O rancho folclórico de Almagreira está a preparar a inauguração do seu Museu Etnográfico, agendada para o dia 13 de Outubro, a partir das 15h00. A iniciativa surge duas décadas depois da criação do primeiro museu, aberto em 1999 e encerrado em 2005. “Salvar do esquecimento as nossas origens e todos os utensílios que podem reconstituir a nossa história”, revela Estrela de Noronha, principal promotora do projecto.
O espaço museológico está a ser instalado no antigo edifício do jardim-de-infância local, surgindo com “uma nova cara” para prestar uma “justa homenagem às gentes simples de Almagreira e um percurso com paragem em velhos objectos com algumas histórias para contar.”
Para o efeito, o grupo procurou reconstituir uma casa de habitação, constituída por quarto, sala, cozinha e sala de trabalhos domésticos. Ali poderão ser apreciados “as artes e os ofícios” de várias profissões, como a costureira, sapateiro, resineiro, serrador, madeireiros, barbeiro, entre outros.
Já os objectos expostos recordarão o fenómeno da emigração, expondo diversos tipos de malas, fotografias, entre outros, bem como a comunicação (rádios, gramofone, telefones, livros, jornais), a iluminação (gasómetro, candeeiros de mão, de carro, candeias a azeite e a petróleo).
O espaço revela, ainda, memórias da antiga escola primária e os respectivos utensílios e material pedagógico, a prática cristã, entre outras.
Já no espaço exterior, os visitantes poderão visitar algumas ferramentas de trabalho, essencialmente para uso na agricultura, como alfaias agrícolas, carro de bois, carroça de burro, limpador de cereais, charrua, arado, entre outras.
“Os museus são espaços democratizantes, inclusivos e orientados para o diálogo crítico sobre os passados e os futuros. Reconhecendo e lidando com os conflitos e desafios do presente, detêm, em nome da sociedade, a custódia de artefactos e espécimes, por ela preservam memórias diversas para as gerações futuras, garantindo a igualdade de direitos e de acesso ao património a todas as pessoas”, sublinha Estrela Noronha.
Ainda segundo aquela responsável, “os museus não têm fins lucrativos. São participativos e transparentes, trabalham em parceria activa com e para comunidades diversas na recolha, conservação, investigação, interpretação, exposição e aprofundamento dos vários entendimentos do mundo, com o objectivo de contribuir para a dignidade humana e para a justiça social, a igualdade global e o bem-estar planetário”.
“São lugares únicos que nos proporcionam experiências memoráveis e uma aprendizagem indispensável à formação da identidade. Pela sua beleza e pelo seu enquadramento, pelas suas colecções e pela sua programação cultural, são espaços que transmitem valores, despertam memórias e interagem com a contemporaneidade”. O Museu Etnográfico de Almagreira “será uma grande riqueza, não apenas para a freguesia de Almagreira, pois engrandecerá todo o concelho de Pombal”, vinca.
Em grande percentagem, os almagreirenses mostram-se confiantes no ‘seu’ Museu Etnográfico, acreditando e empenhando-se nele, mas, ao invés, também existem “os incrédulos, os que dizem bem e outros nem tanto. Mas falam, e só se fala de alguma coisa quando ela existe e é importante”.
Estrela Noronha acredita que “vai ser um espaço que a todos os pombalenses orgulhará e será de visita obrigatória para os que desejarem conhecer a etnografia da região, o modo como viviam os nossos antepassados”, no que entende ser “uma justa homenagem aos nossos antepassados a quem devemos o que somos e uma rica herança para os nossos filhos”.
Quanto a apoios, revela que têm sido escassos. Destaca, entretanto, que o Município de Pombal apoiou com as obras nas instalações e com um subsídio para aquisição de material de limpeza e de exposição, enquanto a Junta de Freguesia de Almagreira ajudou na construção do telheiro para as alfaias de grande porte.
Faz referência, ainda, a várias ofertas, nomeadamente os móveis e a instalação do bar, os donativos de particulares e da Caixa Agrícola e a deslocação de técnico para a instalação de LCD.
Mas há, ainda, expositores em falta “que não pudemos comprar por falta de verba, assim como equipamentos necessários para ajustar o calor e as humidades, que são importantes para garantir a manutenção e a preservação das peças”.
A responsável revela que, para o futuro, existe “um projecto de animação, dirigido às famílias, para que o Museu seja um ponto de encontro, convívio, estudo…” pois, prossegue, “só se vive o presente, recordando o passado para bem preparar o futuro”.

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Ingressou no jornalismo, em 1989, como colaborador no extinto “Pombal Oeste” que foi pioneiro na modernização tecnológica. Em 1992 foi convidado a integrar a redacção de “O Correio de Pombal”, onde permaneceu até 2001, quando suspendeu a profissão para ser Director de Comunicação e Marketing de um grupo empresarial de dimensão ibérica. Em 2005 regressou ao jornalismo, onde continua, até aos dias de hoje, a aprender. Ao longo destes (largos) anos de actividade, atestados pelo Carteira Profissional obtida em 1996, passou por vários jornais, uns de âmbito regional e outros nacional, onde se inclui o “Jornal de Notícias” e “Público”. Foi convidado a colaborar, de forma regular, com o “Pombal Jornal” onde se produz conteúdos das pessoas para as pessoas.