N(A) ESCOLA DA VIDA | Praça, Palco e Persistência

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As noites frescas lembram aquelas de um verão recentemente ido, num agosto cozinhado a-gosto. Culturalmente servido da forma possível, face às circunstâncias que nos toldam os sentidos. Bálsamo por entre os dias abafados que nos prendem em liberdade.
Foi no passado mês. Por momentos, a Praça Marquês de Pombal vestiu-se de luz e de cor para receber o Festival Sete Sóis Sete Luas, transportando-nos no abraço de sons e de vozes quentes para um mundo em que a Arte se eleva e nos conforta. A fusão de instrumentos tradicionais e a miscigenação cultural foram o expoente de noites que embriagaram o público, sedento de oportunidades desta natureza e de tamanha fertilidade.

Hoje, à distância dessas noites, ainda ouço dentro de mim os artistas agradecerem porque era o primeiro espetáculo que proporcionavam, ao vivo e com público, desde a clausura a que uma pandemia nos fez render. Revisito o espaço, agora mais despido e outonal, com cadeiras em desenhos geométricos que ditavam o desejável distanciamento físico, mas não o social.
Entretanto, também as portas do Teatro-Cine reabriram. Detive-me, por frações de segundo, sem descer as escadas. 6 de março, Be-Dom e uma sala lotada que aclamava, em êxtase. A última vez que havia ali entrado. Agora, despida, cadeiras solitárias e corpos afastados.
O Manobras – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas também trouxe à Praça histórias e encantos, em fins de tarde mornos e precocemente anoitecidos, ensinando-nos que a vida é mesmo isso: uma faina permanente, um avançar e abrandar a marcha sempre que necessário for. Para inspirar e seguir.
Sim, a própria Arte teve de se reinventar e moldar, girando sobre si própria numa autodescoberta também ela sem precedentes. E tocou, sem tocar, como tantas vezes tem o dom de fazer. Persistente, como tão bem saber ser. Aprendamos com ela, manobrando estes tempos no devir coletivo que faz da nossa malha um verdadeiro tecido humano.

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Embora os documentos legais a identifiquem como natural de Pombal, foi em Coimbra que respirou autonomamente pela primeira vez. Assim, desde o penúltimo dia de dezembro de 1982 assumiu um compromisso com a vida: aprender a ser. Quase duas décadas depois regressou à cidade do Fado e do Mondego para dar continuidade à sua formação académica na área de Ciências da Educação. Aprofundaria aqui o significado de outro pilar: aprender a conhecer. Começou a aprender a fazer em 2007, quando a socialização profissional lhe abriu as portas no ramo da Educação e Formação de Adultos, no qual tem trabalhado e realizado investigação. Gosta de “sair por aí” e observar e fotografar todas as esquinas. Reserva ainda tempo para a escrita, sentindo-a como um elixir lhe permite (re)descobrir uma energia anímica e uma força motriz nos cantos mais inóspitos aos quais muitos olhares não associariam qualquer pulsar. É, neste campo, autora de obras literárias individuais e de vários textos e poemas publicados em coletâneas. E é assim que lê, sente e inala o mundo, num permanente aprender a viver com os outros.