Áreas ardidas em Abiul ainda não foram intervencionadas

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Quase 11 meses depois dos incêndios devastarem 20% da freguesia de Abiul, o Município de Pombal ainda está a “aguardar indicações do ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas] para lançar os procedimentos” com vista a executar os trabalhos de estabilização de emergência pós-incêndio. A revelação foi feita pela vereadora Catarina Silva em resposta à vereadora Odete Alves que considerou “preocupante” haver “algumas áreas ardidas [que] ainda não foram intervencionadas”.
“Em breve vamos entrar novamente na época de incêndios e nada foi feito”, disse Odete Alves, recordando que logo após os fogos alertou para a “importância de se realizar um conjunto de acções que permitissem controlar e proteger a erosão das encostas”.
“No entanto, tenho conhecimento que algumas zonas ardidas ainda não foram intervencionadas”, disse a socialista, salientando que existem “alguns caminhos, valas e encostas danificadas na sequência do abate e transporte da madeira queimada”, mas também “diversos amontoados de sobrantes nas florestas”.
Ora, estas condições “aumentam exponencialmente o risco de incêndio”, constatou a eleita pelo PS, mostrando-se “muito preocupada”, até porque “o nosso território é de alto risco”.
“Relativamente aos incêndios, as acções de estabilização de emergência são da responsabilidade do ICNF”, esclareceu a vereadora Catarina Silva, adiantando que no início do ano o município assinou o contrato-programa com o ICNF, o qual prevê um apoio financeiro no valor de “cerca de 310 mil euros” para executar as acções de estabilização de emergência, que incluem a limpeza de caminhos, substituição de sinalética danificada, corte e processamento de resíduos orgânicos/ florestais, entre outras intervenções.
Todavia, “ainda estamos a aguardar indicações do ICNF para poder lançar os procedimentos”, pelo que, “formalmente, não fizemos nada ao abrigo das necessidades identificadas logo no início”, disse a responsável pelo pelouro da Protecção Civil.
Ainda assim, “disponibilizámos contentores para todo o entulho, os cortes mais urgentes foram feitos pelos sapadores do município e a Junta de Freguesia está a substituir a maior parte da sinalética danificada”.
Além disso, “também vamos avançar com a limpeza dos caminhos florestais”, realçou, revelando na próxima reunião da Câmara Municipal, agendada para 7 de Junho, será votado um apoio a atribuir à Junta de Abiul para a “limpeza mais urgente de caminhos que ficaram danificados”.
“Portanto, não temos estado parados, mas não conseguimos assumir na plenitude as competências do ICNF”, concluiu Catarina Silva.

Carina Gonçalves | Jornalista

*Notícia publicada na edição impressa de 01 de Junho