Leandro Siopa eleito para o secretariado da federação socialista

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O pombalense Leandro Siopa foi eleito, pela Comissão Política da Federação de Leiria do Partido Socialista (PS), para o secretariado daquela estrutura distrital.
O acto eleitoral decorreu no dia 5 deste mês e, na ocasião, foi ainda eleita Patrícia Carvalho, do Louriçal, como secretária da Mesa da Comissão Política Distrital.
A eleição “resulta de um convite feito pelo seu presidente para integrar esse órgão executivo”, avança Leandro Siopa, e que, nessa perspectiva, “representa, acima de tudo, um voto de confiança do Walter Chicharro, sobretudo porque sabemos, de antemão, que este mandato afigura-se muito difícil e trabalhoso”. Uma convicção que, nas palavras do socialista, se deve não apenas do facto de a meio do ciclo mandatário decorrerem as eleições autárquicas, mas também às “previsíveis restrições pessoais, sociais e económicas, por força da pandemia”.
“É por isso, para mim, em qualquer altura, uma satisfação poder servir o partido e os seus militantes, e mais ainda neste período que se afigura de grande sacrifício para os portugueses e de equivalente responsabilidade para os políticos e decisores”, sublinha.
Questionado sobre as expectativas que os pombalenses poderão ter em relação a esta representação de Pombal na Federação Distrital do PS, Leandro Siopa assume que “todos os desafios” que abraça “são sempre encarados com a máxima responsabilidade, e este não é excepção. Faço-o sempre consciente daquilo que tenho e posso oferecer ao meu líder e à equipa com quem trabalho”. Lembra, contudo, que “este não é um cargo individual e, por isso, a responsabilidade é também ela colectiva”, assim como “o meu compromisso, deveres e responsabilidade, do ponto de vista estatutário, são para com os militantes da região, no seu global”, mas sem esquecer o território de Pombal, em concreto. “Como é óbvio, a minha acção será também direccionada para as necessidades dos militantes e simpatizantes do PS de Pombal que, em última análise, nos leva aos interesses dos cidadãos, porque é para eles, afinal de contas, que todo o político deve direccionar a sua acção”, sublinha. “Os partidos políticos servem para garantir um Estado de Direito, democrático, solidário e que sirva o Povo. É essa a beleza e o propósito de intervir junto da sociedade civil”, enfatiza, mas ao mesmo tempo que esclarece: “o secretariado é o órgão executivo da Federação, pelo que a sua principal função é executar deliberações e decisões dos órgãos federativos e nacionais. A acção política no concelho de Pombal é definida pela sua Comissão Política Concelhia”. Todavia, “a minha presença e intervenção no secretariado da Federação terá sempre presente os interesses dos pombalenses, nomeadamente, por exemplo, soluções técnicas que eliminem os problemas rodoviários com o traçado do IC8 e que salvem vidas, ou até que se promovam soluções ferroviárias que tornem melhor o acesso de pessoas e bens às duas linhas que atravessam o concelho”, nota.

