Tempestade Kristín destrói casa e laboratório de fotógrafo na Barrosa

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Primeiro ouve-se a água. Uma gota. Depois outra. E outra. O som repete-se, paciente, insistente, a cair num chão totalmente encharcado. Pelo meio, o ranger lento da madeira húmida e o vento que atravessa chapas provisórias colocadas à pressa. A tempestade passou, mas a casa continua a falar, e o que se escuta é uma espécie de lamento contínuo.

Na Barrosa, freguesia de São Simão de Litém, a habitação de Telmo Mendes, fotógrafo especializado em processos históricos de fotografia, ficou profundamente danificada pela passagem da depressão Kristín, na madrugada de 28 de Janeiro. A casa era muito mais do que morada: era refúgio, laboratório e espaço de criação.

Durante vários anos, Telmo Mendes dedicou-se à recuperação do imóvel praticamente sozinho. Comprou andaimes, refez rebocos, tratou fachadas, instalou caleiras, executou canalizações e electricidade. “Saiu-me do corpo”, resume. No exterior, construiu um laboratório especializado em processos fotográficos históricos, onde desenvolve o seu trabalho, um projecto que exigiu cerca de dois anos até ficar concluído. “Agora estava exactamente como o idealizei”, lamenta.

“Ouvi as telhas a partir e a voar. Percebi logo: a chaminé estava a cair. O estrondo foi imediato. Abriu-se um buraco dentro de casa”, recorda. Durante a madrugada, refugiou-se num canto da cozinha, o único espaço que considerou minimamente seguro. “Não entrei em pânico. Estive sempre alerta.”

Ao amanhecer, começou a fotografar os estragos. O que encontrou foi uma casa encharcada. A água infiltrou-se nas vigas, nos forros, nos isolamentos e no pavimento. “A casa está toda ensopada. Isto é tudo em madeira, vai criar fungos e afectar a estrutura principal”.

Ana Laura Duarte

[Notícia completa na edição 319, de 10 de Fevereiro de 2026]