Filipe Xavier, o saxofonista que ambiciona lançar um CD

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Filipe Xavier tinha cerca de 10 anos quando ingressou na Sociedade Filarmónica Louriçalense (SFL), muito por ‘culpa’ do avô paterno, José Dias, antigo músico da instituição e presidente da direcção ao longo de 20 anos (já falecido). Era com ele que assistia, aos sábados, aos ensaios da banda, despertando no então menino a vontade de aprender a tocar um instrumento. Foi ali que pegou pela primeira vez num saxofone, e o “fascínio” foi “imediato”.
O instrumento acabaria por se tornar um ‘caso sério de amor’ e hoje, prestes a completar 36 anos de idade, o músico orgulha-se da carreira profissional construída até agora, mas não esconde a vontade de chegar bem mais além.

“Aquando do meu ingresso na banda, foram-me dados à escolha alguns instrumentos”, nomeadamente os que havia mais necessidade, “no sentido de colmatar o que fazia falta na banda”, recorda o músico sobre a opção tomada na meninice.
Ainda que não tivesse tido “muitas hipóteses de escolha”, a verdade é que “depois de segurar o saxofone pela primeira vez”, Filipe percebeu que era aquele o caminho que queria seguir. E argumentos não lhe faltaram: “pelo seu formato, mas essencialmente pelo seu som, muito rico e versátil para qualquer estilo” e, ao mesmo tempo, “intemporal”. Características distintivas que o levam a partilhar a expressão que um dia ouviu: “o seu som é uma extensão da alma”.

Apesar das ligações familiares ao Louriçal, Filipe Xavier nasceu em Coimbra e foi também na cidade dos estudantes que, já bem mais tarde, fez parte da formação musical, no Conservatório Musical de Coimbra. Foi aqui que percebeu que a música, e sobretudo o saxofone, haveriam de ser bem mais do que um passatempo.
“Na altura residia em Pombal e tinha aulas três vezes por semana em Coimbra, o que, conjugado com o estudo e treino, me ocupava bastante tempo”. Um grau de “exigência” que já não era compatível “com a ideia de se tratar de um mero passatempo”, conta, ao recuar à época em que percebeu que “efectivamente queria seguir com o saxofone o mais longe possível”. Mas para isso “tinha e tenho que me esforçar e continuar a trabalhar todos os dias, no sentido de melhorar e de me superar, cada vez mais”, constata. “É um facto que, como músico, é fundamental estar atento às novas tendências musicais e absorver todo o conhecimento possível”, o que obriga a “formação contínua”.
À formação de base, Filipe Xavier tem vindo a somar muitas outras competências. “Fui também fazendo vários cursos de aperfeiçoamento do instrumento,” tendo frequentado, entre outros, a Escola de Jazz Luiz Villas Boas – Hot Club de Portugal, em Lisboa. “No entanto, estou em crer que há um momento, quando o músico já tem uma base sólida de conhecimentos, em que deverá concentrar-se em refinar e aprimorar as suas capacidades adquiridas, uma vez que é uma arte ou conhecimento que não tem fim”. Isto faz com que se esteja “em permanente aprendizagem, tendo em conta que todos os dias se aprendem coisas novas e se desenvolvem novas técnicas”muitas delas à disposição na internet, “onde existe muita informação e material de apoio para estudo”.
É desta encruzilhada de conhecimentos que cada músico constrói, depois, “o seu próprio caminho”, nota o saxofonista.

