O stress e a alimentação

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Nestes últimos tempos, devido à Pandemia Covid-19, estivemos sujeitos a realidades inéditas, novas exigências e mudanças de comportamentos, o que originou uma série de incertezas quanto ao futuro próximo nas pessoas, nas famílias, provocando mais ansiedade e stress em todos nós, nas mais diferenciadas formas.
Observou-se neste período um grande aumento no consumo de medicamentos para combater a ansiedade e a depressão, o que é preocupante para a nossa sociedade, no entanto, a alimentação e o estilo de vida são aliados muito importantes na redução do stress.

O Pai da Medicina Hipócrates (460-377 A.C, 83 anos), disse de uma forma muita sábia o seguinte: “Faz do alimento o teu medicamento, e do teu medicamento o teu alimento”, e esta frase continua muito actual, passados todos estes séculos.
Foi investigada e estabelecida a ligação entre a ingestão de frutas e vegetais e os níveis de stress de mais de 8.600 australianos com idades entre os 25 e os 91 anos, de acordo com uma nova investigação da Universidade Edith Cowan (ECU), na Austrália.
As descobertas revelaram que as pessoas que comeram pelo menos 470 gramas de frutas e vegetais diariamente tiveram níveis de stress 10% mais baixos do que aqueles que consumiram menos de 230 gramas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda comer pelo menos 400 gramas de frutas e vegetais por dia.
Simone Radavelli-Bagatini, investigadora principal do Instituto de Investigação em Nutrição da ECU, afirma que o estudo fortalece a ligação entre a dieta saudável e o bem-estar mental. “Descobrimos que as pessoas que ingerem mais frutas e vegetais ficam com menos stress do que aquelas que ingerem menos, o que sugere que a dieta desempenha um papel fundamental no bem-estar mental”.

O stress de longo prazo e não gerido pode levar a uma série de problemas de saúde, incluindo doenças cardíacas, diabetes, depressão e ansiedade,então precisamos de encontrar maneiras de prevenir e possivelmente aliviar os problemas de saúde mental no futuro”, explica a investigadora.

Para além do consumo de fruta e vegetais (470g por dia, variar nas cores dos alimentos), o consumo máximo de 300 mg de cafeína (300mg, 3 chávenas de café por dia), a redução de alimentos processados (ricos em gordura e açúcar), uma boa hidratação (2 litros de água por dia), o aumento de consumo de alimentos ricos em fibra alimentar (cereais integrais, arroz e massa integral, aveia, linhaça, frutos secos, sementes de girassol, etc) e um estilo de vida saudável (actividade física regular, rir, ler, escrever, ouvir música, yoga, boa higiene de sono, boa gestão de tempo, meditação, entre outras actividades), tudo conjugado de um modo equilibrado e consistente, ajudam na redução de stress.

Concluindo, a alimentação e o estilo de vida, juntos, têm influência na redução de stress.


António Cordeiro
Nutricionista
CP:0728 N