Artur da Silva: mais de quatro décadas dedicadas à Paróquia do Carriço

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Em vésperas de completar 89 anos de idade, Artur da Silva abre o livro do seu percurso de mais de seis décadas como sacerdote, com mais de 40 anos dedicados à Paróquia do Carriço. O sacerdote, da Congregação do Santíssimo Redentor (Redentoristas) exerce, também, as funções de pároco de Marinha das Ondas, no concelho da Figueira da Foz.
Natural da pequena aldeia de Casal Loureiros, na freguesia do Louriçal, Artur da Silva era ainda um petiz quando ficou entusiasmado com as questões religiosas. “Era criado do senhor padre Marcelino, no Louriçal, quando foi lá um grupo de missionários pregar e eu gostei do que ouvi e fiquei entusiasmado”, conta, adiantando que na ocasião o seu irmão Manuel da Silva já era seminarista.
Ao contrário do que se poderia esperar, nem o padre Marcelino, nem os seus pais, o apoiaram naquela sua decisão. No entanto, o jovem Artur viajou até ao seminário, onde esteve durante uma dezena de anos. Em 1949 rumou para Espanha, onde prosseguiu os seus estudos superiores e onde foi ordenado sacerdote em 1956. “Sem a presença de ninguém da família”, refere.
Regressou a Portugal, mas por pouco tempo, tendo rumado para Angola, aceitando um desafio que lhe foi apresentado “por uns padres que gostavam muito de mim”. Ali, foi primeiro padre da Igreja Sagrada Família, em Luanda, e onde desenvolveu uma missão com vista à construção de um hospital. “Que ainda hoje existe”, refere orgulhoso. Para tal, Artur da Silva deslocou-se a Espanha e a Portugal para angariar fundos que permitissem concretizar aquele objectivo.
A independência fez com que Artur da Silva regressasse ao seu país de origem, fixando-se em Vila Verde, no concelho da Figueira da Foz. Ali permaneceu durante cerca de cinco anos.
Em 1980 foi nomeado pela Diocese de Coimbra como pároco do Carriço, onde se mantém até hoje, e onde ajudou a edificar o Centro Social local, que posteriormente passou a ser autónomo da paróquia. “Fui muito criticado por colegas meus, mas hoje é uma Instituição que presta um bom serviço”, revela.
Entretanto, em 1993, passou a acumular com a paróquia de Marinha das Ondas. “Temos missa aos domingos no Carriço, nos Vieirinhos, nos Alhais e em Marinha das Ondas”, refere, revelando, com certo orgulho, que a sua jovialidade ainda permite que conduza o seu próprio automóvel. “Serei padre, quanto poder”, vinca.
Para Artur da Silva, Carriço e Marinha das Ondas, embora sejam freguesias muito próximas, têm “povos totalmente diferentes”, enaltecendo que “no Carriço há mais praticantes”. Isto, apesar de a freguesia “estar sem pessoas, sem famílias”, diz, revelando o seu pessimismo quanto ao futuro: “ainda vai cair mais”. O pároco não tem uma justificação para tal desertificação, referindo apenas que “é devido à sociedade em que vivemos”, adiantando que “são algumas empresas e colectividades que mantém vivo o Carriço”.
À beira dos 90 anos de idade, Artur da Silva é um poço de sabedoria e de conhecimentos. Daí que reconhece que a Igreja “tem de evoluir” e “adaptar-se à sociedade”, defendendo que são necessárias “muitas mudanças, muitas alterações”.
Está convicto que o Papa Francisco tem implementado algumas modificações, mas “talvez não seja neste seu reinado que se concretize o fim do celibato dos padres”, admite. Uma concretização que, na sua opinião, poderia contribuir para que surgisssem novos padres. “Há falta de seminaristas, temos seminários completamente vazios e fechados”, lamenta.

*Notícia publicada na edição impressa de 06 de Fevereiro

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Ingressou no jornalismo, em 1989, como colaborador no extinto “Pombal Oeste” que foi pioneiro na modernização tecnológica. Em 1992 foi convidado a integrar a redacção de “O Correio de Pombal”, onde permaneceu até 2001, quando suspendeu a profissão para ser Director de Comunicação e Marketing de um grupo empresarial de dimensão ibérica. Em 2005 regressou ao jornalismo, onde continua, até aos dias de hoje, a aprender. Ao longo destes (largos) anos de actividade, atestados pelo Carteira Profissional obtida em 1996, passou por vários jornais, uns de âmbito regional e outros nacional, onde se inclui o “Jornal de Notícias” e “Público”. Foi convidado a colaborar, de forma regular, com o “Pombal Jornal” onde se produz conteúdos das pessoas para as pessoas.