DA ILUSTRE TERRA DO MARQUÊS | Grandes em quê?

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Para evitar mal entendidos e interpretações menos corretas, devo começar por dizer que gosto muito de futebol, que jogava com prazer nos bons velhos tempos da juventude e até mais tarde, enquanto o físico aguentava e que sou benfiquista desde que me conheço.
Mas, é como cidadão e como português que vejo, com muita preocupação, o que se passa com os chamados “três grandes” do futebol português, especialmente no que ao futebol diz respeito. Mas não só, porque também na área económica e financeira existem razões para nos preocuparmos. Há tempos atrás, mas ainda não muito distantes, escrevi que o futebol é “o espelho da nação”, verdade que, infelizmente, continua muito presente.
Vejamos então o que se passa, na área da economia e finanças, com as sociedades anónimas desportivas (SAD`s) que substituíram os clubes para que os órgãos sociais fossem bem remunerados, de modo a não dependerem apenas das chorudas comissões que recebiam por via das transferências milionárias dos craques do futebol. No quadro, são apresentados os números mais importantes, que foram publicados, relativos ao balanço e aos resultados do 2º Semestre de 2017.
Convidamos os prezados leitores a analisar, calma e ponderadamente, estes números, porque, mesmo os que não forem especialistas em contas empresariais, chegarão a conclusões interessantes sobre o modo como estas três SAD`s estão a ser geridas. Prejuízos que se vão acumulando no caso do FCP e em recuperação, segundo, parece nos outros dois. Endividamentos elevados, para comprar craques, para construir estádios megalómanos, apoiados no desvario governamental aquando do Euro 2004. Capitais próprios negativos ou reduzidos em relação às entradas dos sócios.
Se os sócios e simpatizantes investiram parte das suas economias em ações destas SAD`s à espera de obter rendimento (situação normal numa empresa privada), viram os seus objetivos frustrados, talvez compensados por eventuais resultados desportivos. Mas, já em relação às obrigações, vemos, com surpresa, as elevadas taxas de juro dos últimos empréstimos lançados para subscrição pública: 4,75% no caso do FCP e 6,5% no caso do SCP. Numa época em que obter uma taxa de 1% em depósitos a prazo já é muito bom, as taxas referidas são fantásticas e permitem especulações sobre a rentabilidade do negócio ou se os empréstimos são mesmo para pagar, tanto mais que está na moda perdoar, dívidas de muitos milhões, aos maiores caloteiros… Estamos em Portugal e parece ser o novo normal, a que nos temos que habituar resignadamente, apesar de sabermos que seremos nós e as próximas gerações a pagar estes desvarios.
Mas, infelizmente, a irracionalidade económica e financeira anda a par com a desportiva, parecendo que só é possível ganhar com alguma ou muita corrupção à mistura. Começou pelo “Apito Dourado” onde ficou provado que o FCP conseguiu muitas vitórias que lhe deram a supremacia no futebol português, à custa da corrupção dos árbitros. Há evidências, há provas, muita “fruta“ pelo meio, mas a justiça foi abafada e controlada, sob a proteção de uma Procuradoria Geral da República que, também na área política, decidiu destruir provas para evitar condenações.
Esta situação, felizmente, já não se verifica, porque a justiça parece estar a funcionar. As investigações em curso apontam para a circunstância de o SLB ter usado os mesmos processos do FCP para, nos últimos anos, obter vitórias. Ter-se-á chegado à conclusão que a única maneira de ganhar campeonatos de futebol, era à custa de processos menos limpos, ignorando a verdade desportiva. Os últimos acontecimentos parecem indicar que o SCP ia pelo mesmo caminho, não tendo tido sucesso no futebol, mas sim noutras modalidades.
Pobre País que tais dirigentes e responsáveis desportivos tem!

manuel.duarte.domingues@gmail.com

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Natural de Viuveiro, Vila Cã, Pombal (1948), residente em Pombal. Licenciado em Controlo de Gestão pelo Instituto Superior de Contab. e Administ. de Coimbra. Contabilista e Consultor de Empresas desde 1977. Revisor Oficial de Contas desde 1993 (de Empresas públicas e privadas, cooperativas, autarquias, etc.). Fiscal Único no âmbito do Ministério da Saúde de diversos Hospitais EPE, desde 2002. Presidente do Conselho Fiscal da Vista Alegre Atlantis, SGPS, SA. Ex-Professor do Ensino Secundário (EICPombal) e do Ensino Superior (ISCAC e ISLA). Serviço público prestado: Oficial Miliciano de Administração Militar, Membro da Assembleia Municipal de Pombal e Presidente da Assembleia de Freguesia de Vila Cã. Cargos exercidos em associações: Vice-Presidente da Direção da A H B V Pombal; Presidente do Conselho Fiscal de: AICP–Assoc.Indust.Conc.Pombal; da Santa Casa da Misericórdia de Pombal; e do Sporting Clube de Pombal. Presidente e Membro da Comissão Revisora de Contas da Fundação Rotária Portuguesa. Cargo atual: Presidente do Conselho Fiscal da A. H. dos Bombeiros Voluntários de Pombal, desde 2005. Livros publicados: “DA ILUSTRE TERRA DO MARQUÊS…” – 1º Volume (2011, 2ª edição 2013); 2º Volume (2016), reunindo crónicas publicadas em jornais e revistas e outros escritos, destinando-se o produto da venda, integralmente, a Instituições de Solidariedade Social.