abrigo para cães e para gatos”. Condicionantes que saltam à vista quando, por exemplo, algum dos animais está doente, altura em que a ausência de uma área de isolamento se torna evidente. “Ou não acolhemos ou arriscamos contaminar os outros”, constata aquela responsável.
Actualmente com 17 cães e 12 gatos, a presidente da direcção diz que a adopção “diminuiu muito”. Para tratar dos animais, a associação conta com a colaboração de quatro voluntários permanentes e alguns pontuais.
Com um abrigo na freguesia de Pombal, mas numa “fase muito primitiva”, Sandra Diniz diz que ainda há um longo caminho até que o espaço fique com as condições ideais. Falta água, luz, acessos, abrigos, sombras, entre outros, ou seja, “praticamente tudo”, constata a dirigente, que não esconde a vontade e a necessidade de a Ajudanimal “ter mais espaço para acolher um maior número de animais”, porque o actual é insuficiente “para os pedidos que nos chegam”.

Canil municipal é a casa de 56 animais
É no Casal Fernão João, paredes meias com a antiga Feira do Gado, numa zona de grande tranquilidade, que funciona o Canil Municipal, abrigo dos muitos animais errantes que ali encontram o lar que os seus proprietários lhes negaram. E é naquela ‘casa’ que também se afeiçoam aos dois colaboradores que, sete dias por semana, asseguram que nada lhes falta: Amândio Rodrigues e Lina Neto, cujo trabalho é coordenado pela veterinária municipal Dina Loureiro. A ligação aos animais é de tal ordem que Lina Neto, por exemplo, já adoptou alguns dos cães com quem criou grande empatia. Se pudesse, a colaboradora levava mais alguns.

Actualmente com 56 animais acolhidos (à data da visita do jornal), nenhum deles é apenas mais um número. Tratadores e veterinária conhecem-nos pelo nome e sabem, com exactidão, todas as características da personalidade de cada um. Apesar de muitos, e das tarefas serem inúmeras ao longo do dia para que o espaço esteja sempre higienizado, reserva-se tempo para as brincadeiras fora das celas, para que possam correr livremente, numa área de terreno destinada a esse efeito.
Praticamente todos eles estão disponíveis para adopção, à excepção dos agressivos ou dos que se encontram doentes. Foram recolhidos na via pública ou abandonados junto ao edifício do canil, mas há também casos em que são entregues pelo detentor/titular, por se tratarem de animais agressivos, doentes ou com problemas associados e irrecuperáveis, segundo a informação disponibilizada pelo Município de Pombal. O tempo de permanência no canil “é variável”, dependendo “da rapidez da sua adopção”. Contudo, esclarece o município, “temos alguns animais que provavelmente, devido às suas características, patologias, idades, dificilmente serão adoptados”.
Sobre as preferências das famílias no momento da adopção, são “variáveis”. Há quem prefira jovens/bebés mas também quem opte pelos adultos “para não terem o trabalho de ensinar nem o risco de ‘adivinhar’ a personalidade futura”. Quanto ao porte animal, ainda que os gostos sejam diversificados, “a maior procura, por ser o mais difícil de encontrar, são animais de porte pequeno”, adianta a nota do município, salientando, ainda, que “raramente temos animais de raças puras”.
Questionado sobre a possibilidade de existir alguma relação entre o aumento dos números e a pandemia, que trouxe dificuldades acrescidas a muitas famílias, o Município de Pombal admite que “todos os factores poderão ser determinantes na falta de capacidade das famílias para manter um animal de estimação. A verdade é que nenhum Canil Municipal tem capacidade para albergar todos os animais errantes, considerando as baixas taxas de adoção e o número elevado de animais vadios”.

Aumento da capacidade
O Canil Municipal iniciou a actividade em 2003, mas em 2013 sofreu alterações em consonância com a legislação, para alargamento das jaulas individuais. Na edificação antiga, anterior à ampliação, concluída em 2020, existiam, para canídeos, sete celas de alojamento, uma cela de maternidade, duas celas de internamento e duas celas de quarentena. Para felinos, quatro jaulas amovíveis.
A edificação antiga serve, após ampliação, para acolher os recém-chegados, de forma separada, ainda não esterilizados, em tratamento, de quarentena e no período pós-cirurgia (em recuperação). Também tem sido a mais adequada para as ninhadas de bebés que vão chegando, refere o município.
A ampliação, num investimento a rondar os 260 mil euros, criou uma capacidade de alojamento adicional de 60 canídeos, considerando uma superfície de base de 1,48m2 por animal em grupo, e 18 Felinos.

 

  • Números:

    Animais recolhidos até Julho deste ano: 144 (184 em 2019)
    Animais entregues para adopção até Julho deste ano: 68 (99 em 2019)
    Animais eutanasiados até Julho deste ano: 11 (30 em 2019). A eutanásia apenas ocorre por motivo de situação irrecuperável (doença/acidente), de zoonose ou comportamental.

*Notícia publicada na edição impressa de 20 de Agosto