Fragilidades no PSD
Depois de no mandato anterior ter sido eleito para o secretariado da concelhia de Pombal, presidida por Odete Alves, Leandro Siopa acredita que “há um tempo para tudo” pelo que “este é o tempo para trabalhar para um leque mais alargado de militantes”. Tal não significa, esclarece, “que não venha a trabalhar, no futuro, na concelhia de Pombal. Creio, até, que o convite para integrar o secretariado federativo veio na sequência da minha prestação e acção política enquanto estive na concelhia”.
Questionado sobre aquelas que são as fragilidades do partido em Pombal e que o impedem de conquistar outra posição no espectro político local, o socialista começa por dizer que “os problemas internos dos partidos resolvem-se nos órgãos e fóruns próprios desses partidos e todos, sem excepção, enfrentam problemas”. Por outro lado, “em Pombal existe um velho hábito de pensar que o PS está fragilizado, fragmentado e, por isso, condenado”, mas Leandro Siopa não tem dúvidas de que essa ideia não corresponde à realidade. Isto porque, segundo afirma, “o maior exemplo de problemas, fragilidades e fragmentação interna é bem mais real no PSD, que é Poder há 27 anos em Pombal”. E exemplifica. “Quando, em 2017, os pombalenses deram maioria absoluta ao PSD fizeram-no, democraticamente, porque acreditavam que seria esse partido, e os seus eleitos, a melhor governar os destinos do concelho. Três anos volvidos estou certo que esses pombalenses sentem-se defraudados com a confiança que depositaram nesses eleitos, até porque quando o fizeram não concederam ao PSD um salvo-conduto para exonerar um chefe de departamento e dois vereadores”. Além disso, acrescenta, “nem sequer o fizeram à espera de verem atribuídos pelouros a um vereador eleito por um movimento independente e em quem não tinham votado, só para garantir estabilidade governativa num buraco aberto por uma cisma partidária”. Mas as debilidades não se consignam ao PSD, segundo defende. “E já agora, o que dizer dos problemas e fragilidades do Movimento Pombal Humano (NMPH), com sucessivos abandonos dos seus eleitos na Assembleia Municipal, divergências de posições, votações e acção política entre os seus vereadores? E a renúncia da outra vereadora do NMPH que deixou via aberta para o tal vereador que outrora fora do PSD, mas já não o era, assumir pelouros poucos dias depois? Creio piamente que nem os eleitores que votaram no PSD, nem os que votaram no movimento independente e unipessoal, estão hoje satisfeitos com estas decisões. Ambos faltaram às promessas eleitorais e devem por isso ser ‘penalizados’ no próximo acto eleitoral”, salienta.

Apesar das críticas, Leandro Siopa assume que no PS Pombal não está “tudo perfeito”, mas reconhece “esse não é sequer um problema recente”. “O PS de Pombal ficou órfão de identidade com a morte precoce do Eng.º Guilherme Santos. Estou certo que se não fosse aquele fatídico dia e o PS teria outra posição no panorama político local. Devo, contudo, afirmar que não sou nem defensor, nem crente, no mito de um ‘Dom Sebastião’ que salvará o partido e lhe devolverá a glória de outrora. O PS, em Pombal, só alcançará o poder unido sempre que se constituir como alternativa na acção política e não apenas como mera oposição partidária”.

“O Largo do Cardal” regressa em breve
A intervenção cívica e política de Leandro Siopa estende-se, também, às redes sociais. Para isso, criou, no Facebook, uma página intitulada “O Largo do Cardal”, “com o intuito de dar voz a quem a não tem”. Para o socialista, trata-se de “uma forma diferente de defender causas e valores, influenciar e, quiçá, inspirar aqueles que não se revêm nesta forma de governar a cidade e as pessoas. Assenta em publicações assinadas e assumidas, porque ali não há medo”.
Contudo, “este período de confinamento e distanciamento social tem sido difícil para todos e os autores, no “Largo do Cardal”, não são excepção”, uma vez que “tivemos que nos focar em resolver outros problemas”. Porém, tudo aponta para que, em breve, “veremos mais do “Largo”. Talvez menos personalizado e mais direccionado para as causas que interessam ao povo. E espero que com mais vozes activas nas fileiras”.

Outros pombalenses na federação
Para além de Leandro Siopa e de Patrícia Carvalho, eleitos na passada Comissão Política Distrital, no Congresso da Federação, realizado em Setembro, já haviam sido também eleitos, para a Comissão Política, Patrícia Carvalho, Manuel Jordão Gonçalves, Luís Simões e Marlene Matias. Para a Comissão Federativa de Jurisdição, foram eleitos Carlos Lopes e Alberto Gameiro Jorge.

Percurso no partido
O percurso de Leandro Siopa no PS remonta a 2009, mas noutra secção. Em 2016, mudou para a secção de Pombal, concelho onde vive desde 2010. “Foi nessa altura que decidi que queria devolver à terra que me acolheu e adoptou, as minhas ideias, o meu trabalho e toda a gratidão que tenho por estas gentes. É ainda um percurso curto, num trajecto que espero longo”. Fora da esfera política, Leandro Siopa aproveita a oportunidade “para apelar a todos os pombalenses que cumpram as normas da DGS e do Governo para que possamos, todos, vencer a COVID-19 e rapidamente voltarmos a conviver e celebrar a vida e a cidade”.

*Notícia publicada na edição impressa de 22 d Outubro