HIC ET NUNC | Desistir ou lutar

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No passado domingo decorreram as eleições autárquicas pelo que a crónica desta semana não podia versar sobre outro tema que não a análise dos resultados das mesmas. O primeiro destaque é forçosamente para o valor da abstenção, que num dia ameno de Outono, atingiu o valor de 53,23% no total do concelho e 58,14% na freguesia de Pombal. Estes valores, muito acima da média nacional de 46,35%, são muito preocupantes e demonstram a todos os atores políticos, atuais e passados, que algo tem estado muito errado na forma de fazer política e na maneira como todo esse trabalho é comunicado aos eleitores. Nas centenas de contatos pessoais que mantive durante esta campanha encontrei algumas dezenas de pessoas em idade adulta já algo madura que NUNCA VOTARAM! Esta problemática exige medidas de âmbito nacional, envolvendo o próprio sistema de ensino, mas também nos obriga localmente a aproximarmo-nos das pessoas fora dos períodos pré-eleitorais.
O segundo destaque vai para o resultado do CDS-PP a nível nacional, que numa conjuntura interna bastante hostil, conseguiu assegurar a maioria absoluta nas 6 Câmaras Municipais que possuía e ajudar o PSD a recuperar alguns municípios ao PS, incluindo a capital do País.
Numa análise local, penso não terem existido surpresas nas vitórias ocorridas, sendo que as únicas disputas realmente renhidas deram origem às únicas vitórias não laranjas, a Freguesia da Redinha onde venceu o PS e a união de freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca onde venceu o movimento independente liderado por Gonçalo Ramos.
No que ao CDS-PP de Pombal se refere, o corte ocorrido o ano passado entre as direções concelhias cessante e eleita, prejudicou de forma indelével toda a dinâmica autárquica. O partido apresentou listas a cinco Assembleias de Freguesia e à Assembleia Municipal, com uma composição bastante renovada em que a maioria dos elementos não tinha qualquer experiência eleitoral.
Em quatro das freguesias a que concorremos, o CDS-PP aumentou a percentagem de votos e na Assembleia de Freguesia do Carriço foi eleita a Viviana Francisco, enquanto que em Vila Cã o CDS-PP duplicou a representatividade, tendo sido eleitos os candidatos Liliana Silva e Filipe Gonçalves. Na Redinha, faltaram poucos votos para que a cabeça de lista Estrela Mendes conseguisse ser eleita e na Pelariga o resultado foi quase idêntico a 2017. Por fim, na Freguesia de Pombal, num território maior e mais populoso, o esforço da equipa que se apresentou a votos no sentido de contatar o maior número possível de eleitores, divulgando as suas propostas, não foi suficiente para evitar uma queda acentuada da votação.
Quanto à Assembleia Municipal de Pombal, a percentagem de votos alcançada foi cerca de metade da conseguida há quatro anos, pelo que o CDS-PP perdeu a representatividade neste órgão. Neste particular, o surgimento do Movimento Oeste Independentes e da Iniciativa Liberal poderão ter sido decisivos para a não eleição de um Membro.
Feito este balanço, que deverá ser mais exaustivo em sede própria, existe apenas uma alternativa à concelhia do CDS-PP de Pombal, continuar a lutar!
Os 1519 votos obtidos pelo partido nas seis listas apresentadas a escrutínio, dão-lhe a responsabilidade de continuar o seu percurso de forma responsável, inovadora e inclusiva, procurando dar resposta a cada um dos militantes e simpatizantes descontentes, assim como a muitos dos milhares de Pombalenses que não se reviram em nenhum dos projetos apresentados. Em cada uma das freguesias do concelho é necessário criar equipas dinâmicas, que aglutinem a experiência existente e que estejam disponíveis para desde já trabalhar na construção de alternativas sólidas ao marasmo de ideias e à indiferença que reinam em muitos pontos do nosso território.
O nosso compromisso é continuar a lutar por melhorar a qualidade de vida no nosso concelho.
#queremos responder aos Pombalenses.

Telmo Lopes
Pombal, 28 de setembro de 2021

*artigo de opinião publicado na edição impressa de 30 de Setembro