Meirinhas homenageou voluntários que ajudaram a freguesia após a tempestade Kristin

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Mais de cem dias depois da passagem da tempestade Kristin, a freguesia de Meirinhas voltou a receber algumas das pessoas que estiveram no terreno nos momentos mais difíceis. Desta vez, porém, o cenário era diferente: onde antes havia árvores tombadas, caminhos bloqueados e telhados destruídos, houve mesas cheias, convívio e um gesto colectivo de agradecimento.

No âmbito do Festival da Fava, a Junta de Freguesia promoveu uma homenagem às entidades e voluntários que ajudaram nas operações de limpeza, desobstrução de caminhos e recuperação de habitações após o temporal que atingiu a região no final de Janeiro. Sob o lema “Mandar a Kristin à Fava”, o almoço reuniu operacionais dos Bombeiros Sapadores de Braga, elementos da Unidade Local de Protecção Civil de Quintela de Azurara e representantes de várias freguesias que se deslocaram às Meirinhas para apoiar a população.

Entre os homenageados estiveram quatro, dos cerca de 4o elementos do Batalhão dos Bombeiros Sapadores de Braga, que permaneceram no terreno durante uma semana, divididos em equipas que se iam revezando para garantir apoio contínuo sem comprometer a resposta operacional na cidade de origem.

“Na televisão parecia uma coisa, mas quando chegámos cá deparamo-nos com um cenário totalmente diferente. Foi muito mau”, recorda José Veloso, dos Sapadores de Braga. “Não há palavras para o acolhimento que tivemos. Encontrámos um cenário terrível, mas pessoas muito boas. Foi um orgulho muito grande ajudar”, afirma.

“Encontrámos um cenário terrível,
mas pessoas muito boas”

Durante os dias em que estiveram nas Meirinhas, os Sapadores participaram sobretudo em trabalhos de corte de árvores, remoção de destroços e abertura de acessos, mas também apoiaram intervenções em primeiras habitações, nomeadamente na estabilização de telhados.

“Andámos no corte de árvores e desobstrução de caminhos, mas também demos uma ajuda no arranjo de telhados de primeira habitação. Ajudámos no que era prioritário”, explica Manuel Duarte, de Braga. “Já vi muita coisa, mas o cenário que encontrámos aqui foi terrível.”

O regresso às Meirinhas, agora em contexto de convívio, acabou por ter um significado especial para muitos dos participantes. “É muito bom voltar e ver como estão as coisas. Já nem parece o mesmo sítio”, refere o operacional, admitindo que o reconhecimento promovido pela freguesia “foi muito simpático” e inesperado. “Ficamos muito contentes em saber que o nosso contributo serviu para alguma coisa.”

Também António Faria, chefe de 2.ª equipa dos Sapadores de Braga, admite que a experiência deixou marcas. “Nunca tinha visto nada assim ao nível da destruição”, afirma. Ainda assim, destaca sobretudo a forma como a população recebeu as equipas. “Encontrámos pessoas muito boas. Não nos faltou nada nos dias em que cá estivemos.”

Apesar de ter regressado às Meirinhas apenas por algumas horas, antes de voltar ao serviço no dia seguinte, António Faria garante que não queria faltar ao reencontro. “Enquanto cá estivemos encontrámos pessoas incríveis, com um coração enorme e muito humanas.”

A ligação criada entre voluntários e população acabou, aliás, por ser um dos aspectos mais referidos ao longo do encontro. António Mota, também dos Sapadores de Braga, admite que a dimensão da destruição superou tudo o que imaginava. “Só vendo no terreno se consegue perceber o que realmente se passou aqui”, refere.

“Não podíamos deixar de vir nesta altura e para este reconhecimento, porque acabámos por criar ligações”, acrescenta, sublinhando ainda o acompanhamento permanente da Junta de Freguesia. “O presidente da Junta foi incansável”, destaca.

“Levámos muito mais
do que trouxemos”

Vindos de Ferreira de Aves, no concelho de Sátão, chegaram também sete funcionários da Junta de Freguesia local, que durante dois dias participaram nas operações de limpeza após a tempestade.

“Não conhecíamos ninguém, mas fomos muito bem acolhidos, tanto na logística como nos afectos”, recorda Marcelo Rodrigues, presidente da Junta de Freguesia de Ferreira de Aves. “Levámos muito mais do que trouxemos.”

O autarca destaca ainda a capacidade de organização encontrada no terreno, numa altura particularmente exigente para a freguesia. “Uma organização incrível, o que numa situação destas não é nada fácil. Muito robusta e organizada”, afirma Marcelo Rodrigues, sublinhando que a experiência acabou também por deixar aprendizagens importantes para o futuro. “Esperamos nunca vir a precisar, mas levámos daqui muitos ensinamentos que nos podem ser úteis um dia. E isso também é muito importante.”

Ao longo do almoço, entre pratos tradicionais de favas e reencontros marcados pela emoção, repetiu-se várias vezes a mesma ideia: muitos chegaram às Meirinhas para ajudar, mas acabaram por sair com um sentimento de ligação à comunidade.

“As favas estavam óptimas”, dizia-se entre risos. Mas, para estes voluntários, o mais marcante acabou por ser outro sabor: o do reconhecimento.

Ana Laura Duarte
[Notícia publicada na edição 326, de 19 de Maio de 2026 do POMBAL JORNAL]