Quando a (in)Sónia toma conta de nós!

0
977

Insónia. Esta palavra resume o autêntico pesadelo que muitas pessoas vivem quando dão voltas e voltas na cama sem pregar olho. Mas este é um problema que vai muito além de noites mal dormidas. Passar, pontualmente, uma noite “em branco” é comum em todos. O problema surge quando esta situação se torna demasiado frequente. O sono é fundamental na vida do ser humano e a sua privação pode ter consequências graves em muitos aspectos da nossa vida; desde problemas no desenvolvimento físico, no fortalecimento do sistema imunológico, no aumento da probabilidade de contrair doenças crónicas, dificuldades de concentração e atenção, diminuição no desempenho escolar/profissional, alterações do humor, dificuldades no relaxamento muscular, entre outras consequências de dormir mal. À medida que vamos envelhecendo, o número de horas de sono vai diminuindo. As crianças em idade pré-escolar necessitam de dormir entre 11/12 horas, em idade escolar entre 9:30/10:30 horas, adolescentes e adultos 8 horas e seniores com mais de 65 anos 6 horas. A insónia, é a mais frequente perturbação do sono e consiste na dificuldade em
permanecer a dormir e manter um sono reparador e constante. Os distúrbios do sono são frequentes na população geral e podem ocorrer tanto em adultos como em crianças, diferindo somente na sua forma de apresentação. Enquanto um adulto sente sonolência, cansaço, falta de memória, a criança geralmente fica inquieta, mal-humorada e desobediente, tem dificuldade de se concentrar, permanecer sentada e se relacionar com os seus colegas. Ou seja, a criança poderá apresentar os mesmos sintomas do Transtorno de Hiperatividade com Défice de Atenção. Um sono adequado seria aquele em que nos deitamos, adormecemos logo depois e acordamos após de 6/8 horas, sentindo o efeito de um “sono reparador”, que nos deixa prontos para começar o dia com “as baterias recarregadas”… Este “sono adequado” mostra-se como um grande desafio (alguns indivíduos passam anos sem conseguir essa média de horas e a qualidade de sono) e pensam que isso será assim para o resto das suas vidas. A causa da insónia pode estar relacionada com aspectos emocionais, como a ansiedade, depressão, stresse. Em outros casos, com hábitos inadequados, isto é, uma má higiene do sono. Como por ex., o consumo de cafeína/álcool/nicotina antes de dormir; a ingestão de grandes quantidades e de determinados tipos de alimentos perto da hora de deitar; permanecer na cama sem conseguir adormecer após 30 minutos. Nesta situação a ajuda de um psicólogo é indispensável. Mas, também podem estar incluídas condições médicas, como por ex., síndrome das pernas inquietas, menopausa, problemas relacionados com a respiração. Neste caso a consulta de um médico é indispensável. O seu tratamento é fundamental uma vez que existem insónias transitórias que tendem a desaparecer com o tempo, mas existem insónias crónicas com prognóstico bem mais reservado. Vale a pena lembrar que a insónia é classificada como crónica quando persiste por mais de três semanas.

Daniel Accoto Martins

Psicólogo/Neuropsicólogo