2008, o ano da viragem
Filipe começou por trabalhar sozinho, mas em 2008 percebeu que estava na hora de dar um novo passo e entrar no mercado dos eventos musicais, com a particularidade de, à data, não haver “nenhum saxofonista a fazê-lo”. Uma decisão que lhe permitiria dar-se a conhecer ao público, mas também “rentabilizar os conhecimentos adquiridos”. E em boa hora o fez, como o comprova a “óptima aceitação” que recebeu por parte do público, mas Filipe rapidamente percebeu que poderia “diversificar e enriquecer” ainda mais o espectáculo.
Juntamente com Milene Mota (a namorada com quem viria a casar e ter dois filhos), criou o Sax&Voice, um projecto em formato dueto que alia o saxofone à voz.
“Começámos por fazer todo o tipo de eventos musicais”, com actuações em hotéis, restaurantes e eventos empresariais, mas o projecto foi crescendo e alargando também os horizontes, incluindo o “mercado dos casamentos” na agenda. Hoje, é neste domínio que o grupo tem forte expressão, sobretudo na zona de Lisboa e Porto. “Contudo, devo dizer que felizmente cada vez vou tendo mais solicitações na minha área de residência, que é Pombal, por parte de futuros noivos para acompanharmos musicalmente a sua cerimónia de casamento”, como faz questão de realçar Filipe Xavier.
“Hoje em dia, com a evolução das redes sociais e tendo em conta que tenho uma forte presença nas mesmas, o público acaba por conhecer o meu trabalho, o que me leva a receber contactos dos vários pontos do país”, de tal forma que, “se tudo correr bem, espero em breve actuar fora de Portugal”.
Para além do projecto Sax&Voice, Filipe não esconde o gosto pelo ensino “desta arte” e lecciona também aulas de saxofone, a título particular, como forma de “passar o conhecimento a todas as pessoas que queiram aprender a tocar este fantástico instrumento”, salienta.

A inspiração de Ricardo Branco
Com um portofólio já longo, Filipe Xavier reconhece que não é fácil eleger a actuação que mais o marcou, porque todas são “especiais e diferentes”, tal como o público. Ainda assim, o músico recorda a recente participação nos festejos de fim de ano, na Figueira da Foz, juntamente com o DJ NS, a convite da Câmara Municipal. A actuação da dupla pombalense seguiu-se à da conhecida artista Bárbara Bandeira, tendo-se revelado, nas palavras do saxofonista, “uma experiência incrível e marcante”.
Recentemente, foi possível ouvi-lo na FNAC Leiria, assim como na inauguração do Posto de Turismo de Pombal. “Como artista da terra, foi com muito gosto que recebi este convite”, realça.
Dos saxofonistas portugueses que mais o inspiram, Filipe destaca Ricardo Branco, mas quando a esfera passa a ser internacional, a este nome juntam-se, entre outros, os de Dave Koz, Gerald Albright, Candy Dulfer, Mindi Abair, Eric Merientahl ou Eric Darius.
Dos projectos que gostaria ainda de concretizar, o músico revela que terá, em breve, um em que “a boa sonoridade do saxofone no fado” será acompanhada “pela magnífica voz da Milene Mota”, mas não vai ficar por aqui. “Irei lançar também um projecto de música de rua, onde estarei presente em várias cidades do país, para fazer chegar a minha música a um maior número possível de pessoas”, sendo que o ponto de partida será dado “obviamente” na cidade de Pombal, onde vive.
Enquanto saxofonista, Filipe ambiciona “lançar um CD com temas originais e ser cada vez mais reconhecido”.

 

  • Filipe Xavier não tem dúvidas de que a aprendizagem de um instrumento só é possível “com muito trabalho”. Mas há algo transversal ao que a formação oferece. “Algo difícil de descrever”, como refere o músico, porque “não se aprende”, uma vez que “já nasce com o músico”. E é isso que, no entender do saxofonista, “acaba por fazer a diferença”, eventualmente, mais até do que “a técnica aprimorada”, porque reside na “capacidade de conseguir fazer chegar ao público as emoções e sentimentos que cada música carrega. Penso que é isto que me diferencia dos outros músicos”, mas não só. Filipe destaca, também, “a versatilidade” como instrumentista. “É um facto que tanto posso estar a tocar numa cerimónia religiosa de um casamento, com música mais erudita, como de seguida posso estar num grande palco, a tocar para milhares de pessoas com um estilo de música mais comercial, à semelhança do que aconteceu na passagem de ano na Figueira da Foz”. Neste universo, acredita que o seu trabalho faz também a diferença por “ser autêntico e genuíno”, assente num “estilo próprio”, e a sua capacidade de resiliência, de “nunca desistir”.

 

  • A viver na cidade de Pombal, sempre que o tempo livre lhe permite, Filipe Xavier gosta de ouvir música, fazer desporto e aproveitar o tempo “da melhor maneira” com os dois filhos.
    O trabalho do saxofonista pode ser acompanhado no Instagram (filipexaviersax), Facebook (Sax&Voice Events), Youtube (filipexaviersax) e Spotify (Filipe Xavier Sax).

 

*Notícia publicada na edição impressa de 04 de Maio