Liliana Silva quer manter “tendência de crescimento” do CDS em Pombal

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A nova presidente da Comissão Política Concelhia do CDS-PP de Pombal reconhece que o partido, a nível local, continua refém dos maus resultados a nível nacional, mas assegura que, mesmo assim, tem conseguido crescer. A estratégia da nova direcção passa pelo “desenvolvimento equilibrado das freguesias”. Sobre as autárquicas, Liliana Silva não se assume como candidata à Câmara e diz que há “vários rostos” que podem ser escolhidos pela estrutura. Nesta entrevista, a nova líder dos centristas pombalenses fala ainda sobre a demissão da anterior direcção e aborda a actual gestão autárquica.

Pombal Jornal (PJ) – O que a levou a avançar com esta candidatura?
Liliana Silva (LS) – Decidi avançar no dia 30 de Junho, no seguimento de vários acontecimentos que me fizeram perceber que a minha equipa poderia dar um contributo positivo ao CDS-PP de Pombal e consequentemente aos pombalenses. Ou seja, conjugaram-se vários factores, desde a minha participação no Conselho Nacional do CDS-PP, em Ourém, a substituição do Ricardo Ferreira, como membro da Assembleia Municipal de Pombal, e o facto de o lugar estar vago – em política não pode haver vazios.

PJ – Foi com o lema “Acreditar em Pombal” que, em Julho, se apresentou a votos para a Comissão Política Concelhia do CDS-PP de Pombal. A que se deve a escolha desta bandeira e que mudanças espera, nessa medida, implementar na estratégia do partido?
LS – “Acreditar em Pombal” vem na sequência do lema seleccionado pelo actual presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, aquando da sua candidatura: na vida é fundamental Acreditar! Acreditar em nós próprios, acreditar naqueles que nos rodeiam, acreditar no nosso país – “Acreditar em Portugal”.
Acreditar em Pombal significa que há a ambição de contribuir para um concelho mais competitivo, mais dinâmico e de crescimento. Pombal tem todo um potencial que lhe permite ser um território diferenciador e de eleição. Espero que os pombalenses acreditem connosco que é possível fazer mais e melhor pelo desenvolvimento do concelho e que essa esperança se traduza num aumento significativo de votos no CDS-PP nas próximas eleições. Apesar do complexo contexto nacional que o CDS-PP vai enfrentando, ao nível local o CDS-PP tem crescido nos últimos anos e é essa tendência de crescimento que pretendemos elevar. É essencial aumentar o número de filiados, e temos trabalhado nesse sentido, com bons resultados. Paralelamente, temos desenvolvido esforços para recuperar e unir filiados e mobilizar esforços em torno de um projecto que é inclusivo e agregador, de gentes e de vontades.
A nossa estratégia passa pelo desenvolvimento equilibrado das freguesias. Desde o dia da nossa eleição, a 18 de Julho, que já visitámos várias freguesias, interagimos com diversos agentes locais e temos vindo a escutar as populações no terreno. Deixamos como exemplo a certeza de que é fundamental a valorização dos recursos naturais e espaços verdes, de desporto, convívio e de lazer, a preservação do património não só natural como cultural e arqueológico, a resposta às necessidades imediatas das populações. Sem dúvida que se deve priorizar o acesso aos cuidados de saúde, o estímulo ao crescimento económico inclusivo e sustentável, o emprego pleno com trabalho digno para todos, a diversificação industrial e a criação de redes de parcerias.
Percebemos, com facilidade, que por muito que se diga que somos um território que vai do mar à serra, a verdade é que há muito pouco feito no mar e muito se tem descuidado a serra.

PJ – E já estão saradas as ‘feridas’ que levaram à demissão da anterior direcção?
LS – A meu ver, a demissão da anterior concelhia foi um acto precipitado, resultante sobretudo da iliteracia política, que infelizmente é muito comum. Fui eleita Conselheira Nacional no seguimento da eleição do novo presidente do partido, ou seja, actualmente faço parte dos órgãos nacionais do CDS-PP e essa eleição deveria de ter sido um motivo de orgulho para os pombalenses, ter munícipes com intervenção no Conselho Nacional de um partido. Em nada colocava em causa a anterior concelhia. No entanto, compreendo que as alterações profundas nas estruturas possam provocar a quebra de rotinas instituídas e a saída de zonas de conforto. Apesar disso, recordo que o CDS-PP é um partido plural, que convive bem com a crítica e com a liberdade de expressão e de opinião.

