Vítima do incêndio recorda “verdadeiro holocausto em Portugal”

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“Hoje é o dia que assinalamos um verdadeiro holocausto em Portugal, pela destruição de vidas e bens”. Foi desta forma que a presidente da Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG), Nádia Piazza, se referiu, na passada segunda-feira, dia 17, à tragédia ocorrida há dois anos.
A dirigente falava durante a cerimónia de assinatura de um protocolo com a empresa pública Infraestruturas de Portugal para a edificação de um memorial às vítimas dos incêndios do Verão de 2017. Perante uma plateia onde estava o primeiro-ministro, a presidente da AVIPG salientou que “todos precisam de seguir em frente, mas não se segue em frente sem antes enfrentar o passado”, mostrando-se apreensiva sobre o que “foi feito e falta fazer”.
“Mas hoje tenho esperança de que este dia nunca será esquecido para que não volte a acontecer, porque em 2017 vivemos um holocausto”, sublinhou.
Na sessão realizada na Câmara de Castanheira de Pera, a dirigente associativa, que perdeu um filho no incêndio, salientou que o memorial da autoria do arquitecto Eduardo Souto Moura “não será uma pedra tumular, mas um espaço de lembrança colectiva e a página que falta virar, e, para muitos, um local de reflexão”.
O memorial, que ainda não tem data prevista para ser construído, será constituído por uma balsa de água ligado a uma fonte, que simboliza a vida e o nascimento. Para Nádia Piazza, “o memorial será isso mesmo: mergulhar sem afogar, e embrenhar-se num estado de profundo reflexão e respeito, que faz lembrar que [as vítimas] eram pessoas amadas”.
Segundo afirmou, o objectivo é “aliviar os traumas dos que por lá passam e tornar-se num local de convívio sentido da comunidade e de todos aqueles que também não se querem esquecer e lá depositem o seu respeito”.
Na mesma cerimónia, o primeiro-ministro afirmou que as causas profundas dos incêndios “nunca serão resolvidas” a partir dos meios de combate.
“Depois de 2006, muitos acreditaram que estávamos a salvo e as alterações que tinham sido feitas na Protecção Civil e as estatísticas de redução de áreas ardidas significavam que tínhamos virado uma página. Infelizmente, a página não se virou, porque as causas profundas nunca serão resolvidas nos meios de combate”, disse António Costa.
Segundo o primeiro-ministro, as causas dos incêndios que afectam o país de forma cíclica apenas poderão ser combatidas quando se conseguir “vencer o desafio extraordinário de revitalizar estes territórios de baixa densidade” e se conseguir “concluir a reforma da floresta”.
“Ninguém nos poderá perdoar alguma vez se não fizermos tudo aquilo que está ao nosso alcance para enfrentar estes dois desafios. Não são dois desafios para amanhã, mas dois desafios de médio e longo prazo que não podemos adiar mais uma vez, porque se não, mais uma vez, nós falharemos o compromisso que temos de ter de que isto nunca mais volte a acontecer”, frisou António Costa.
O incêndio que deflagrou há dois anos em Pedrógão Grande e que alastrou a concelhos vizinhos provocou a morte de 66 pessoas e 253 feridos, sete dos quais graves, e destruiu cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.

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Ingressou no jornalismo, em 1989, como colaborador no extinto “Pombal Oeste” que foi pioneiro na modernização tecnológica. Em 1992 foi convidado a integrar a redacção de “O Correio de Pombal”, onde permaneceu até 2001, quando suspendeu a profissão para ser Director de Comunicação e Marketing de um grupo empresarial de dimensão ibérica. Em 2005 regressou ao jornalismo, onde continua, até aos dias de hoje, a aprender. Ao longo destes (largos) anos de actividade, atestados pelo Carteira Profissional obtida em 1996, passou por vários jornais, uns de âmbito regional e outros nacional, onde se inclui o “Jornal de Notícias” e “Público”. Foi convidado a colaborar, de forma regular, com o “Pombal Jornal” onde se produz conteúdos das pessoas para as pessoas.