A VER | Varda

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Agnés Varda passou recentemente a ser a pessoa mais idosa a receber uma nomeação para os Óscares. Um “record” que alcançou por ser uns meros oito dias mais velha que James Ivory (nomeado na categoria de argumento), numa vida que já leva 89 anos. A nomeação é na categoria de Melhor Documentário, um estilo que lhe é particularmente querido, pelo filme “Olhares Lugares”, feito em co-autoria com o fotógrafo e street-artist JR, que estreou na semana passada em Portugal. Mas em Novembro do ano passado, passou também a ser a primeira mulher a receber um Óscar honorário, pelo conjunto da sua obra que se iniciou em 1955.
Não sendo detententora de uma filmografia com grandes sucessos, esta belga de nascimento, mas francesa por afinidade, é alvo de uma grande simpatia por parte dos cinéfilos. Isso deve-se não só à longevidade da sua carreira, mas também à simpatia e sentido de humor que continua a marcar os filmes que dirige (e não só…). Exemplo disso foi a sua substituição no jantar dos nomeados para os óscares por vários cartazes de papelão com a sua figura. De entre os filmes que realizou, destaco “La Pointe-Courte”, o sua primeira obra quando tinha 25 anos e que é um precursor da Nouvelle Vague francesa; ou “Duas Horas na Vida de uma Mulher”, talvez o seu maior sucesso de crítica. Outras das suas obras maiores na ficção são “Sem Eira nem Beira”, de 1985, e “Jacquot de Nantes”, de 1991, o seu tributo emocionado ao marido recentemente falecido, o também realizador Jacques Demy. No seu filme mais recente, o tal “Olhares Lugares” que está nomeado para um Óscar, Agnés junta-se a um artista bem mais jovem para percorrer a França rural, numa busca de preservação de memórias de gente anónima. E nessas viagens, percorre também algumas das suas próprias memórias e das muitas fotografias que tirou ao longo da vida. E é tão fácil gostarmos desta avozinha que brinca, sente que está a perder a visão, mas também se emociona.
Apenas por curiosidade, digo-lhe que Agnés Varda foi uma das cinco pessoas presentes no funeral de Jim Morrison.

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Biólogo Marinho de formação e pós graduado em Turismo de Natureza, nunca exerceu profissionalmente em qualquer uma das áreas. Há uns bons anos iniciou-se nas lides radiofónicas e esse bichinho ainda hoje perdura. O gosto que tinha pelo Cinema, desde tenra idade, foi apurado nos tempos universitários e, por estes tempos, não passa um dia sem ver, no mínimo, um filme. Não perguntem qual o seu preferido pois o gosto pode variar consoante a hora. Balança de signo, mas Leão de coração, gosta de viajar e ambiciona conhecer os quatro cantos do mundo. Mas quem não sonha com o mesmo?