EDP já restabeleceu energia a 100% dos clientes afectados por tempestades

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A EDP, grupo que integra a E-Redes, responsável pela operação da rede de distribuição em Portugal continental, já restabeleceu a energia a 100% dos clientes afectados pelas tempestades, anunciou esta quinta-feira, 26 de Fevereiro, o presidente executivo.

“Já recuperámos 100% dos clientes, restando apenas algumas situações específicas que serão resolvidas muito em breve, mas penso que o pior já passou”, afirmou Miguel Stilwell d’Andrade, na conferência telefónica com analistas no âmbito da apresentação dos resultados de 2025.

O gestor recordou que Portugal foi atingido por “uma série de tempestades devastadoras”, que começaram no final de Janeiro e se prolongaram até Fevereiro e registaram ventos superiores a 200 quilómetros por hora, que causaram “danos físicos sem precedentes nas infra-estruturas do país”, incluindo nas redes eléctricas e em activos da empresa.

A tempestade afectou cerca de 6.000 quilómetros de rede e danificou aproximadamente 5.800 torres, tendo sido mobilizadas cerca de 2.400 pessoas no terreno, incluindo equipas vindas de Espanha, Brasil, França e Irlanda.

O gestor sublinhou que a resposta foi “imediata”, com um apoio “muito coordenado e em grande escala” de equipas internas e externas. “Tivemos pessoas vindas de Espanha, Brasil, França e Irlanda”, referiu, agradecendo o contributo das equipas das redes e das centrais hidroeléctricas, que “trabalharam ininterruptamente para limitar os danos causados pela tempestade e restabelecer a energia dos nossos clientes”.

Miguel Stilwell d’Andrade destacou que a prioridade foi “restabelecer a energia da forma mais rápida, mais segura e mais eficaz possível”, reconhecendo que compreendem “os danos que esta situação causou e a frustração das pessoas que ficaram sem electricidade durante estas semanas”.

No segmento hídrico, destacou que, devido à forte pluviosidade, os níveis das albufeiras atingiram máximos históricos, situando-se em cerca de 96%, face a 76% em Janeiro. O índice de produção hidroeléctrica em Portugal duplicou a média histórica até à data, adiantou.

Segundo explicou, estas condições meteorológicas extremas tiveram também impacto no mercado, com “preços anormalmente baixos” no mercado grossista (‘pool’), que passaram de cerca de 71 euros por megawatt/hora em Janeiro para aproximadamente 8 euros por megawatt/hora até meados de Fevereiro, num contexto de custos mais elevados com serviços auxiliares.

Miguel Stilwell d’Andrade sublinhou ainda que foi utilizado um modelo hidrológico avançado para antecipar descargas e coordená-las com as autoridades ambientais, contribuindo para o controlo das cheias.

Em termos financeiros, a empresa estima em cerca de 80 milhões de euros os impactos associados às tempestades, incluindo danos nas redes e em activos de geração, bem como custos operacionais, com maior peso na actividade de redes.

No entanto, o responsável indicou que o impacto adicional das tempestades continua a ser avaliado e será actualizado no primeiro trimestre, defendendo que estes episódios evidenciam “a crescente vulnerabilidade” associada às alterações climáticas e reforçam a necessidade de sistemas mais resilientes.

Nesse sentido, o grupo prevê investir 4,1 mil milhões de euros em redes na Península Ibérica entre 2026 e 2030, face a 2,6 mil milhões no período 2021-2025, um aumento global de 58%.“Embora ambas as geografias estejam a contribuir significativamente para este aumento, em Portugal é de cerca de 66%”, apontou.

Deste montante, mais de 500 milhões de euros deverão ser canalizados para reforço da resiliência da rede, “a fim de garantir que a rede está preparada para cargas mais elevadas, mais produção distribuída e maior complexidade do sistema”, afirmou.

O gestor destacou ainda que o novo quadro regulatório em Portugal fixa uma taxa de remuneração nominal antes de impostos de 6,7% até 2029, garantindo “clareza e estabilidade” para o ciclo de investimento, num contexto de crescimento esperado da procura eléctrica na Península Ibérica, impulsionado pela electrificação, em grande parte devido ao desenvolvimento de ‘data centers’.

Lusa