Dia agitado nas agências do Novo Banco em Pombal

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Era para ser um protesto silencioso, em homenagem a um lesado falecido recentemente, mas acabou por ser ruidosa a acção de luta promovida pela Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial, frente à agência bancária do Novo Banco, na zona do Mercado Municipal, em Pombal.

Vieram de vários pontos do país, sobretudo da região Norte, e fizeram-se munir de velas, flores e cartazes, onde a palavra luta era a mais lida. Realizaram um minuto de silêncio e partiram em direcção à outra dependência do mesmo banco, na Avenida Heróis do Ultramar, para manifestarem também a sua revolta por não conseguirem reaver o dinheiro que aplicaram na compra de papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES).

Depois de uma marcha pelo centro da cidade regressaram à Rua Dr. Custódio Freire, mas já mais ruidosos. De megafone em punho e cartazes no ar, proferiram gritos de revolta. E, se as palavras de protesto eram dirigidas ao Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e ao presidente do Novo Banco, Stock da Cunha, já os elogios eram direccionados para Carlos Tavares, presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Isto, porque na opinião de Rui Falcão, um dos lesados, Carlos Tavares “é o único que está do nosso lado”. “É uma vergonha o que está a acontecer”, frisa, dirigindo, também, fortes críticas ao Governo por “nada fazer” em relação ao processo.

Outra das lesadas, Solange Morgado, justifica aos jornalistas o porquê daquela acção de luta ter tomado uma forma diferente em relação às outras que a mesma associação tem realizado em diversas localidades do país.

“Por respeito ao nosso colega lesado que faleceu recentemente”, explicou, sem pormenorizar o sucedido. “Era uma pessoa que na altura da troika tirou todo o dinheiro, de uma vida de poupanças, do banco e guardou-o em casa”, refere, prosseguindo: “mas a gestora de conta foi astuta em insistir com ele e convenceu-o a aplicar as poupanças” tendo na sequência do colapso do banco “entrado numa depressão profunda que contribuiu para a sua morte”.

Solange Morgado considera o processo em redor do caso BES tem afectado “pessoas idosas que vêem-se sem dinheiro para comer e até para comprar medicamentos”.

Também Jorge Pires, outro dos lesados, destacou que aquela acção de luta pretendeu ser uma “forma de pesar” pela morte do lesado, “residente nas redondezas de Pombal”.

De referir que durante o protesto nunca foi revelada a identidade do homem, que “faleceu no domingo e foi a sepultar na segunda-feira”, como adiantou Jorge Pires. Aliás, a maior parte dos manifestantes questionavam, entre si, quem era o homenageado.

ORLANDO CARDOSO