HIC ET NUNC | Os políticos são todos iguais

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Esta é uma frase muito ouvida em qualquer conversa na qual se abordem temas da nossa realidade sócio-política, com amigos, no trabalho ou mesmo em pequenos diálogos furtuitos.
Analisando o seu significado nada tem de mal se não fosse o tom pejorativo com que normalmente é proferida. Com o desenrolar da conversa podemos escutar mais algumas afirmações igualmente esclarecedoras, “só estão lá para se governar”, “só pensam neles”, “são todos uns ladrões”, “nunca nenhum vai preso” ou melhor ainda “esse só foi preso para nós pensarmos que a justiça é para todos”.
Perante esta percepção da realidade que muitos Portugueses possuem, o que faz a nossa classe política? Mantém práticas descaradas de compadrio e de nepotismo, rejeita aprofundar o quadro legislativo de forma a permitir um combate da corrupção mais eficaz nomeadamente prevendo a criminalização do enriquecimento ilícito, permite que a justiça se descredibilize sistematicamente sem corrigir os seus erros estruturais, concluindo, priviligia a manutenção de um status quo que facilita a actuação de uma determinada teia de interesses, em que alguns agentes continuam a engordar como hienas famintas, com uma fome de poder e de controlo das instituições que nunca está saciada.
Isto significa que a afirmação em causa é verdadeira? NÃO!
Alguns políticos mais ou menos famosos são exemplos de indiscutível idoneidade moral e verticalidade política, contribuindo de forma abnegada para uma melhor sociedade. Exemplos como os de António Barreto ou Adriano Moreira ajudam a comprovar se necessário for que existem bons exemplos na política.
Os nossos políticos não são extra terrestres, imanam da nossa sociedade. Por vezes o seu percurso inclui essas escolas de correção moral e de virtudes, que são as juventudes partidárias; porém, noutras ocasiões, mesmo sem essa formação, a ganância natural do ser humano faz com que rapidamente se adaptem à máquina existente como se fossem uma peça original da engrenagem. Os nossos políticos são igualmente sérios a todos os exemplos que temos na nossa sociedade em convivência diária. O aluno que rouba o teste e que o vende aos colegas na net, o doutor que baseia a sua tese no plágio, o cidadão que forja uma declaração à seguradora, o empresário que deixa a sua empresa falir de forma fraudulenta ou o técnico que inflacciona um orçamento de forma a extorquir dinheiro ao seu cliente, etc…. Todos estes são exemplos entre milhares que se podem observar na nossa sociedade de condutas nas quais a ganância e a desonestidade vencem, condutas reprováveis, pelo menos para mim e que em nada são diferentes das que José Sócrates ou Ricardo Salgado são acusados.
Perante isto o que faz o povo? Alguns elegem políticos condenados como foi o caso da reeleição de Isaltino Morais! Quem votou nele? Extra terrestres? Não, cidadãos Portugueses!
No entanto creio que no nosso País não seremos 10 milhões de desonestos, aldrabões, mentirosos, ou outros mimos com que normalmente alguns apelidam os políticos.
O desinteresse dos cidadãos pela política é tão generalizado que por vezes a abstenção é o “partido” mais votado. Sendo uma opção perfeitamente legítima é aquela que menos contribui para a resolução dos problemas e que demonstra indiferença pelo futuro do País, ou isso ou significa que tudo está bem e que nada precisa de ser alterado.
Enquanto estudei, tive um companheiro de caminhada que possuía alguns gostos bastante antagónicos aos meus, membro de uma claque benfiquista, ateu e percussor de ideais anarquistas. Durante madrugadas sem fim discutimos sobre nós, o homem e o seu papel na existência. Hoje congratulo-me por ser seu Amigo, um socialista cheio de carácter e um excelente cidadão. Conseguiu perceber que a única forma de mudarmos o sistema é fazendo parte do mesmo e de forma realista, paulatina e cirúrgica participarmos em pequenas mudanças que tornem a sociedade melhor.
Tal como alguns analistas políticos de renome estou convicto que se não fosse a nossa integração na UE e os fundos dela recebidos, já teríamos tido uma convulsão social grave, quiçá uma revolução. Aproveitemos por isso essa bengala enquanto ela durar e lutemos por um País melhor. Não fiquemos a aguardar por um qualquer Dom Sebastião ou por um auto proclamado puro lusitano que vai limpar o País dos impuros, como se fosse esse o nosso problema. A vida, sendo efémera, merece que tenhamos uma postura mais informada e ponderada, merece ação em vez de reação, merece comprometimento e não indiferença, merece opiniões amadurecidas nas redes sociais, merece mais de todos nós!
Basta que uma pequena parte dos mais de quatro milhões de abstencionistas das últimas legislativas se interesse pela actividade política para que a mudança se dê, sem cortes com o passado mas aprendendo com os seu erros. Para isso basta ler, estudar e opinar. Participar em fóruns, grupos de trabalho, associações e partidos políticos dando o seu contributo de forma honrada e desinteressada.
Sejamos todos dignos do maior mandato que todos recebemos, o da VIDA!

Telmo Lopes
Responsável Comercial
Militante CDS-PP