Pedro Silva: “A tempestade veio destapar os telhados, mas também destapou a realidade de muitas famílias”

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Poucos meses após ter tomado posse como presidente da Junta de Freguesia de Ansião, Pedro Silva enfrenta um início de funções particularmente exigente, marcado por limitações financeiras, prioridades operacionais urgentes e pelos impactos significativos da tempestade Kristin. A liderar pela primeira vez a freguesia sob a bandeira do Partido Socialista, o autarca assume como prioridade a proximidade com a população, num mandato que começou com a necessidade de responder à desobstrução de vias, apoiar moradores afectados e lidar com fragilidades sociais que a intempérie tornou mais visíveis.

Em entrevista, Pedro Silva faz um balanço deste arranque, fala dos constrangimentos orçamentais, da importância do trabalho de proximidade e do apoio ao associativismo, bem como das preocupações com a limpeza de caminhos e a aproximação da época de incêndios. O presidente da Junta aborda ainda a dinamização do comércio local e aponta ideias para o futuro da vila, sublinhando a necessidade de gestão rigorosa dos dinheiros públicos e de definição clara de prioridades.

 

POMBAL JORNAL (PJ) — Assumiu recentemente a presidência da Junta de Freguesia de Ansião. Que realidade encontrou quando entrou em funções?

PEDRO SILVA (PS) — Fazer parte de um executivo de junta não foi novidade para mim. Esta foi a terceira vez que fui candidato à Junta de Freguesia e, além disso, já tinha estado no executivo entre 2017 e 2021, como secretário e tesoureiro. Essa experiência deu-me algum conhecimento interno do funcionamento da Junta e também daquilo que são as suas limitações e as suas necessidades. Ainda assim, quando assumimos funções, percebemos desde logo que o maior desafio era a situação financeira. O orçamento de uma junta é sempre muito limitado e há sempre a necessidade de definir prioridades, de fazer uma gestão muito cuidada do dia-a-dia e de garantir que o essencial não falha. Infelizmente, temos algumas situações que transitaram do ano de 2025, nomeadamente subsídios a associações que ainda não foram possível de concretizar, e que totalizam cerca de 4.500,00€, mas que este executivo têm intenção de pagar o mais breve possível, para além de outras dívidas. Numa estrutura pequena, com recursos limitados, qualquer assunto pendente pesa bastante, e pesa ainda mais quando, pouco tempo depois, surge uma situação excepcional como a tempestade que assolou, recentemente, a nossa região. Relembro que quando deixei as funções de tesoureiro, em 2021, para além de deixar um valor em caixa de cerca de 25.000,00€, o executivo ao qual pertencia tinha acabado de pagar a pronto uma viatura no valor de 30,000.00€, e ainda ter pago uma divida de gasóleo proveniente do mandato anterior, no valor de cerca de 30.000,00€ que o executivo da Junta de Freguesia à altura nem sequer tinha assumido nas contas da junta. Encontrar a Freguesia de Ansião na situação que encontrei foi constrangedor.

 

PJ — Antes da tempestade, já havia áreas que lhe mereciam atenção especial?

PS — A questão financeira era, sem dúvida, a principal preocupação. De resto, não chegámos com a intenção de “inventar a roda”. Com recursos financeiros limitados, mantivemos o normal funcionamento da Junta, apoiando-nos também na experiência dos funcionários, que conhecem muito bem o território e o trabalho de proximidade. Há uma componente administrativa que é muito importante e há também o trabalho de rua, que numa freguesia como Ansião, com uma área extensa, é absolutamente decisivo. Entrámos, por assim dizer, no “comboio em movimento”, procurando dar continuidade, mas com atenção aquilo que percebíamos serem as necessidades e expetativas das pessoas.

Ana Laura Duarte
[Notícia completa na edição 323 do POMBAL JORNAL, de 7 de Abril de 2026]