A Lei de Pareto

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rodrigues marques
rodriguesmarques@quilate.pt

Andamos a estudar o IV Plano de Fomento, cuja leitura recomendamos, vivamente, aos sábios conselheiros do regime.
Mas antes vamos à Lei de Pareto, ou à regra 80-20, com que temos vindo, neste espaço, a basear as nossas opiniões.
Ficámos muito tristes e preocupados com um estudo publicado, esta semana, no site do Banco Central Europeu, de autoria de Philip Vermeulen, que conclui que um quarto da riqueza de Portugal está nas mãos de 1 % da população.
Se fizermos uma regra de três, o que não é correcto, reconhecemos, concluímos que mais de 90 % da riqueza do País é detida por 4 % da população.
Mesmo considerando que os 5 % dos mais ricos detêm entre 44 a 45 % da riqueza do País, segundo o estudo que estamos a referir, ainda estamos muito longe dos 80 % da riqueza que deveria ser detida por 20 % de cidadãos.
Admitimos que é uma utopia pensar que 100 % da riqueza do País deveria ser detida por 100 % dos cidadãos.
A tira do Bartoon, publicado no Público, no dia 17 de Julho de 2014, parodiava a questão com o seguinte diálogo entre o cliente e o dono do Bar:
O cliente lê o jornal onde está escrito que “Um quarto da riqueza de Portugal está nas mãos dos 1 % mais ricos”.
O dono do bar responde:
– Há, portanto, uma enorme margem de evolução. Os 1 % mais ricos têm ainda três quartos para crescer.
Mas ficámos ainda mais preocupados por ver as empresas não financeiras do regime a entrarem em colapso, dado que as financeiras têm a cobertura incondicional do Estado.
Por outro lado é, ainda, motivo de forte preocupação a desmotivação, a desconfiança e a falta de força anímica dos empreendedores que viram destruída uma vida de trabalho e que deixaram de acreditar no Estado, mas mesmo assim preocupados com o estado em que o País está.
Se cruzarmos estes dados com a manifestação dos Advogados, também na semana passada, conjugados com os pequenos/grandes sinais da degradação da vida de muitos e muitos dos nossos concidadãos e com o galopante incumprimento das pessoas e das empresas para com o sector financeiro, facilmente chegamos ao IV Plano de Fomento.
O primeiro Plano de Fomento foi elaborado em 1953 e tinha a sua vigência por cinco anos, assim como os seguintes.
Eram equivalentes ao que, agora, se chama “Grandes Opções do Plano” que têm a vigência de quatro anos da legislatura.
Estes documentos contêm em si a estratégia do Estado e as suas propostas para aquele espaço temporal.
A corporação dos advogados protestou contra aquilo que chamaram o “encerramento do País”.
Já aqui referimos algumas estratégias que estavam vertidas no IV Plano de Fomento e que não foram seguidas, como a requalificação da Estrada Nacional nº 2, a que a Ordem dos Advogados se refere.
Mas muito mais há lá vertido.
Este IV Plano de Fomento pretendia ser a estratégia do Estado para o período de 1974 a 1979, mas ficou-se pelo papel.
É sabido que, à data, a riqueza do País estava concentrada em 200 famílias, que o Estado era rico, mas tinha a consciência de que tinha algo para mudar.
Assim, como grande estratégia, este IV Plano de Fomento pretendia melhor distribuir o rendimento (a riqueza do País), apoiar mais os sectores sociais e promover um elevado crescimento de forma a manter o pleno emprego, escreve o Dr. José Cadima Ribeiro, Professor da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, nascido na vizinha Barosa.
Vimos desse tempo e podemos testemunhar a sua veracidade, passe as questões políticas adjacentes.
Será, perguntamos nós, que não seria bom que os sábios conselheiros do regime tivessem o livrinho na mesa de cabeceira e o fossem lendo antes de adormecer, de forma a que o cérebro, durante o sono, o fosse processando.
Faz agora um ano, escrevemos, neste espaço, um pequeno apontamento a que demos o título de meio cérebro, pretendendo demonstrar que há cidadãos que querem morrer com o cérebro novo, poupando-o a grandes esforços, e que isso é um grande erro.
O caminho mais certo para se ficar demente é pensar com meio cérebro, pensando que assim se poupa o outro meio.
E nós não gostaríamos de ver os sábios conselheiros do regime dementes.
Propomos, por isso, que leiam o tal livrinho do IV Plano de Fomento para não ficarem dementes.