O título que escolhi para a crónica desta edição coincide com o nome de um filme de 1986, em que o papel principal é desempenhado pelo actor Tom Hanks.
Como devem imaginar não vos escrevo para falar sobre o filme apesar que a sua sinopse, sendo um filme de comédia, tem alguns ensinamentos no que respeita à forma como se investe o dinheiro e se devem prevenir eventuais percalços.
Em 2011 o Município de Pombal adquiriu a casa onde nasceu o Professor Carlos Alberto Mota Pinto pelo valor de 130.000 euros. Ao adquirir o imóvel pretendia-se homenagear o legado do professor da Universidade de Coimbra, constitucionalista e primeiro-ministro de Portugal. Na apresentação do projecto em Maio de 2010, o então presidente municipal Narciso Mota, prometia avançar em breve com as obras de requalificação e ampliação do imóvel com vista a dotá-lo de infraestruturas apropriadas ao uso pretendido, permitindo não só a consulta de documentação, como o seu tratamento e preservação.
Quase 15 anos decorridos do investimento efectuado eis que, com alguma ajudinha da tempestade Kristin, o edifico em questão foi demolido. Há anos que chamávamos a atenção das entidades competentes para a possibilidade deste desfecho, previsível aos olhos de qualquer mortal. Este é um dos muitos exemplos que se podem enumerar de irresponsabilidade laranja na governação autárquica do concelho.
Aqui chegados há que definir de forma rápida e decidida o que fazer com o espaço. Vendê-lo, assumindo o erro e possivelmente obtendo uma mais valia, ou avançar para a construção de alguns apartamentos com custos controlados pondo em prática a estratégia municipal de habitação e usando alguns dos fundos disponíveis para o efeito.
Seja qual for a decisão espero que não demore 15 longos anos a pôr em prática.
Aparentemente os Pombalenses vivem alheados desta realidade e continuam a premiar o trabalho da máquina laranja, como o fizeram no passado mês de Outubro, por uma qualidade de desempenho que sinceramente não consigo descortinar.
Estou convencido que parcialmente a responsabilidade é de toda a oposição que não tem sabido expor as falhas ou imperfeições da governação, não conseguindo, por razões diversas, mostrar caminhos alternativos.
Uma coisa é certa, o salitre vai-se infiltrando na estrutura, a erosão dos elementos exteriores mais tarde ou mais cedo aparece e por mais que a fortaleza laranja pareça indestrutível, um dia ela vem abaixo.
Telmo Lopes – Presidente da concelhia de Pombal do CDS-PP
[Crónica publicada na edição 322 de 24 de Março de 2026]






































