“A música será eternamente o meu oxigénio”

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Chama-se Carlos José Gameiro, mas foi como DJ Cazé que se tornou conhecido. Há 39 anos que o Disco Jokey (DJ) de Albergaria dos Doze anima as pistas de dança, de preferência ao ritmo dos sucessos da década de 80.

 

                                                    Cazé tornou-se DJ profissional em 1987

Cazé descobriu o gosto pela música na juventude, ainda antes de ir para a tropa, mas a paixão haveria de se tornar um caso sério de amor, ao ponto de ter decidido profissionalizar-se, muito por ‘culpa’ da experiência acumulada, ao longo de três anos, na extinta Green Town, em Vila Verde (S. Simão de Litém). Foi o primeiro DJ do espaço, que chegou a ser um ícone da vida nocturna da região, experiência que recorda não apenas com orgulho, mas também como determinante para perceber que a música haveria de ser bem mais do que um hobby.
Em 1986, e já com o serviço militar concluído, fez as malas e rumou a casa de um tio, em Paris, para frequentar o curso de Disco Jokey (em Portugal, não existia formação). Durante um ano, percorreu diariamente a Avenue des Champs-Elysées, em direcção ao número 76, para assistir às aulas numa das poucas escolas especializadas na área, existentes à época. “Paguei 380 contos pelo curso”, recorda Cazé.
Concluída a profissionalização, ainda esteve três anos ao serviço da escola onde se formou, mas uma deslocação a Portugal haveria de lhe traçar um novo horizonte, depois de Jorge Duarte, proprietário da Kiay, o ter desafiado a ser DJ da discoteca. Regressou então a Portugal para tomar as rédeas da pista de dança do mítico espaço de diversão nocturna. “Estive lá como DJ residente durante muitos anos”, conta Cazé, que actuava ali às sextas, sábados e domingos. Reservava ainda as quartas-feiras para o Alcântara-Mar, em Lisboa, ao abrigo de um acordo entre aquela discoteca e a Kiay. Das Meirinhas, o DJ muda-se para a dancetaria Dom Sebastião, no Travasso (Pombal), onde esteve quatro anos, até deixar de trabalhar em regime de exclusividade, passando a animar todo o tipo de eventos, à semelhança do que ainda faz hoje em dia.
Durante nove anos, Cazé viveu exclusivamente da música, até porque “ganhava-se bom dinheiro na altura”, afirma. Há cerca de 30 anos, passou a acumular esta paixão com uma actividade profissional ligada à área dos transportes.

Assusta-me um bocado o estado da sociedade actual

“Chocam-me os consumos exagerados”
Conhecido como o artista dos anos 80, Carlos José, de 57 anos, assume que os actuais exageros associados à vida nocturna o preocupam. Com 39 anos de carreira e pai de duas filhas – uma de 22 e outra de 25 anos -, Cazé já presenciou de tudo um pouco. “Choca-me ver os consumos exagerados, que não são só de álcool”, sobretudo entre os jovens, lamenta. Um cenário que, segundo diz, se tem vindo a agravar aos longo dos anos e, de forma particular, entre “miúdos cada vez mais novos”. Apesar da ligação à vida nocturna, Cazé faz questão de dizer que tem um estilo de vida equilibrado, onde não entra tabaco e o desporto é uma prática regular. “Assusta-me um bocado o estado da sociedade actual”, afirma, em tom de desabafo.
Ainda que sejam as gerações acima dos 40 anos que encham as pistas de dança por onde passa, há também, entre os mais novos, quem se renda à música que eternizou os anos 80 e até 90. “A minha forma de estar na música é a trabalhar para o público” e “cada dia é de aprendizagem”, afirma.

Se eu estou na música, devo à minha mulher e às minhas filhas

À semelhança de outros artistas, Verão é sinónimo de muito trabalho. Só a agenda de Agosto tem “23 dias preenchidos”, assumindo que não aceita mais “porque não tenho 20 anos”. Este ano, actuou pela primeira vez nas Festas do Bodo, a convite do Dj Angel (Âneglo Pereira), e diz que esta foi uma experiência marcante.
Neste percurso de quase quatro décadas, Cazé partilha o sucesso com a mulher e as duas filhas (Tatiana e Inês), de quem fala com as emoções sempre à flor da pele. “Se eu estou na música, devo à minha mulher e às minhas filhas”. A elas já deixou, inclusivamente, um pedido: “quando eu morrer, não quero ninguém a chorar. Só música dos anos 80”.
Enquanto puder, garante que via continuar a animar as pistas de dança, até porque “a música será eternamente o meu oxigénio”.

quando eu morrer, não quero ninguém a chorar. Só música dos anos 80

 

*Notícia publicada na edição impressa de 18 de Agosto