HIC ET NUNC | Celebrar Abril

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Portugal celebrou esta semana o 52° aniversário da revolução dos cravos  a qual colocou um ponto final à 2ª República. Instaurado em 1933, o Estado Novo, designação instituída pelo seu principal mentor e líder António de Oliveira Salazar, foi um regime que garantiu a sua longevidade através da repressão e controlo de toda a opinião dissonante, através da acção da polícia política e a prática de censura.

A 25 de Abril deste ano assinalámos os 50 anos sobre as eleições para a Assembleia da República (AR), nas quais o CDS elegeu 40 deputados do total de 263 elegíveis.

Nesse mesmo ano de 1976 mas a 2 de Abril, ainda pela Assembleia Constituinte, era aprovada a atual  Constituição da Republica Portuguesa.

Nessa aprovação, os 16 deputados que representavam o CDS votaram contra, opondo-se à forte carga ideológica de esquerda presente no texto com a consagração da via para o socialismo e modelos económicos coletivistas.

A menção expressa à construção de uma sociedade socialista, que o CDS sempre rejeitou, foi eliminada do texto na revisão constitucional de 1982, que adequou a lei fundamental a uma democracia liberal pluralista e a uma economia de mercado.

Durante os seus cinquenta anos de história o CDS teve grandes oscilações nas suas votações para as eleições legislativas, de acordo com a evolução social do País, das crises económicas vividas ou da acção dos diversos governos eleitos.

O CDS-PP (Centro Democrático Social – Partido Popular), designação adoptada desde 1995, ocupa um espaço único que combina a defesa da economia de mercado com uma preocupação social e humanista, baseada na dignidade da pessoa humana, base da democracia-cristã.

A redução da importância eleitoral do CDS, considerando que é o único representante da democracia-cristã clássica no sistema partidário português, deixa um vazio político que os novos partidos da direita não cobrem. É tempo de o partido merecer o regresso dos seus eleitores que por diversas razões optaram por outras alternativas. Alguma indefinição no seu percurso na década passada, a excessiva dependência do PSD e a aproximação deste ao eixo central no tempo de Rui Rio e António Costa, contribuíram para o emagrecimento da nossa representação na AR.

Por outro lado, o poder autárquico que mantemos em alguns concelhos, o trabalho desenvolvido pelo atual grupo parlamentar e o desempenho dos governantes por nós indicados, são provas de que o partido merece e pode recuperar a força de outros tempos.

Celebrar Abril é pluralidade de alternativas, é debater as diferenças e exercer a nossa escolha livremente.

Celebrar Abril é lutar por uma sociedade mais justa, humanista, desenvolvida e aberta.

Celebrar Abril é não esquecer o passado mas lutar por um futuro melhor.

Viva a Liberdade, Viva Portugal!

 

Telmo Lopes
Presidente da concelhia do CDS-PP de Pombal