PJ – Estamos a pouco mais de um ano das eleições autárquicas. O partido poderá voltar a ter candidatos a todos os órgãos autárquicos do concelho?
LS – É nossa expectativa ter candidatos que se revejam nos princípios que o CDS-PP privilegia. Se conseguirmos ter candidatos em todos os lugares, melhor. A Comissão Política Concelhia do CDS-PP apela à mobilização de todos os cidadãos que, de alguma maneira, se queiram unir a este projecto, porque todos os contributos são importantes. É imperativo que a sociedade civil se envolva na intervenção política.

PJ – A Liliana, na qualidade de presidente da concelhia, poderá ser a escolha natural do partido para uma candidatura à Camara?
LS – A decisão caberá ao grupo de trabalho e tendo em conta que fui eleita apenas em Julho, ainda é precoce avançar com mais informação. Estamos a cerca de um ano das eleições e o CDS-PP de Pombal tem vários rostos que podem ser escolhidos pela estrutura concelhia.

PJ – O que falta ao CDS de Pombal para conseguir crescer? Continua refém do panorama do partido a nível nacional?
LS – É indissociável. Mas acreditamos não só no trabalho no contexto local, como também distrital e nacional. O novo presidente do CDS-PP foi eleito apenas em Janeiro e já foi reconhecido internacionalmente como um jovem promissor no panorama da política. Está fortemente empenhado no contacto próximo com as populações e tem uma equipa dinâmica, resiliente e motivada que o acompanha. Para além disso, o CDS-PP é um partido fundador da democracia e é um partido de compromisso. Também em Pombal o crescimento será resultado do trabalho construtivo a ser apresentado aos pombalenses e que a seu tempo terá os seus frutos. A reconstituição da Juventude Popular é crucial para a estimulação do pensamento crítico, para a acção coordenada e antecipada, inclusivamente para a promoção da proximidade inter-geracional.

PJ – Há quem acuse os partidos – nomeadamente os candidatos – de só começarem a aparecer em ano de eleições. Olhando para o CDS-PP, revê-se nesta afirmação?
LS – Não me revejo nesta afirmação, pois desde que o CDS-PP voltou a ter eleitos em Pombal, quer nas freguesias quer na Assembleia Municipal, que tem estado sempre próximo das pessoas, atento aos seus problemas e anseios, procurando em lugar próprio as respostas e apresentando contributos.

PJ – Que avaliação faz da actual gestão autárquica?
LS – A gestão autárquica assenta num serviço que se presta às populações e que se deve pautar pela legalidade, justiça, imparcialidade, igualdade, colaboração, proporcionalidade, boa-fé, transparência, lealdade, competência e responsabilidade. Perante isto, considero que há muito a fazer actualmente na gestão do nosso concelho.

PJ – Apresentou-se a eleições tendo como um dos objectivos “elevar a intervenção política no conselho”. Atendendo ao que temos assistido nas reuniões camarárias, este desígnio ganha mais sentido?
LS – Sem dúvida! Há um exagero de crítica pessoal em vez da discussão e argumentação das acções que são do interesse público.

PJ – O PSD e as polémicas no executivo camarário poderão favorecer a oposição nas próximas autárquicas?
LS – Talvez. Mas o que a oposição deve de fazer é convencer os eleitores de que reúne competência para liderar e implementar projetos que correspondam às necessidades da população e que reconheçam a nossa capacidade de trabalho na intervenção pública e política, que é feita ao longo dos anos, e não apenas em período eleitoral. É fundamental que os eleitores nos conheçam e confiem no nosso espírito de missão.

PJ – Que marca diferenciadora espera deixar no CDS Pombal, após este mandato?
LS – Acredito que se pode estar na política como se está na vida, ou seja, de uma forma humilde, íntegra, honesta e responsável. É este o testemunho que espero deixar, não só no CDS-PP.

 

PERFIL
Liliana Silva é natural de Lisboa, mas desde 2013 que reside em Vila Cã, onde tem raízes familiares, que se estendem a Abiul. A também presidente da Assembleia de Freguesia de Vila Cã e membro da Assembleia Municipal de Pombal é casada e mãe de três filhos. No âmbito do associativismo, integra várias associações assentes no voluntariado. É Mestre em Ciências Farmacêuticas e actualmente formadora. A nível político, é filiada no CDS-PP desde 2018, partido onde integra a Comissão Política Distrital de Leiria e é vogal do Conselho Nacional. Desde Julho deste ano que é presidente da Comissão Política Concelhia de Pombal.

*Entrevista publicada na edição impressa de 3 de Setembro