Kristin: Horta Fixe vê estruturas e investimento solar voar com o vento

0
947

A empresa familiar Horta Fixe, sediada em Bonitos, na freguesia de Almagreira, contabiliza prejuízos na ordem dos 400.000 euros na sequência da passagem da tempestade Kristin, que destruiu estruturas agrícolas, arrancou painéis solares e obrigou a dias consecutivos de limpeza e reorganização do trabalho.

O marido de Alice Fernandes “foi comprar ferro para reforçar as estruturas danificada”, sinal de que a recuperação começou de imediato e sem esperar por terceiros. “Estamos à espera que viesse a Câmara ou a Junta? Não. Temos de fazer a nossa parte”, afirma a empresária, entre a indignação e o pragmatismo de quem sabe que cada dia parado representa perdas acrescidas.

A violência do vento arrancou cerca de uma centena de painéis solares, dos 200 instalados, “um dos investimentos mais relevantes da empresa nos últimos anos”. A aposta na energia fotovoltaica tinha permitido reduzir drasticamente a factura eléctrica. “Antes pagávamos 3.000 euros de luz por mês. Actualmente estávamos a pagar cerca de 400. Foi um alívio enorme para nós”, explica. Com a destruição do sistema, além do prejuízo directo do equipamento, regressa o receio de custos fixos difíceis de suportar.

No terreno, a tempestade deixou areia acumulada, portas empenadas e estruturas metálicas retorcidas. Alice Fernandes recorda o impacto visual dos primeiros momentos após o temporal: “Fiquei a olhar para tudo cheio de areia, naquela janela, naquelas portas. É uma sensação de impotência.” Perante o cenário, os trabalhadores mobilizaram-se mesmo fora do horário habitual. “No domingo, vieram todos trabalhar de manhã. Isto também é deles. A segurança deles não está em causa, mas o futuro depende de todos”.

A empresária admite que o contexto agrava fragilidades já existentes no sector agrícola, nomeadamente a escassez de mão-de-obra. “Faz falta gente para trabalhar na agricultura. Ainda bem que temos a equipa que temos, porque sem eles não sei como seria”, sublinha enquanto explica que emprega 15 funcionários.

Para a Horta Fixe, a tempestade não significou apenas danos materiais. Representou um abalo num projecto familiar que vinha a investir na modernização e na sustentabilidade energética. “Andamos anos a construir, a melhorar, a poupar onde podíamos. De um dia para o outro, parece que voltámos atrás”, lamenta Alice Fernandes.

A recuperação está em curso, mas a incerteza mantém-se. Entre estruturas a reforçar e contas por refazer, a empresa tenta manter a actividade e preservar os postos de trabalho.

Ana Laura Duarte
[Notícia publicada na edição de 24 de Fevereiro 2026]