HIC ET NUNC | Conservadorismo por um jovem conservador

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O conservadorismo é uma das ideologias que sempre identificou o partido que represento, o CDS-PP, e acredito que tem atualmente uma “má imagem”, pela tendência da sociedade em exagerar nas interpretações que faz de certos conceitos, levando-os até ao extremo. Eu próprio quando digo aos meus amigos que sou conservador eles acabam por me pintar com a imagem errada do conservadorismo, sendo essa imagem a de uma pessoa que quer viver a vida como se estivesse no século XIX.
De facto, ser conservador pode ter várias vertentes e extensões que tornam o seu significado demasiado ambíguo, até chegar ao ponto de ser confundido com a defesa da restrição da liberdade. A liberdade, em que acredito, apenas deve de ser limitada por regras que permitam a toda a gente usufruir desse grande direito de maneira a não nos limitarmos uns aos outros . Apenas com essas regras e um pouco de ordem, é que podemos alcançar as condições para uma sociedade próspera, caso contrário, somos conduzidos à anarquia.
Para mim ser conservador resume-se àquela frase muito comum dentro do CDS-PP que é “ser conservador nas tradições e costumes e liberal na economia”. Este tipo de conservadorismo é fortemente inspirado pela democracia cristã, que é a ideologia que defende os ensinamentos e princípios cristãos, tais como o personalismo, o humanismo e a solidariedade. Estes ensinamentos e princípios estão na base da cultura portuguesa, embora um pouco esquecidos, e eu tento ao máximo renová-los constantemente em mim e naqueles que me são próximos. Princípios estes, que muito resumidamente, são princípios que colocam o ser humano no centro de tudo, em que se procura valorizá-lo não só pelo seu esforço no trabalho mas também por tudo o resto que ele tem para oferecer à sociedade especialmente a sua opinião. Nestes princípios também se procura a igualdade de oportunidades e liberdade nas escolhas, não só nas pequenas decisões que fazemos diariamente mas também nas grandes decisões como o que estudar e onde estudar. Também não nos devemos deixar limitar pelas profissões “modelo” que toda a gente tenta alcançar pelo estatuto ou pelo conforto financeiro e sim ir à procura daquilo que é a nossa vocação e poder explorá-la e partilhá-la ao mundo.
Relativamente às tradições e aos costumes, acredito que devem de ser preservadas pelo seu verdadeiro significado sendo que a sua defesa não representa que sejamos contra a inovação. Acredito que muita gente vê a inovação como o oposto da tradição, mas na realidade, a tradição e inovação coexistem e até mesmo complementam-se, desde que sirvam as necessidades e aspirações do ser humano. Quando isso não acontece, por norma, vemos estes dois conceitos como opostos um do outro. As tradições que não respeitam os direitos humanos, tendem a desaparecer por elas mesmas por não se enquadrarem com o pensamento moderno.
Para concluir, acredito que apenas explorando um pouco o que é ser conservador é que podemos compreender a necessidade desta ideologia na nossa sociedade, e também acredito que todo o ser humano é conservador, pois há sempre um qualquer tema em que todos nós defendemos essa perspetiva.

Francisco Constantino
Militante do CDS-PP