Empresário do Montijo paga a equipa para ajudar vítimas da tempestade

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Chegaram com um camião carregado de telhas, trabalhadores e tempo. Vieram do Montijo, sem ligação prévia à região, apenas com a convicção de que era preciso ajudar.

Nuno Dinis, empresário da área da construção civil, decidiu mobilizar-se depois de perceber a dimensão da destruição provocada pela tempestade Kristín. “No domingo à noite cheguei a casa e disse à minha mulher e às minhas filhas: isto não, tenho de fazer alguma coisa.”

A decisão transformou-se rapidamente em acção. Primeiro levou geradores para Leiria. Agora, chegou ao concelho de Pombal com material e uma equipa. Através de “uma rede de contactos, percebi estavam a fazer uma angariação de bens essenciais, mas não tinham transporte. Quando soube, prontifiquei-me de imediato”.

As telhas foram doadas por terceiros. O transporte fica por sua conta. “Ofereci o carro e trouxe os meus funcionários. Estão a trabalhar como num dia normal. Eu pago do meu bolso para eles estarem aqui”.

A iniciativa nasceu de uma cadeia improvável de contactos: um grupo de WhatsApp entre pais de alunos. Não conhecia ninguém da região. Ainda assim, avançou.

O impacto do que encontrou no terreno foi imediato. “Em Lisboa ninguém tem noção do que se está a passar. Vêem-se imagens, mas não se percebe a dimensão.”

E a dimensão, sublinha, é difícil de explicar. “Isto não são dez casos. São milhares. A missão está longe de terminar. Depois desta entrega, já estão planeadas novas deslocações. “Já temos mais oito paletes para trazer. Onde for preciso”, assim como geradores.

Sem qualquer ligação directa à região, Nuno Dinis garante que a motivação é simples. “Só de saber que as pessoas vão ficar melhor, já vale a pena.”

Ana Laura Duarte