Câmara retira competências ao presidente

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Afinal Diogo Mateus sempre vai ficar sem algumas das competências que lhe haviam sido delegadas. Não são as 44 que a proposta anterior dos vereadores sem pelouros pretendia, mas são 19. Mas se a anterior proposta foi chumbada pelo voto de qualidade de Diogo Mateus, tendo merecido a reprovação dos vereadores executivos e a abstenção da vereadora Ana Gonçalves, a que foi discutida na última reunião foi aprovada pelo mesmo voto de qualidade do presidente, pois a vereadora voltou a abster-se mas as restantes posições inverteram-se. Os vereadores executivos votaram a favor e os vereadores sem pelouros votaram contra.
Quando apresentou a proposta na reunião, Diogo Mateus acabou por fazer um mea culpa, dizendo que algumas das competências que lhe haviam sido delegadas não eram propriamente “matérias críticas e muitas delas já estão regulamentadas”. A nova proposta não é “tão ampla” como a dos vereadores sem pelouros mas “conseguimos limpar todas as imperfeições e ilegalidades que ela tinha”, afirmou. Do lado dos vereadores sem pelouros, a razão para o voto contra prendeu-se, sobretudo, com as motivações da proposta. Michael da Mota António, dirigindo-se ao presidente de câmara, assumiu que a proposta que havia subscrito “tinha uma intenção política de lhe dizer que não confiávamos em si”. Acrescentou que “a ignorância é o pior dos males da nossa sociedade e se a ela juntarmos a má-fé, temos um cocktail explosivo”. Odete Alves referiu que Diogo Mateus não tem a sua confiança e não sente como é que essa confiança poderá ser reatada. “Traz esta proposta como para dar uma machadada final no assunto. Como quem diz, a vossa proposta não passou mas até me deram a possibilidade de corrigir os erros que a minha tinha”, manifestou.

Palavras mais acaloradas
Neste ponto da reunião, houve duas trocas de palavras mais inflamadas. Pedro Brilhante acusou Diogo Mateus de “não ser digno de confiança nem destas nem de quaisquer competências” e que esperava que no final da reunião este já não tivesse no lugar de presidente do Município. Na resposta, o edil disse-lhe que “é um exemplo acabado do que é um mercenário político que condiciona a sua actuação em valor do salário que lhe pagam” e que era um elogio vê-lo votar contra a proposta.
Já Michael da Mota António dirigiu-se a Ana Gonçalves, que inviabilizou que a proposta anterior tivesse sido aprovada, para dizer que “sempre fomos amigos, mas agora a nossa relação vai mudar porque considero que me traiu”. O vereador considera que esta só pode ter “virado o bico ao prego” porque “lhe foi prometida uma grande benesse ou porque foi alvo de ameaças perigosas ou graves”. A vereadora reafirmou ter tomado a decisão após as duas horas de discussão na anterior reunião, recusando qualquer influência do PSD nas suas tomadas de posição.

*Notícia publicada na edição impressa de 6 de Agosto