CARTAS POMBALINAS | A Cultura e a História como pilares da nossa comunidade

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Quando deambulamos pela nossa terra e nos deparamos com o nosso património, sentimos o peso do valor da história e imaginamos as mais variadas memórias que aquelas “pedras” guardam para si.
Todos nós que, desde tenra idade, nos vamos habituando a olhar diariamente para o castelo, não raras vezes surgem na nossa imaginação as múltiplas peripécias que ali se devem ter desenrolado durante tantos séculos de “vida”.
Assim é no castelo como em toda a zona histórica, onde nasceu a nossa cidade e que rapidamente se alargou a um perímetro muito mais abrangente.
A verdade é que temos o privilégio de ser uma comunidade com uma rica história, o que contribui de forma significativa para a valorização da nossa terra e para o orgulho que sentimos em ser Pombalenses.
É pela importância que tem no presente e, sobretudo, que pode ter no futuro, com forte impacto na promoção turística e desenvolvimento do território, que temos que acarinhar a nossa história, valorizar o nosso património e criar dinâmicas que envolvam a própria comunidade e possam transmitir esta marca distintiva para as novas gerações.
Nestes termos, sou um dos que entende que a melhor forma de irmos valorizando a nossa história e este sentimento positivo de pertença a uma comunidade é apostando na cultura.
E, neste ponto, Pombal deve “puxar dos galões” porque é um território que se tem verificado muito fértil e produtivo no florescimento das mais distintas manifestações culturais.
Veja-se, a titulo de exemplo, os recentes prémios obtidos pelo Teatro Amador de Pombal no Festival Internacional de Teatro CALE-se, que vão no sentido do reconhecimento do excelente trabalho desenvolvido por este talentoso grupo.
História e cultura estão, assim, de braços dados e são, na minha ótica, pilares fundamentais de uma qualquer comunidade que, como a nossa, tem sido construída por muitas gerações ao longo de tantos séculos.
Nesse sentido, tudo o que puder ser feito, pelos diversos agentes, que vá no sentido de fortalecer estes dois pilares, deve merecer o nosso maior apoio e envolvimento.
É por isso que queria, neste espaço, salientar o empenho e dedicação de todos aqueles que contribuíram para continuar a assinalar de forma especial, em Pombal, o Dia Nacional dos Centros Históricos.
Considerando que 2018 é o ano europeu do património cultural, foi escolhida a música como forma de apelar à valorização e promoção do nosso património.
Desempenhou papel de destaque o fado, considerado património imaterial da humanidade, com o brilhante concerto “Coimbra em Piano de Fundo” com a participação de músicos da nossa praça de grande qualidade, como é o caso do Patrick Mendes, do João Silva, do Ricardo Silva ou do Daniel Romeiro.
Querendo alargar às diversas realidades, ficará para a história o primeiro encontro de gaiteiros que juntou diversos grupos da região e que já tem confirmada nova edição em 2019. Foi uma iniciativa muito interessante, com uma interligação dos diversos grupos com o nosso comércio local e com a participação do António Freire e do Paulo Tato Marinho, músico dos “Sétima Legião”, que partilharam vários apontamentos históricos e etnográficos, assim como, a relação da “gaita de foles” com diversas tradições da nossa comunidade.
Valorizando o trabalho desenvolvido pelos nossos músicos locais, surgiu o “Oh da Praça!”, um projeto que nasceu com muito entusiamo… que rapidamente se alastrou a todos os músicos que participaram neste evento, mostrando todo o seu potencial e fazendo história nas nossas praças. Não me esquecerei da concentração do João Job e dos jovens Submarines in the Sky que deram um grande concerto, da criatividade dos Issabella com os experientes Cavalheiro, Malheiro e Zé Luís em grande performance, ou dos consagrados João e Ricardo Silva e Iolanda Costa que proporcionaram um fabuloso arranque a uma iniciativa que começou com uma arruada da nossa secular filarmónica e terminou a com um grande concerto no Celeiro do Marquês. Pelo meio, ainda houve oportunidade para ver e ouvir o bom trabalho desenvolvido nas nossas escolas de música “A Casa” e “Musicool”, assim como, para conhecer os “Café Central” que apostam na música portuguesa. Nesta iniciativa, o Vasco Faleiro e o Leonel Mendes merecem uma palavra especial, não só pela brilhante atuação mas porque acreditaram neste projeto desde a primeira hora e demonstrou-se, mais uma vez, que, com poucos recursos, podemos fazer coisas magníficas, envolvendo e mobilizando a maior riqueza da nossa terra: as pessoas!
São iniciativas como estas que promovem o fortalecimento dos dois pilares: história e cultura, contribuindo para a construção de uma comunidade robusta, solidária, onde a memória e o futuro caminham lado a lado em perfeita harmonia, unindo gerações e valorizando o nosso território.

Nota final: Um agradecimento ao João Brás da Pombaldoce, pela Mega-Fogaça que foi um sucesso e contribuiu para valorizar a gastronomia associada às tradições, transformando-se num pontapé de saída para novos desafios que podem ser desenvolvidos neste domínio.

Um forte abraço amigo,
Pedro Pimpão
pedropimpao@gmail.com

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Pedro Pimpão é natural de Pombal, tem 36 anos, é casado e tem dois filhos. É advogado de profissão e actualmente desempenha as funções de deputado à Assembleia da República, tendo sido eleito pelo círculo eleitoral de Leiria. É Presidente da Assembleia de Freguesia de Pombal, membro da Assembleia Municipal de Pombal e membro da Assembleia Intermunicipal da Região de Leiria. É licenciado em Direito pela Universidade Coimbra, contando com Pós-Graduações em Direito Administrativo, Gestão Autárquica, Direito dos Contratos Públicos e Direito Municipal Comparado Lusófono. É Mestrando em Ciência Política pelo ISCSP – Universidade de Lisboa.