Queixas por violência doméstica aumentam em Pombal

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Este ano, as queixas por violência doméstica em Pombal registam um aumento face a 2020. As vítimas continuam a ser sobretudo as mulheres e os homens os agressores.

A PSP de Pombal recebeu quase 30 queixas por violência doméstica este ano. Este número reflecte um aumento quando comparado com igual período de 2020. As vítimas continuam a ser sobretudo as mulheres, mas também há registo de ocorrências de vítimas do sexo masculino.
“A Esquadra da PSP de Pombal registou, até ao momento, 27 ocorrências relativas a violência doméstica”, revelou ao nosso jornal o Comando Distrital de Leiria, salientando que este ano “o número de queixas é superior” a 2020. “Em alguns casos, um episódio de violência doméstica resultou em dois processos crime, isto porque, não raras vezes verifica-se uma queixa contra queixa”, salienta a responsável pelo Núcleo de Imprensa e Relações Públicas da PSP.
De acordo com Célia Fiteiro, “os episódios de violência doméstica mais frequentes ocorrem entre o casal” e “as agressões físicas e psicológicas são as mais que se destacam”.
Por outro lado, as mulheres continuam a ser maioritariamente as vítimas, contudo também há registo de “queixas cujas vítimas são do sexo masculino”. “Em todo o caso, e em termos gerais, as vítimas dos nossos processos são maioritariamente do sexo feminino”, enfatizou. Já em termos de faixa etária destacam-se as mulheres “entre os 40 e os 50 anos de idade”.
Por sua vez os agressores são “maioritariamente do sexo masculino e a sua faixa etária situa-se novamente entre os 40 e os 50 anos de idade”, adianta aquela responsável.
“Durante a realidade pandémica e consequente confinamento em 2020, verificámos que a linha da tendência não teve oscilações comparativamente com o ano de 2019”, realça ainda Célia Fiteiro. “Em contrapartida, no corrente ano o número de queixas é superior ao ano passado, ou seja, aqui já verificamos um aumento”.
Todavia, “é especialmente complexo relacionar só por si, a questão do confinamento à dinâmica da violência doméstica”, refere. Para isso, “teríamos que perceber caso a caso e perceber in loco, se o facto de os intervenientes estarem confinados despoletou um episódio de violência familiar/doméstica”. “Neste conspecto, não resulta uma clara evidência de que o factor confinamento contribuiu para um aumento ou redução do número de episódios de violência doméstica”, conclui.

APEPI JÁ APOIOU MAIS DE 1.500 VÍTIMAS
A APEPI, através da Casa Abrigo e do Gabinete de Apoio às Vítimas de Violência, já apoiou mais de 1.500 vítimas, desde a entrada em funcionamento das referidas valências.
A Casa de Abrigo Teresa Morais já acolheu desde a data da sua abertura, em 2001, até ao momento, 1.113 utentes (671 mulheres e 442 crianças), oriundas de todo o país. Esta resposta social presta apoio às utentes acolhidas, em diferentes níveis, nomeadamente nas áreas jurídico-legal, social, profissional, cuidados de saúde, psicológicos, educativo e escolar.
Por sua vez, o Gabinete de Apoio às Vítimas de Violência Quebrar o Silêncio acolheu, desde a sua abertura, em 2004, até Outubro deste ano, 435 vítimas. Este serviço visa apoiar e proteger as vítimas de violência doméstica e violência de género, assegurando de forma integrada e com carácter de continuidade, acções de atendimento, apoio e encaminhamento personalizado de vítimas de violência com vista à sua protecção.
De referir que a APEPI assinala o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, que se comemora esta quarta-feira (25 de Novembro), com a apresentação da peça de teatro “Silêncios e Tanta Gente”, que retrata o tráfico de seres humanos. Com co-produção da Boutique da Cultura e Movimento Democrático de Mulheres, a peça entra em cena esta sexta-feira (dia 26), pelas 21h30, no Teatro-Cine de Pombal. A entrada é gratuita.
Além disso, a instituição vai ainda participar numa acção de rua sobre violência contra as mulheres, dinamizada por uma turma do Agrupamento de Escolas de Pombal, bem como divulgar material informativo sobre o Gabinete de Apoio às Vítimas de Violência.

Carina Gonçalves | Jornalista

*Notícia publicada na edição impressa de 25 de Novembro