Falso funcionário da Segurança Social burlou idosos em Vale da Figueira

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Um falso funcionário da Segurança Social tentou burlar uma idosa, no passado dia 9 de Julho, na aldeia de Vale Figueira, freguesia de Abiul. A vítima foi uma idosa, que se apercebeu a tempo da tentativa de burla. Mas ao que parece houve quem fosse no conto do vigário, entregando ao burlão dinheiro e ouro.
Naquela sexta feira, como em qualquer outro dia, Lucinda Simões, estava sentada à entrada da porta do primeiro andar de sua casa virada para a estrada. Sem condições de mobilidade, passa os seus dias a olhar para a rua, que outrora tantas vezes percorreu nos seus afazeres. Mas naquele dia estranhou um carro desconhecido parar ali perto. Dele saiu um “homem alto, bem parecido e com um caderno preto na mão”, que pediu permissão para subir as escadas, querendo falar com ela, contou ao Pombal Jornal.
Trocaram dois dedos de conversa fiada até que o indivíduo se apresentou como sendo “funcionário da Segurança Social” e explicou o que o trazia por aquelas paragens. Foi então que “tirou do bolso um molho de notas e mostrou uma de 50 euros”, questionando a idosa se conhecia aquela nota e tinha alguma em casa, alegando que iam sair de circulação pelo que andava por ali a trocar as notas antigas pelas novas. “Já troquei mil euros ao seu vizinho de cima”, informou o tal “funcionário da Segurança Social”, argumento que convenceu Lucinda Simões de que aquilo era uma tentativa de burla. “Sei que é uma nota de 50 euros, porque sei ler, mas não tenho nenhuma em casa nem lido com dinheiro”, respondeu a octogenária, informando o burlão que, devido à sua falta de mobilidade, era a filha quem geria o seu dinheiro e lhe fazia as compras.
Enquanto falava, o homem fingia tirar apontamentos, até que passa na estrada um carro e ele baixa-se na tentativa de não ser visto. Já a idosa aproveita para andar para trás e abrir a porta das traseiras da casa, convidando “alguém” para entrar. Esse “alguém” era o seu cão, cuja ajuda não foi necessária, pois quando Lucinda se virou para a rua já o carro voltava à estrada e seguia viagem.
Daqui o burlão saiu de mãos a abanar. Mas, pelos vistos, teve mais sorte noutras paragens. Ao que o Pombal Jornal apurou houve quem se deixasse ludibriar, tendo entregue o dinheiro que tinha em casa e até ouro.

Vítimas raramente apresentam queixa

Apesar de ser frequente ouvir relatos de idosos que foram burlados, o registo da GNR relativo a queixas deste tipo de crime é quase residual, tanto que nos primeiros seis meses deste ano, a GNR recebeu apenas uma denúncia no concelho de Pombal.
A GNR registou no concelho de Pombal uma denúncia este ano (até 30 de Junho), sete em 2020, oito em 2019 e seis em 2018, informou ao nosso jornal o responsável pelas relações públicas do Comando Territorial de Leiria. Destas, “registaram-se 18 denúncias de burla por conto do vigário e quatro denúncias de burla relativa a serviços ou alimentos”, esclareceu o tenente-coronel Pedro Rosa, adiantando que “sete vítimas são do sexo masculino e 15 do sexo feminino”.
“Quanto ao número de burlas por freguesia, verifica-se uma proporção em função da população de cada freguesia, com a freguesia de Pombal a registar quatro processos crimes e as freguesias de Almagreira, Vermoil e Vila Cã sem quaisquer registos”, adiantou o responsável de relações públicas.
“Estamos perante um fenómeno criminal, em que os autores, também se adaptam às circunstâncias, e neste caso ao quadro pandémico e às restrições que dele advieram”, acrescentou Pedro Rosa, sublinhando que se verificou “um decréscimo nas burlas associadas ao conto do vigário, cujas vítimas são maioritariamente vulneráveis e/ou idosas”.
De referir que as burlas são por regra crimes de oportunidade, que implica alguém que engana outrem para obter para si ou para terceiros uma vantagem utilizando para isso a astúcia. Neste sentido, a GNR recomenda não fornecer informações pessoais ou de conhecidos a estranhos, circular preferencialmente por ruas iluminadas e movimentadas, não transportar quantias elevadas de dinheiro nem ostentar bens de valor, não assinar documentos sem ter a certeza do seu conteúdo, sempre que possível tentar anotar os dados referentes a veículos estranhos, desconfiar de esquemas que lhe ofereçam dinheiro fácil e não confiar em indivíduos estranhos, bem-falantes e cheios de boas intenções.
Além disso, a Guarda relembra que “todos os funcionários da água, luz, CTT, Segurança Social e bancos estão bem identificados”, pelo que “em caso de dúvida não os deixe entrar em casa”. Perante um episódio de tentativa de burla, é fundamental a vítima não demonstrar que está sozinho, mesmo que não esteja ninguém em casa, devendo chamar por um familiar próximo, pois “isso afasta qualquer burlão”. “Caso desconfie de algo, deve ligar imediatamente para a GNR”, aconselha ainda a Guarda.

Carina Gonçalves | Jornalista

*Notícia publicada na edição impressa de 29 de Julho