CARTAS POMBALINAS | Ser autarca no século XXI

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A um ano das próximas eleições autárquicas é natural que se comecem a falar de candidatos e projectos.
Ser autarca, de freguesia ou de município, é um desafio que tem tanto de estimulante como de exigente, porque, para o nível de preocupações e solicitações a que se está sujeito, é preciso ter um grau de disponibilidade muito grande, dado o forte impacto na vida pessoal e familiar de quem assume responsabilidades a este nível.
Nos dias que correm, o nível de escrutínio a que está sujeito um autarca é cada vez maior em todas as dimensões, tanto por parte das instâncias inspectivas como da própria população.
Se é verdade que, em tempos idos, o “poder” que tinham os autarcas em algumas áreas contribuiu para que muitos se colocassem num aparente nível superior aos seus concidadãos, no século em que vivemos já ninguém aceita tratamentos diferenciados – estamos todos ao mesmo nível: autarcas e cidadãos!
A humildade e a relação próxima com as pessoas e instituições têm que ser uma constante, porque só assim se desenvolvem relações saudáveis de confiança e se conseguem superar os grandes desafios colectivos que temos pela frente.
O combate à corrupção tem que ser uma bandeira, contribuindo para contrariar uma ideia antiga que não era muito abonatória para vários autarcas (temos alguns exemplos espalhados pelo nosso país) que se viram envoltos em processos pouco claros que não dignificam esta nobre função de serviço público.
Ser autarca no século XXI é ter a capacidade de mobilização de uma comunidade em prol de um desígnio colectivo que contribua para o progresso e bem-estar do território onde vivemos e trabalhamos.
Ser autarca no século XXI é confiar nas pessoas, promover o espírito de equipa e de entreajuda, definindo a cooperação e o trabalho colaborativo como métodos preferenciais para evidenciar o melhor que existe em cada colaborador e em cada projecto comunitário.
Ser autarca no século XXI é assumir uma nova agenda focada no impacto que a inovação tecnológica pode ter num conjunto diversificado de novas funcionalidades da nossa vida colectiva.
Ser autarca no século XXI é assumir que a ecologia e a sustentabilidade são critérios prioritários nos nossos processos de escolha, tornando o nosso território cada vez mais verde e impulsionador de hábitos de vida saudáveis.
Ser autarca no século XXI implica reconhecer que o desafio do envelhecimento da nossa população é uma oportunidade para se avançarem com novos projectos que mobilizem este saber e experiências acumuladas em prol da nossa comunidade.
Ser autarca no século XXI é colocar as famílias e as crianças no topo das nossas acções, tornando o nosso território cada vez mais atractivo e agradável para que cada vez mais casais queiram implementar aqui os seus projectos de vida.
Ser autarca no século XXI implica assumir mais competências nas áreas da educação, saúde, cultura e acção social, mobilizando os diversos agentes que operam nestes sectores para que contribuam para o fortalecimento destas áreas vitais para o nosso concelho.
Ser autarca no século XXI é ser um promotor de Pombal, empenhado na captação de investimento; no crescimento de empresas e unidades industriais; na criação de emprego qualificado para reter talento na nossa terra; no fomento do empreendedorismo e no apoio a novas ideias de negócio; no fomento da criatividade e na criação de uma impactante estratégia de valorização dos produtos e serviços locais.
Ser autarca no século XXI é estar permanentemente disponível para ouvir, acolher e ABRAÇAR as boas ideias que, independentemente da sua proveniência, contribuam para o desenvolvimento e dinamismo da nossa terra.
Ser autarca no século XXI é substituir a política do betão pela política do coração, colocando muito mais humanismo, alegria e paixão nas funções que se exercem.
Ser autarca no século XXI é ser genuíno e autêntico, assumindo que temos qualidades mas que também temos defeitos que queremos melhorar (sabendo pedir perdão quando for o caso) e que somos as mesmas pessoas no exercício de funções públicas ou fora delas.
Dado o enorme grau de responsabilidade e a exposição pública permanente a que está sujeito um autarca, o único antídoto para conseguir ultrapassar todas as dificuldades e exigências, é ter um amor muito grande pela sua terra e pelas suas gentes. Só assim faz sentido!
Para ser autarca é preciso ter vocação, espírito de missão e uma conduta íntegra baseada nos valores da humildade e da dedicação genuína a esta terra que nos viu nascer e crescer!
A verdade é que a nossa região tem muito potencial e tenho a certeza que os nossos concidadãos vão continuar a ter representantes que estarão à altura das suas responsabilidades, com sentido de união e renovada esperança num futuro melhor para as nossas comunidades!

Um forte abraço amigo,
Pedro Pimpão
pedropimpao@gmail.com

Pombal, 17 de setembro de 2020

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Pedro Pimpão é natural de Pombal, tem 36 anos, é casado e tem dois filhos. É advogado de profissão e actualmente desempenha as funções de deputado à Assembleia da República, tendo sido eleito pelo círculo eleitoral de Leiria. É Presidente da Assembleia de Freguesia de Pombal, membro da Assembleia Municipal de Pombal e membro da Assembleia Intermunicipal da Região de Leiria. É licenciado em Direito pela Universidade Coimbra, contando com Pós-Graduações em Direito Administrativo, Gestão Autárquica, Direito dos Contratos Públicos e Direito Municipal Comparado Lusófono. É Mestrando em Ciência Política pelo ISCSP – Universidade de Lisboa.